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Milhares de libaneses arriscam morrer de fome

A situação no Líbano, que enfrenta a pior crise económica da sua História, “está a ficar fora de controlo rapidamente”, alertou, ontem, a Alta-Comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas.

11/07/2020  Última atualização 09H30
DR © Fotografia por: Nações Unidas temem destino de milhares de crianças


Alguns dos libaneses mais vulneráveis “arriscam morrer de fome devido a esta crise”, declarou Michelle Bachelet num comunicado, adiantando: “devemos agir rapidamente antes que seja tarde demais”.

Bachelet apelou ao Governo e aos partidos políticos libaneses que façam “reformas urgentes” e respondam “às necessidades básicas da população, como é o caso dos alimentos, electricidade, saúde e educação”.
“A crise económica, juntamente com a epidemia da Covid-19, afectou toda a sociedade. Muitos perderam os empregos, viram as economias desaparecerem e ficaram sem casa”, lembrou.

“Neste tipo de situações são os mais pobres e mais vulneráveis os que mais sofrem“, sublinhou Bachelet.
O pequeno país do Médio Oriente passa pela pior crise económica da sua História, agravada pela pandemia mundial do novo coronavírus e num contexto político delicado exacerbado pelas tensões entre o Hezbollah, movimento xiita que domina a vida política libanesa e aliado do Irão, e os Estados Unidos.
Nos últimos meses, dezenas de milhares de libaneses ficaram desempregados ou tiveram cortes salariais. A moeda nacional está em queda livre, assim como o poder de compra. Os aforradores não têm acesso livre ao dinheiro porque os bancos impuseram restrições draconianas aos levantamentos ou transferências para o estrangeiro devido à escassez do dólar.

Os dirigentes libaneses são acusados de beneficiar de um sistema “gangrenado pelo clientelismo e a corrupção”.
Entre os mais frágeis encontram-se cerca de 1,7 milhões de refugiados, a maioria da vizinha Síria, e 250 mil trabalhadores imigrantes, que perderam o emprego e encontram-se sem tecto, disse Bachelet. “É importante neste período difícil, reavaliar o modo como tratamos os migrantes”, declarou a responsável, apelando à protecção de todos “independentemente da sua origem ou estatuto”.

PAM pede ajuda ao Iémen

No Iémen, onde 10 milhões de pessoas sofrem por falta de alimentos, o Programa Alimentar Mundial (PAM) exige uma resposta imediata.
A agência da ONU assinalou, ontem, necessitar com urgência de 737 milhões de dólares para a ajuda até ao final do ano.
“Devemos agir agora e agir rapidamente. É extremamente grave, todos os indicadores estão no vermelho”, declarou Elisabeth Byrs, porta-voz da agência, numa conferência virtual, com a imprensa, em Genebra.“Já reduzimos a distribuição de alimentos no Norte do país para metade”, disse, sublinhando que “perto de 10 milhões de pessoas sofrem de má nutrição severa no Iémen”, país em guerra desde 2014 e que enfrenta a pior crise humanitário do mundo, segundo a ONU.

Byrs explicou que, em 2019, “graças a um aumento massivo da sua ajuda, o PAM e parceiros conseguiram impedir que o Iémen arriscasse a fome”, mas, alertou, “os sinais de alerta voltaram e com a pandemia de coronavírus a situação pode piorar se a acção humanitária for adiada”.
“O Iémen enfrenta uma crise em várias frentes”, lembrou, indicando o aumento dos preços dos produtos essenciais, a desvalorização galopante do rial (a moeda nacional), a expansão da Covid-19 e a continuação da guerra.

As agências humanitárias têm vindo a alertar, há várias semanas, para a situação no Iémen, onde mais de dois terços da população depende de ajuda humanitária e para o qual a ONU só conseguiu recolher metade dos 2,41 mil milhões de dólares da ajuda necessária, numa conferência de doadores virtual organizada em Junho.

O conflito no Iémen opõe as forças do Governo reconhecido internacionalmente, apoiadas por uma coligação militar dirigida pela Arábia Saudita, aos rebeldes xiitas Huthis, ajudados pelo Irão e que se apoderaram, em 2014, de grande parte do Norte do país, incluindo a capital, Sanaa.
A guerra causou dezenas de milhares de vítimas, na maioria civis, e quatro milhões de deslocados.

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