A China, onde tudo começou no final de 2019, aplicou a partir de meados de Janeiro medidas inéditas para conter a epidemia: fechou cidades e isolou mais de 50 milhões dos seus cidadãos e construiu dois hospitais em duas semanas. A OMS diz que surtiu efeito. Resta saber como vai ser no resto do mundo. O artigo é do Jornal Diário de Notícias
As medidas de excepção que as autoridades chinesas impuseram no país a partir da segunda metade de Janeiro, para tentar conter a epidemia provocada pelo novo coronavírus, isolando várias cidades e mais de 50 milhões de habitantes, conseguiram inverter a escalada do covid-19. É a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) que o atesta sem equívocos no seu relatório do final de Fevereiro, no qual relata os resultados da sua missão à China, na sequência da epidemia.
O vírus já tinha entretanto escapado do seu epicentro inicial, a cidade de Wuhan, para outras regiões da Ásia e para o resto do mundo. Inverteram-se agora as tendências. Enquanto a China reporta sistematicamente, desde há duas ou três semanas, números diários cada vez mais baixos de novos doentes - foram apenas 22 na sexta-feira -, o resto do mundo, e sobretudo a Europa, está mergulhado numa luta sem precedentes para travar a pandemia, com medidas inéditas em países democráticos em tempos de paz.
É o caso da quarentena decretada pelo Governo da Itália em todo o seu território, no que pode ser, talvez, uma antevisão do que aí vem para outros países do mundo. Resta saber se o aparente sucesso das medidas de força tomadas na China pode ser replicado - e de que forma - nos países ocidentais de tradição democrática.
Na Itália, onde as autoridades de saúde não conseguiram travar logo no início a progressão da epidemia, os números tornaram-se rapidamente alarmantes e não há ainda efeitos visíveis da decisão extrema do Governo de Giuseppe Conte, de fechar tudo no país, à excepção das farmácias, dos supermercados e dos bancos.
Com mais de 15 mil pessoas infectadas, das quais já morreram mais de mil (há outras 1.153 em estado grave ou crítico), a Itália é agora o país do mundo com a situação mais grave, seguido do Irão, com 11.364 casos (só na sexta-feira registou mais 1.289) e da Coreia do Sul, com um total de 7.979 doentes. Neste último, no entanto, o número de novos casos diários já está a baixar.
A Coreia do Sul chegou a ser o principal foco da epidemia de covid-19, logo a seguir à China. Mas, no dia 13 de Março, o número de pacientes curados superou, pela primeira vez, o dos novos casos. Motivo: medidas expeditas de contenção da doença, sem necessidade de fechar tudo. Em vez disso, as autoridades têm estado a aplicar centenas de milhares de testes de diagnóstico à população e a seguir sistematicamente as cadeias de transmissão através de telemóveis e tecnologias via satélite, aplicando uma rigorosa quarentena a alguns milhares de pessoas. Parece estar a resultar.
Já na Europa, as coisas estão a complicar-se, não apenas na Itália, mas também noutros países, com números crescentes de novos casos diários, como acontece, por exemplo, em Espanha, o que levou a OMS a declarar que a Europa se tornou agora o epicentro da epidemia.
Muito contagioso
O SARS-CoV-2 é o terceiro coronavírus a infectar humanos desde o início do milénio. Não é o mais mortal, mas é sem dúvida o mais contagioso, e não deixa de ter uma taxa de mortalidade preocupante de 3,4%, segundo a OMS. É por causa disso que está a mudar por completo o nosso dia-a-dia.
O primeiro coronavírus a saltar a barreira de espécies neste milénio foi o agora designado Sars-cov-1. Em 2002, emergiu também na China, a partir de morcegos, via civeta (uma espécie de gato selvagem), e até ao início de 2004 infectou 8096 pessoas, delas 774 morreram - a sua taxa de mortalidade era de 9,6%.
Na década seguinte, em 2012, surgiu o MERS, outro coronavírus com origem em morcegos, que emergiu no Médio Oriente, através de outro mamífero: o camelo. Este é muito menos contagioso, mas muito mais mortal: infectou até hoje 2.494 pessoas, causando 858 mortes, no que é uma taxa de mortalidade de 34,4%.
Cada um deles desencadeou uma corrida ao desenvolvimento de vacinas e medicamentos, que, terminados os surtos, esmoreceram sem ter dado origem a esses fármacos. Dada as semelhanças genéticas em cerca de 80% entre o Sars-coV-1 e o novo coronavírus, teria sido possível estar agora mais perto de uma vacina, se aquele trabalho não tivesse sido interrompido, consideram os especialistas. E essa é, sem dúvida, uma das lições a tirar para o futuro.
Três maneiras de evitar o pânico criado pelas notícias falsas
Nos últimos dias, a investigação do Diário de Notícias e o laboratório de Média de um instituto português detectaram um grande número de notícias falsas sobre o coronavírus a circular pelo WhatsApp. Embora a situação reflicta o contexto de Portugal, pode estar a acontecer em muitos outros países. Nestas informações falsas, postas a circular maioritariamente através de ficheiros áudio, destacam-se três tipos de notícias que pretendem criar um alarme social acrescido: já há várias mortes que estão a ser "encobertas" pelas autoridades; vai ser decretada quarentena por todo o país, com o fecho dos estabelecimentos comerciais e falta de mantimentos; as autoridades têm conhecimento de um número muito maior de infectados do que o divulgado à imprensa.
A investigação mostra que "estas narrativas falsas são na sua maioria validadas através da introdução de figuras de destaque na sociedade como fontes da informação desconhecida do público: médicos, dirigentes ou funcionários hospitalares.
Assim, a investigação propõe três sugestões para que estas campanhas de medo nas redes sociais não apanhem ninguém desprevenido.
1 - Desconfie
Mesmo que a gravação de voz, ou um "testemunho" qualquer, que chegou ao seu telemóvel pareça genuína (a voz, a entoação, os termos que usa) e o que diz pareça sério, há sempre várias perguntas que devemos fazer. Como é que sei que aquela pessoa é, de facto, uma médica? Como posso confirmar que aquilo é verdade? Se não conseguir responder a nenhuma destas perguntas, desconfie. Sempre que ouvir, numa dessas mensagens, que "a informação não está a passar" porque estão a censurar as más notícias, duvide. As más notícias costumam ser rápidas, seja qual for o desejo de quem as quer censurar.
2 - Procure fontes oficiais, nunca anónimas
Num caso de saúde pública, não podemos confiar em pessoas que não conhecemos e que nunca poderemos identificar. Se alguém nos disser, numa mensagem de voz no WhatsApp, que pode curar o covid-19 com um produto qualquer que essa pessoa inventou, não arriscaremos a nossa vida nessa experiência. O mesmo cuidado devemos ter com outras mensagens desse tipo. Há dezenas de fontes identificáveis oficiais (a começar pelos hospitais), informativas (jornais, TV, rádios e sites informativos onde trabalham jornalistas) ou académicas.
3 - Não alimente as mentiras
A preocupação e a ansiedade são naturais durante uma crise de saúde, que obriga milhões de pessoas no mundo a limitar os seus contactos sociais e os seus movimentos. Mas alimentar uma rede escondida de fabricadores de mentiras (seja por diversão, interesse político ou financeiro) não ajuda ninguém. Replicar estas mensagens alarmistas e falsas não tem outro efeito senão lançar o pânico e alimentar o medo. É isso que gera problemas ainda maiores... Se não enviar essa mensagem a mais ninguém, a cadeia quebra-se.
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