Cultura

Membros da família Tucker recebem bênção em Malanje

Venâncio Victor | Malanje

Jornalista

Os 19 membros da família Tucker, descendentes dos primeiros de escravos angolanos na América do Norte, em 1619, que concluíram domingo, uma visita turística, cultural e espiritual no país, receberam, no mesmo dia, na província de Malanje, uma bênção do soberano do Ndongo, Rei Cambombo, durante um ritual, na comuna de Pungo Andongo.

06/12/2022  Última atualização 06H00
Turistas norte-americanos participaram em ritual tradicional © Fotografia por: Venâncio Victor | Edições Novembro | Malanje
A sua majestade Buba Nvula Dala Mana (Rei Cabombo) colocou sobre as mãos e na face de cada um dos  integrantes da delegação da família Tucker um pó, que simboliza o poder tradicional e que contribui para a protecção dos descendentes dos turistas.

Na comuna de Pungo Andongo, os descendentes da família Tucker foram recebida não só pelo rei Cabombo, como também por outros sobas, autoridades administrativas e população em geral, ao som do batuque e da marimba, nas terras de Calandula, tendo deixado impressionados os turistas.

Os descendentes de William Tucker decidiram visitar o Pungo Andongo por ser uma região de veneração histórica onde os primeiros escravos angolanos eram levados para América, através do corredor Kwanza e que serviu de bastião dos soberanos do Ndongo, Ngola Kiluanje e Rainha Njinga Mbande, que deixou no local a sensação das suas pegadas, após ter recuado do combate travado em Massangano com os dominadores coloniais, no ano de 1624, conforme reza a história.

Dos 19 descendentes da família Tucker, de visita ao país, estiveram presentes duas gerações, sendo a mais nova com a idade até 29 anos e a geração mais velha com 83 anos.

Entre os integrantes da comitiva, a matriarca Catherine Howard, 82 anos, disse que foi uma honra reunir com o rei Cabombo, porquanto as suas orações foram respondidas, acrescentado que a idade que possui é resultado das suas orações e daquilo que já ouvia sobre os nossos antepassados na altura que vivia na Carolina do Norte.

"Estou mesmo bem abençoada é basicamente o que a minha mãe sempre dizia que nós somos abençoados desde a base, eu e a minha família”, disse.

 

Raízes ancestrais de Malanje

Já a descendeste Wandar Tucker, que se encontra de visita, pela terceira vez, em Angola, no regresso às raízes, disse ser uma honra receber a bênção do rei, tendo em conta que ele representa os seus ancestrais que não puderam estar representados fisicamente, mas estão em forma espiritual.

O director executivo da Câmara de Comercio Angola-EUA, Neil Breslin, disse que relativamente à presença angolana nos Estados Unidos, consta que, no mês de Agosto de 1619, viria a chegar um barco designado White Lion, com os antepassados de William Tucker e eram descendentes de Angola, mas concretamente da província de Malanje, de acordo com pesquisas feitas.

Neil Breslin  sublinhou que isso significa que esta família representa 403 anos de presença angolana nos Estados Unidos e que constitui, praticamente, a primeira família angolana americana.

Acentuou que para além de ser simbolicamente  muito forte, em termos de números, estima-se no mínimo, a existência de 12 milhões de norte-americanos desta família.

Origem e sangue angolano

Para o presidente da Câmara de Comércio Angola-EUA, o símbolo e a presença massiva desta família representa a possibilidade de convidar todas as pessoas que têm origem e sangue angolano que poderiam regressar e conhecer no país, procurando parcerias e investimentos, mas não só aqui, mas também no outro lado do Atlântico.

Neil Breslin explicou que foram feitos alguns estudos para a descoberta de alguns familiares de descendentes da família Tucker e confirmou-se serem da região de Malanje. "dentes da família Tucker, não haverá nenhuma dúvida que são verdadeiramente de Angola, em particular de Malanje”.

A visita da família Tucker culminou na pousada das Quedas de Calandula, com os integrantes da comitiva ficado encantados pelo seu potencial turístico, tendo em contar ser a quarta vez que visitam Angola e prometem regressar em breve com uma delegação de 120 pessoas da família de William Tucker, nascido em 1624 e o primeiro afro-americano registado e baptizado nos Estados Unidos.

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