Cultura

Mestre Sakaneno João de Deus já repousa no Cemitério do Benfica

Armindo Canda

Jornalista

Familiares, colegas e alunos despediram-se, sexta-feira, no Cemitério do Benfica, em Luanda, do coreógrafo e professor de Dança Sakaneno João de Deus, que faleceu no último domingo, vítima de doença, aos 62 anos.

15/06/2024  Última atualização 10H24
A dimensão artística do homem de cultura foi enaltecida, ontem, no último adeus ao coreógrafo © Fotografia por: Francisco Lopes | Edições Novembro

Passavam 40 minutos das 11 horas da manhã quando o cortejo fúnebre do professor de Dança chegou ao Campo Santo do Benfica, e numa marcha lenta, seguiu-se para a sepultura. Sem muitos choros, mas com profundas dores, depois da urna descer à sepultura, muitas coroas e ramos de flores foram depositadas sobre o túmulo, enquanto os estudantes do Complexo das Escolas de Arte (CEARTE), lançavam para o ar balões de cor branca.

A dimensão artística de Sakaneno foi enaltecida na leitura de notas de condolências, com realce para o Ministério da Cultura, Governo Provincial de Luanda, através do Departamento da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, Grupo Experimental Teatro, Universidade de Luanda e União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA).

O sobrinho do malogrado, Makengo Fernando aproveitou o momento para agradecer os presentes no último adeus ao ente querido e pelo apoio moral que a família recebeu.

Makengo reconheceu que a morte do tio é uma grande perda para a família, a cultura e a sociedade, por ter sido uma pessoa excelente, que contribuiu bastante para que a dança nacional fosse reconhecida na diáspora.

"Estamos muito entristecidos porque perdemos um pai, amigo, conselheiro e uma pessoa bastante educada. Sakaneno João de Deus foi muito amado pelos seus filhos, em particular, e a família, no geral, estava sempre disposto para ajudar todos”.

Um diplomata da dança

O secretário-geral da UNAC-SA, Eliseu Major, disse que o malogrado, membro efectivo da agremiação, era um diplomata e pioneiro da dança, levando os ritmos da angolanidade a vários pontos do país e na diáspora.

O dirigente cultural frisou que a associação e a cultura nacional perdem um dos seus mais valiosos filhos. "Sakaneno deixa uma legião de discípulos, porque grande parte dos artistas que têm a dança como profissão passaram pela mão do malogrado. As maiores realizações culturais em que o país participou com a dança tiveram a mão de Sakaneno João de Deus”.

António de Oliveira "Delón”, membro do Grupo Experimental Teatro, realçou que Sakaneno foi um académico de mão cheia, por ter deixado o seu selo na maior parte das escolas de dança que surgiram no país.

O também secretário-geral da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL) afirmou que 70 por cento dos actuais professores de Dança passaram pelo Sakaneno. O académico, disse, é uma figura que esteve sempre presente na preparação dos grupos carnavalescos, em várias edições da festa do povo deu a sua contribuição como membro do júri.

"Também deu a sua contribuição em termos de ideias na fase de preparação de cada edição do Carnaval de Luanda. Era uma pessoa muito participativa, e muito carinhosa com todos”.

Uma relação de cordialidade

Francisco dos Santos, ex-aluno, explicou que o professor Sakaneno era bastante rigoroso, mas sempre conseguia estabelecer uma relação de cordialidade e amizade com os estudantes.

O discípulo recordou o malogrado como um professor exemplar e que ensinava com paciência. Acredita que o docente cumpriu a sua missão com zelo e muita honra. "A cultura perdeu uma grande biblioteca, um conselheiro que muito fez para o engrandecimento da dança, sobretudo as ancestrais”.

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