Economia

Meios aéreos no combate à praga de gafanhotos

Nicolau Vasco|Menongue

Jornalista

O secretário de Estado para a Agricultura e Pescas anunciou, quarta-feira, em Menongue, estar iminente o emprego de meios aéreos no combate à praga de gafanhotos que afecta os municípios de Mavinga, Rivungo, Dirico, Calai e Cuangar, no Cuando Cubango, para evitar o alastramento a regiões da Zâmbia e Namíbia.

20/11/2020  Última atualização 14H40
Praga ameaça culturas agrícolas estimadas, este ano, em cerca de 170 mil toneladas © Fotografia por: Nicolau Vasco| Edições Novembro
João Cunha, que chefiou uma equipa técnica de avaliação, notou que a movimentação da praga é constante e que as viaturas Land-Cruiser utilizadas nas operações de combate, apesar de terem tracção integral (4X4), não se adaptam, devido aos inúmeros obstáculos naturais ao longo dos quase 200 mil quilómetros quadrados de extensão do Cuando Cubango.

"Apesar de a província já ter recebido meios técnicos e viaturas propícias para este tipo de intervenção, os obstáculos e a mobilidade constante dos gafanhotos, os meios terrestres são insuficientes para garantir uma operação que resulte na eliminação rápida dos insectos, pelo que se aconselha o uso de meios aéreos, para se evitar que se alastre para regiões da Zâmbia ou da Namíbia”, disse.

O secretário de Estado revelou que a proposta dos meios aéreos será apresentada no seu regresso a Luanda ao ministro da Agricultura e Pescas, António Assis, como forma de se encontrar a melhor via para o combate à praga de gafanhotos que ameaça o esforço do Governo Provincial centrados na produção agrícola à escala nacional.Uma equipa técnica do Ministério da Agricultura e Pescas inicia, esta semana, a formação de oito funcionários locais que vão trabalhar com os equipamentos terrestres nos distintos municípios afectados pela praga, enquanto se estuda a possibilidade do uso de meios aéreos.

 O secretário de Estado explicou que os meios técnicos fornecidos à província requerem algum conhecimento e prática de manuseio, para que se possa fazer um combate cerrado a este tipo de praga, sem afectar as culturas dos camponeses ou provocar qualquer tipo de desequilíbrio ecológico das zonas afectadas.Realçou que o processo de formação está a ser feito em coordenação com o Governo Provincial do Cuando Cubango para que as equipas, que serão desdobradas em três frentes, possam entrar em operação o mais rápido possível, salvar as culturas dos camponeses e evitar que haja fome na província.
Previsões de produção

A produção agrícola do Cuando Cubango na Campanha Agrícola 2020-2021, que vai deste ao mês de Maio, está estimada em cerca de 170 mil toneladas de cereais, tubérculos, hortícolas e leguminosas, para o que foram preparados 141.300 hectares, anunciou, quarta-feira, no município do Cuchi, o director provincial da Agricultura e Pescas.

António Vicente, que ao lado do governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, participou no acto de lançamento da Campanha Agrícola de 2020/2021, realizado no Pólo Comunitário da aldeia do Tchilandangombe, disse que 68.558 famílias camponesas beneficiaram até ao momento de cerca de 106 toneladas de sementes. A nossa reportagem presenciou a entrega, por representantes institucionais a produtores da província, de sementes, fertilizantes, enxadas e catanas, além de três motorizadas de marca Yamaha para apoiar os técnicos agrónomos na supervisão do cultivo nas comunidades.

O director provincial da Agricultura e Pescas afirmou estarem disponíveis 142 toneladas de fertilizantes compostos, 17,5 toneladas de sulfato de amónio, 15 toneladas de ureia, 25 toneladas de calcário dolomítico,  2.500 enxadas europeias e dez litros de insecticida para apoio aos camponeses da província, onde estão activos oito pólos comunitários e três agrícolas para a produção em grande escala nos municípios de Menongue, Cuchi, Cuito Cuanavale e Mavinga.

O governador do Cuando Cubango referiu que a produção agrícola é uma grande aposta do Executivo e das autoridades locais, porque leva ao aumento do poder de compra e à valorização do salário. Segundo Júlio Bessa, antes, os camponeses não conseguiam produzir em grande escala por falta de incentivos e apoios, situação que está a mudar diante da grande aposta do Executivo na implementação de programas de combate à fome e à pobreza baseados na produção agrícola. O Governo Provincial, anunciou, projecta criar pólos agrícolas de pelo menos 100 hectares nas 32 comunas do Cuando Cubango, com o objectivo de matar a fome e dar emprego à população.

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