Política

Mercado cambial mais estável

O Executivo vai ser mais rigoroso na implementação do Programa de Apoio à Produção Nacional, de Promoção das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), assegurou ontem, em Luanda, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior.

31/10/2018  Última atualização 11H54
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Manuel Nunes Júnior falou da intenção de se assegurar uma governação mais eficiente

“Numa primeira fase teremos de ser auto-suficientes no que respeita à produção alimentar. Temos de deixar de importar alimentos de amplo consumo e passar a produzi-los”, sublinhou Manuel Nunes Júnior, que falava durante a apresentação aos deputados do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN).
O economista disse que a intenção do Executivo é assegurar uma governação mais focada, disciplinada e eficiente no que se refere à utilização dos recursos e mais eficaz no que respeita ao alcance dos resultados pretendidos.
O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social garantiu que a estabilização macroeconómica continuará a ser um dos grandes objectivos a ser alcançado no âmbito do Plano de Desenvolvimento Nacional.
Para Manuel Nunes Júnior, a estabilização macroeco-nómica constitui um meio necessário para atingir o gran-de objectivo do Executivo, que é aumentar a produção nacional, tornar os empresários mais forte e competitivos, promover as exportações fora do sector petrolífero e substituir as importações pela produção nacional. “Se não tivermos uma economia forte, sustentada e diversificada, não conseguiremos resolver de modo satisfatório os sérios problemas sociais do país, tal como o desemprego, a fome e a miséria”, afirmou. O ministro de Estado Manuel Nunes Júnior explicou que, com a aprovação do Plano de Desenvolvimento Nacional para o período 2018-2022, todos os orçamentos do Estado passarão a estar baseados nos 83 programas previstos no PDN.
“O Orçamento Geral do Estado para o próximo ano já foi elaborado na base de um orçamento-programa”, disse Manuel Nunes Júnior.

Crescimento da economia
O ministro de Estado explicou que as projecções efectuadas indicam que, no período de 2018-2022, a economia nacional deverá ter um crescimento médio anual em termos reais de três por cento.
Manuel Nunes Júnior adiantou que o crescimento médio anual do sector não petrolífero será mais forte e se situará na ordem dos 5.1 por cento. Já o sector  petrolífero, de acordo com Manuel Nunes Júnior, vai conhecer um crescimento médio anual negativo de cerca 1.8 por cento.
“Isto que significa que o sector não petrolífero terá um crescimento suficientemente forte para contrabalançar o sinal negativo do sector petrolífero”, sublinhou.
O ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico esclareceu que, no domínio não petrolífero, os principais motores de crescimento serão os sectores da agricultura, com uma taxa média de crescimento de 8.9 por cento, das pescas, com uma taxa média de 4.8 por cento, da indústria transformadora, com uma taxa de 5.9 por cento, dos serviços, incluindo o turismo, com 5.9 por cento, e da construção, com uma média de 3.8 por cento.

Desequilíbrios
Manuel Nunes Júnior reconheceu que o país viveu uma situação com vários desequilíbrios quer no ponto de vista das contas internas quer externas no que respeita à balança de pagamentos.
“Em Janeiro deste ano, quando o Executivo entrou em funções, encontrou uma situação que todos conhecemos, um mercado cambial completamente instável e vulnerável, com preços a variar com bastante constância e, sobretudo, uma diminuição drástica das reservas internacionais”, afirmou.
O ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social disse que, para estancar a situação, o Executivo adoptou, em Janeiro deste ano, um programa de estabilização macroeconómica para fazer face à “situação difícil” que, “se não fosse de-vidamente acautelada, teríamos chegado a uma situação mais complicada”.
Manuel Nunes Júnior afirmou que “o país estava estagnado com uma taxa de inflação a crescer de maneira preocupante”. “Hoje, temos um mercado cambial mais estável e as nossas reservas internacionais atingiram um pa-
tamar que nos dá uma certa folga, a taxa de inflação no mercado tem estado a diminuir, não obstante o processo de depreciação da moeda no mercado cambial, mas se nota uma diminuição das taxas de inflação do nível geral dos preços”, salientou o ministro que garantiu que o Executivo está a criar as condições para o país retomar o crescimento económico a partir do próximo ano.

Estratégias do Executivo
O ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, disse que o Plano de Desenvolvimento Nacional vai estabelecer as linhas de orientação para a condução da política, implementação e execução das estratégias do Executivo.
Neste plano, afirmou o ministro, o Executivo incorporou todos os compromissos assumidos pelo país “desde o compromisso da Agenda 2063, da União Africana, bem como os compromissos no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável 2030, das Nações Unidas”, disse.
Pedro Luís da Fonseca disse que a Lei de Base do Sistema Nacional de Planeamento está em processo de revisão, pelo facto de já não corresponder às exigências do desenvolvimento económico do país e, por isso, deve ser revista.
O ministro indicou que o PDN foi o primeiro documento a ser elaborado tendo em conta o crescimento populacional do país.
A presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, Ruth Mendes, que falou na abertura do acto de apresentação do PDN 2018-2020, espera que, no documento, haja opções de política que permitam o país sair da crise económica e financeira e recolocar Angola na rota do crescimento.

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