Desporto

Militares com final feliz numa época atribulada

A conquista da terceira “dobradinha”- juntar os títulos do Girabola e da Taça de Angola - no seu historial, premiou o esforço de recuperação encetado pelo 1º de Agosto, depois da eliminação precoce, frente ao desconhecido AS Otoho do Congo Brazzaville, na corrida à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.

28/05/2019  Última atualização 11H40
DR © Fotografia por: Época terminou com a terceira dobradinha na história do Clube Central das Forças Armadas

O brilharete assinado um mês e meio antes, com a presença nas meias-finais da grande montra do futebol continental, colocou os militares do Rio Seco debaixo dos holofotes. De regresso à competição, no final de uma ausência de 21 anos, os então tri-campeões angolanos foram guindados à condição de concorrentes com argumentos para discutir a disputa das etapas adiantadas.
O facto de ter passado com distinção pelo respeitado TP Mazembe, nos quartos-de-final, e discutido o passe para a decisão do título continental, palmo-a-palmo, em Outubro, com os tunisinos do Esperance de Tunis, reforçados no jogo da segunda “mão” da meia-final pelo zambiano James Sikazwe, protagonista de uma arbitragem tendenciosa, os rubro e negros chegaram ao mês de Novembro pressionados a dar continuidade à boa safra.
Mas o início da nova época, sem terminar sequer a anterior, por força da extensão do período competitivo motivada pelo sucesso africano, dentro de um calendário condensado para dar resposta à necessidade de se harmonizar os campeonatos e ligas do continente com as restantes confederações, nomeadamente europeia e sul-americana, tirou tempo ao 1º de Agosto na preparação da melhor abordagem.
Para agravar o quadro de dificuldades, a direcção do clube encabeçada por Carlos Hendrick da Silva viu-se confrontada com o impasse que acabou por ditar a saída intempestiva do sérvio Zoran Maki, obreiro da boa campanha nas Afrotaças, apesar da contestação dos adeptos e dos reparos de parte da crítica desportiva nacional, pelo facto de a equipa privilegiar a segurança defensiva, em detrimento de um futebol mais apelativo, com fulgor nas acções de ataque.
A solução encontrada e executada por Paulo Magueijo, o “homem forte” da modalidade no clube, foi o regresso do bósnio Dragan Jovic, técnico que pediu para sair por razões de saúde. Porém, o afastamento madrugador das Afrotaças e o início titubeante no Girabola pressagiaram uma época de insucesso, nuvem agourenta dissipada com o decorrer da competição, sobretudo após o triunfo sobre o arqui-rival Petro de Luanda, ainda na primeira volta, num lance feliz do “capitão” Dany Massunguna, que tirou partido do adiantamento do guarda-redes Gerson, relegado ao banco de suplentes por Élber.
A retoma competitiva da equipa remodelada por causa da quebra física de Ibukun e Mongo, bem como da saída de Geraldo para o Al Ahly do Egipto, três destaques da temporada anterior, deu lugar a um percurso pontuado por vários recordes, como 36 jornadas (3240 minutos) sem sofrer golos e os 56 jogos, quase dois campeonatos, invicto no Girabola. Emergiram outras referências no plantel, mormente Show, o motor do meio campo, e agora Zito Luvumbo.

Dragan Jovic sai de férias com a casa arrumada

O final de época feliz motiva os dirigentes do clube, que já fazem contas com o penta e uma nova campanha bem-sucedida na Liga dos Campeões. Dragan Jovic seguiu ontem para cumprir um mês de férias, mas deixou o trabalho arrumado, das renovações e entradas a prováveis saídas.
De acordo com Paulo Magueijo, o treinador pediu o regresso de todos os jogadores emprestados, a fim de definir o plantel. De regresso ao Sporting de Portugal, com proposta de continuidade de cedência, está o avançado Ary Papel, elemento determinante no sucesso agostino, principalmente na recta final.
O nosso jornal apurou de fonte próxima ao clube militar, que está quase concluída a contratação de um avançado finalizador, de modo a alargar a força do ataque liderado por Mabululu, melhor marcador do campeonato, com 14 tentos apontados.
O início da época, apenas em Agosto, é aplaudido pelos dirigentes da agremiação rubra e negra, por acreditarem que assim será possível preparar a presença nas Afrotaças, dentro da sua grandeza no continente. “Foi um ano de verdadeiro aprendizado. Para muitos, um fracasso, por termos sido eliminados tão cedo. Retirámos a melhor lição desta experiência. Demos dois passos atrás, com o propósito de avançar de forma sustentada. Queremos marcar presença regular nas grandes montras africanas”, explicou Magueijo.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Desporto