Economia

Mercado cambial regista avanços

Vânia Inácio

Jornalista

O mercado cambial angolano conheceu, nos últimos anos, um profundo ajustamento, com a introdução de um regime de taxa de câmbio mais flexível, medida que o tornou mais transparente e previsível, além de o valor da moeda nacional passar a estar mais em linha com as condições do mercado, segundo indicou, na segunda-feira, em Luanda, o ministro de Estado para a Coordenação Económica.

16/06/2021  Última atualização 06H30
Ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior © Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro
Manuel Nunes Júnior lembrou também que a diferença entre a taxa de câmbio oficial do dólar norte-americano e a prevalecente no mercado paralelo, que em 2017 era de 150 por cento está, actualmente, em 4,0 por cento, enquanto que para o euro a diferença é de apenas 0,5 por cento.


"A taxa de câmbio já atingiu o seu valor de equilíbrio  ou está muito próxima disso e tem-se mantido estável nos últimos  meses. Trata-se, na verdade, de um avanço muito significativo”, afirmou.
O ministro de Estado disse mesmo que o ajustamento do mercado cambial é uma medida de grande alcance estratégico no que respeita a mudança da estrutura económica de Angola.

"Temos dito muitas vezes que precisamos de diminuir a nossa  dependência do sector petrolífero. O ajustamento do mercado cambial  é uma medida que se insere claramente nesta estratégia, pois torna o nosso mercado mais atractivo para o investimento, quer nacional como estrangeiro”, reiterou.


Produção nacional
Um outro dado avançado por Manuel Nunes Júnior é a aposta na produção nacional fora do sector petrolífero, tida como medida mais apropriada para se evitar que o país viva crises cíclicas sistemáticas derivadas das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional.

Por isso, acrescentou, está-se a desenvolver o PRODESI e no âmbito deste Programa trabalha-se para aumentar a competitividade da produção nacional, sobretudo para alguns produtos essenciais ao consumo das populações.
"Estamos a implementar medidas para que a produção nacional destes produtos  alcance níveis de auto-suficiência em relação ao consumo interno, diminuindo ou eliminando nos próximos anos a importação dos mesmos", reiterou.
Segundo o ministro Manuel Nunes Júnior, os resultados no domínio do Programa já começam a ser visíveis.

Por exemplo, citou, em 2020, não obstante o país ter conhecido ao nível global uma contracção de cerca de 5,0 por cento do Produto Interno Bruto, o sector da Agricultura conheceu um crescimento de 5,6 por cento, o que é um facto a todos os títulos notável, por ter ocorrido num ano extremamente difícil para todo o mundo.

Por outro lado, referiu, é importante, igualmente, ressaltar  que as importações no ano passado tiveram em geral uma contracção na ordem de 34 por cento. No que diz respeito aos bens alimentares, a contracção das importações foi de cerca de  23 por cento.

Para ele, a diminuição das importações de bens alimentares é  uma clara manifestação do  efeito positivo das medidas de estímulo à economia que o país tem estado a desenvolver e que revela que o esforço que está a ser feito no sentido do aumento da produção nacional começar a dar frutos.

"O  nosso grande objectivo é o de tornar as  nossas empresas  cada vez mais competitivas, capazes de produzir mais e melhor e de  aumentar significativamente os  níveis de emprego no país e por esta via aumentar também os níveis de rendimento e de bem-estar do povo angolano”, detalhou.

Manuel Nunes Júnior disse também que "todo este esforço do Executivo, no sentido de restaurar os equilíbrios internos e externos da nossa economia, tem sido apoiado do ponto de vista técnico e financeiro pelo Fundo Monetário Internacional a partir  de Dezembro de 2018, através de um Programa de financiamento ampliado que tem a duração de 3 anos”.
Tal como reconhecido pelo FMI, o Programa tem sido conduzido de modo satisfatório.

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