Cultura

Menores merecem maior protecção contra a violência

Edna Mussalo

Jornalista

O representante do Unicef em Angola apela a uma maior protecção e salvaguarda dos direitos das crianças e considera não ser normal o abuso e a violência que sofrem.

17/06/2021  Última atualização 10H45
Tem sido constante, em muitas famílias, a violação de direitos que estão consagrados em leis e Constituição vigentes © Fotografia por: Maria augusta | Edições Novembro
Iván Yerovi, que falava, ontem, em Luanda, num encontro com diferentes sectores para abordar o combate à violência sexual contra a criança, disse que cerca de 120 milhões de menores sofrem com o mal a nível mundial, sendo que 20 são diariamente violadas no país.

Segundo o representante do Unicef, deve ser feito um trabalho multissectorial eficiente, em prol da protecção da criança, e um processo judicial célere, de modo a que os infractores tenham uma punição agravada.
 "O abuso sexual e a violência contra a criança não são uma situação normal. Por isso, devemos fazer um maior trabalho em prol das crianças e investir na prevenção. Fazer com que as autoridades e o judiciário resolvam os casos que afectam os menores e a pessoa que comete um crime contra a criança deve enfrentar a justiça”, disse Iván Yerovi.

Por seu lado, o director do Instituto Nacional da Criança (INAC), Paulo Kalesi, disse que, a nível do país, as estruturas e mecanismos existentes de protecção à criança são capacitados e que os trabalhos feitos de forma conjunta têm surtido efeitos.

Paulo Kalesi frisou que um trabalho e diálogo permanentes devem ser feitos, para a mudança de paradigma, e focar no adulto como alguém que deve ser sensibilizado a proteger a criança e identificar supostos violadores.  
O responsável sublinhou que, de Junho de 2020 a Junho de 2021, a instituição que dirige registou um total de 4.221 mil denúncias de violência contra crianças, muitas delas feitas de forma anónima.

Paulo Kalesi referiu que os casos de violência ocorrem em muitas províncias, sendo Luanda a que regista maior número de casos. As idades entre os 0 e os 14 anos são os principais alvos e as meninas as mais lesadas.
O responsável acrescentou que acções estão a ser feitas, a nível dos municípios, para abarcar maior e melhor protecção da criança, com foco na família, o lugar onde mais se registam casos de abuso e violência, quando devia ser o contrário.

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