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Mentor do “Lar do Patriota” vai hoje a enterrar em Luanda

O general António Henriques da Silva “Dingwanza”, mentor, fundador e o principal rosto do projecto habitacional “Lar do Patriota”, no município de Talatona, em Luanda, vai a enterrar, hoje, no cemitério do Alto das Cruzes, partindo o préstito fúnebre do Quartel General do RI-20.

08/07/2019  Última atualização 12H17
DR © Fotografia por: António Henrique da Silva, 79 anos, morreu na África do Sul

Tido pelos amigos e colegas de trabalho como um homem sério, solidário e lutador, “Dingwanza” morreu, vítima de doença, no dia 2 deste mês, em Joanesburgo, África do Sul.
Há 18 anos, António Henrique da Silva deu a ideia da criação de uma cooperativa para a construção de casas, que hoje, sendo uma realidade, já beneficiou cerca de dois mil sócios que acreditaram no projecto “O Lar do Patriota”.
O vice-presidente da Cooperativa “O Lar do Patriota”, Jorge Chiquengue, mais conhecido por general “Sacrifício”, disse ao Jornal de Angola que “Dingwanza” deu tudo, na altura, para que o projecto ganhasse vida e ser hoje habitado, com ruas asfaltadas, água corrente, energia eléctrica, iluminação pública, restaurantes, escolas, creches, igrejas, lojas, ginásios, supermercados e outras infra-estruturas sociais.
Jorge Chiquengue, um dos membros fundadores da cooperativa, contou que antes da cooperativa, no terreno não havia praticamente nada. Era uma zona desabitada, com muito capim e lavras, cujos donos, camponeses, foram indemnizados. Os primeiros sinais de habitabilidade foram dados pela Cooperativa “O Lar do Patriota”.
Hoje, com a extensão da zona e com o surgimento de outros bairros, a área tornou-se cada vez mais habitada e ganhou o estatuto de Distrito Urbano do Patriota, antes afecto ao município de Belas, agora integrado no município de Talatona, no âmbito da nova divisão política e administrativa da província de Luanda.
Iracelma dos Santos, funcionária da cooperativa há quatro anos, lamenta a morte daquele que tem como um bom chefe mas também como um pai e conselheiro, “de uma personalidade incrível”.

O projecto prossegue
O projecto da cooperativa começou em 2001, com 28 membros fundadores, todos oficiais, antigos combatentes, com necessidade de casa própria. O general “Dingwanza” teve a ideia da criação de uma cooperativa e agregar mais sócios.
Das cinco mil casas projectadas desde o início, cerca de duas mil já foram construídas e a maioria está ocupada.
Jorge Chiquengue contou que ainda existem sócios que aguardam para receber casas, assim como muitos que já receberam e pagaram na totalidade e outros que ainda estão com dívidas, passados 15 anos.
O responsável lamenta o facto de a ocupação ilegal de terrenos pertencentes à cooperativa estar a atrasar a conclusão das obras de mais residências e outros projectos sociais.
“A cooperativa ocupa um espaço de 12 milhões de hectares, mas apenas 600 mil estão sob nosso domínio e onde se resume todo o projecto habitacional”
“O general ‘Dingwanza’ foi um homem incansável e não quis partir deste mundo sem ver terminado o projecto que com havia sonhado. Essa foi a sua luta, porque mesmo quando já se sentia debilitado, não faltava ao trabalho, estava sempre a traçar metas e objectivos”, disse Jorge Chiquengue.

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