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Mercado do peixe garante acima de 900 empregos

Novecentas e duas pessoas conseguiram o seu primeiro emprego no novo mercado do peixe, localizado na Praia da Mabunda, Distrito Urbano da Samba, município de Luanda.

14/12/2020  Última atualização 10H44
Objectivo das autoridades é evitar a comercialização de peixe em locais impróprios © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
Inaugurado no passado dia 1 de Dezembro, o  referido espaço comercial alberga 200 comerciantes, que conseguiram o seu primeiro emprego directo, além de 702 outras pessoas que obtiveram empregos indirectos, entre jovens e adultos, que labutam nas áreas de venda, limpeza, pesca, conservação e segurança do recinto.
Com 40 bancadas, que albergam cinco peixeiras cada, o mercado, propriedade da empresa Coapescas, foi inaugurado pela presidente da Comissão Administrativa da cidade de Luanda, Maria Nelumba, e tem capacidade para comercializar 40 toneladas de pescado, por dia.

O director-geral da Coapescas, Arménio Lopes, informou à Angop que o projecto visa reduzir a comercialização desordenada do peixe em lugares sem condições de higiene, acrescentando que o mercado está especificamente direccionado à venda para consumo  doméstico e nunca para abastecimento do mercado paralelo.
Na sua estrutura, o mercado do peixe conta com câmaras de conservação de pescado, com capacidade para 70 toneladas, casas de banho e portas de entrada, saída e de emergência.

Comparativamente ao Mercado da Mabunda, situado na mesma praia, o novo mercado do peixe reúne melhores condições de trabalho e de higiene. O primeiro, existente há mais de 30 anos e que desde Novembro de 2017 conta  com  duas naves para a  comercialização de pescado, seco e fresco, além de hortícolas, foi  inicialmente  concebido para albergar 600 vendedores, número mais tarde elevado para mil. 
  
Os vendedores do também conhecido "Mercado da Avó Mabunda”, apesar dos apelos das autoridades administrativas, optaram por abandonar o interior das duas naves,  preferindo comercializar o pescado no lado exterior, sem as mínimas condições de higiene e segurança. De referir que o interior da Praça da Mabunda possui, igualmente, contentores frigoríficos para a conservação do pescado, equipamentos para o tratamento das águas residuais, água para o uso doméstico e fabrico de gelo, entre outras condições.

Lixo

Na Praia da Mabunda, espaço comum dos dois mercados, existem grandes amontoados de lixo, desde plástico, vísceras de pescado, restos de comida, ferro velho, garrafas e  outros objectos arrastados pelas águas do mar.
Mesmo perante este quadro, que constitui um atentado à saúde pública, centenas de pessoas fazem as suas compras na Praia da Mabunda.
Reza o histórico que em Fevereiro de 2018, as peixeiras da Mabunda recusaram-se a exercer a sua actividade nas naves instaladas, alegando a existência de concorrência desleal, já que a administração do recinto havia cedido espaço aos proprietários de barcos para comercializarem o pescado a grosso fora do recinto.

Segundo fontes oficiais, aos pescadores e donos de embarcações foi permitido realizar  o comércio a grosso fora do recinto, à beira-mar, devido a função que têm de abastecer as peixeiras a nível de Luanda, tornando o produto mais barato em relação ao das vendedoras do interior do mercado.

Essa permissão das autoridades abriu um precedente, que resultou na comercialização do pescado ao ar livre e em meio do lixo.   
Ainda em 2018, o Ministério da Saúde informou que as águas do mar daquele local encontravam-se contaminadas com o vibrião colérico, transmissor da cólera e desaconselhou o consumo do pescado daquela circunscrição, mas as vendedoras de peixe permaneceram no local.

Devido a resistência por parte dos pescadores, escamadores, peixeiras e armadores, o Ministério das Pescas e do Mar procedeu, no mesmo ano, a transferência das embarcações de pesca semi-industriais da Praia da Mabunda para o Porto Pesqueiro da Boavista. Acto contínuo, promoveu uma campanha de limpeza no perímetro do mercado e consequente destruição de antigas barracas utilizadas para realização do comércio.

Na altura, o processo de transferência foi acompanhado por efectivos da Fiscalização, Polícia Nacional e representantes das comissões de moradores, que continuam a sensibilizar todos aqueles que insistem em permanecer fora do mercado.

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