Sociedade

Menor abusada pelo pai morre ao provocar aborto

Alberto Quiluta

Jornalista

Uma menina, de 16 anos, morreu, ao tentar provocar um aborto, depois de supostamente ser abusada sexualmente várias vezes pelo pai, denunciou, esta segunda-feira, em Luanda, a chefe de Departamento do Instituto Nacional da Criança (INAC).

29/11/2022  Última atualização 09H14
Rosalina Domingos quer pais mais protectores dos filhos © Fotografia por: DR

Rosalina Domingos explicou que a criança, fruto dos abusos sexuais frequentes, acabou grávida do pai, tendo este comprado comprimidos para que tomasse e provocar o aborto da gestação e evitar que outras pessoas soubessem do assunto.

No município do Kilamba Kiaxi, registou-se, de igual modo, a morte de uma menor de 16 anos, que foi vítima de abuso sexual, praticado su-postamente por um vizinho, de 35 anos.

A rapariga vivia com a tia, que apanhou o abusador em flagrante delito, tendo, de imediato, levado a menina ao hospital, onde a vítima acabou por morrer.

O acusado de abusar a adolescente e provocar a sua morte encontra-se foragido, mas o caso é de domínio da Polícia do Golf I e do Serviço de Investigação Criminal.

Estes dois episódios, ocorridos em Viana e Kilamba Kiaxi, fazem parte de um conjunto de 326 denúncias de violência contra a criança, através do serviço "SOS- Criança”, feitas pelo terminal 15015, durante a semana finda.

Mas, há outros como o registado no município de Belas, em que duas crianças do sexo masculino, de 12 e 14 anos,  foram vítimas de abusos sexuais.

O suspeito, de 26 anos, é um primo dos menores, que é acusado de abusá-los desde que tinham, ainda, dois e quatro anos. O INAC salienta que o acusado já esteve detido, enquanto as vítimas estão a ser acompanhadas psicologicamente.

No município de Luanda, uma menor, de 14 anos, foi abusada por três vizinhos. De acordo com a denúncia, a adolescente saía de uma loja quando foi interpelada pelos indivíduos, que a levaram a casa de um deles e consumaram o acto.

 

Outros casos

No município de Viana, o INAC recebeu a denúncia de violência física e maus-tratos a cinco crianças, com idades de um a 14 anos, praticados pela mãe, principalmente quando consumisse bebidas alcoólicas.

Entre os filhos dessa mu-lher, realce para a filha de 14 anos, que era abusada sexualmente por alguns vizinhos. O caso foi encaminhado para o SIC e Direcção Municipal da Acção Social.

Em Benguela, registou-se a denúncia de abuso sexual, em que a vítima é uma criança de 12 anos. O suspeito aliciou a menor e levou-a a uma obra abandonada onde consumou o acto.

Na província do Uíge, o INAC recebeu a denúncia de uma mulher que abandonou o filho recém-nascido junto a um rio. A criança foi encontrada sem vida, estando o caso encaminhado para o Comando Municipal da Polícia Nacional e para o Serviço Provincial do INAC, para apurar a veracidade da denúncia.

No município do Cuito, província do Bié, registaram-se dois homicídios, em que foram vítimas duas crianças de dois meses. A denúncia aponta o suposto pai dos bebés, um idoso de 70 anos, como o autor das mortes, por razões passionais.

Outro caso, segundo Rosalina Domingos, tem a ver com uma cidadã, de 24 anos, que está a ser acusada de enforcar o bebé e deitá-lo numa cacimba. Quer no primeiro, quer no segundo acontecimento, os suspeitos estão já detidos.

 

Violência física lidera lista

Durante a semana de 18 a 24 Novembro, o INAC constatou que, das 326 denúncias de violência contra a criança, a maioria dos casos está ligada à violência física e psicológica, com 124 ocorrências, seguidos de fuga à paternidade e disputa de guarda, com 66 casos.

Além dos nove casos de abusos sexuais, Rosalina Domingos avançou que o INAC notificou situações de negligência e abandono de crianças, num total de 12 denúncias.

A porta-voz do INAC considerou Benguela, Bié, Cunene, Luanda, Lunda-Norte e Uíge como as províncias que mais casos registaram.

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