Cultura

“Margens e Travessias” de Boaventura Cardoso

“Era uma vez um barqueiro que era só barqueiro. Atravessar diariamente o Chiloango era o que ele fazia desde há muitos anos, ainda na flor-moça da vida.

12/09/2021  Última atualização 05H00
© Fotografia por: DR
Na sua canoa levava sempre alguma carga — peixe-fumado, carne de macaco, mandioca, batata e ginguba — e pessoas que tinham necessidade de ir à outra margem do rio. Durante a travessia olhava aquelas águas muitas, sempre atento aos jacarés que podiam surgir de um momento para o outro.

Caso lhe aparecessem no seu caminho navegável, sabia como lhes neutralizar ou lhes fintar. Tinha uma velha zagaia para o caso de ataque isolado de um daqueles répteis; para casos extremos, tinha uma pistola mauser bem escondida sob a carga. Ninguém sequer desconfiava que Manimaza tivesse uma arma escondida. Naquele tempo era impensável um negro ser portador de arma; seria o bastante para ser acusado de terrorista, preso e deportado para São Nicolau.

Certo dia vieram de Luanda três jovens a quem dei guarida por uma semana, após terem dito a senha em vigor. Eram estudantes universitários; queriam chegar a Brazaville; estavam desprovidos de dinheiro. Fomos conversando sobre a situação política e militar do país; fomos ganhando confiança entre nós; um deles tinha uma pistola de que se queria desembaraçar; como estava nas lonas, dei por ela apenas cem escudos.

Pensei muito no perigo que respresentava ter comigo uma arma. Mas para quê eu precisava de ter uma pistola? Não era eu um homem de total-paz? Um simples barqueiro? Pois que era. Mas quem pode advinhar o futuro? Talvez um dia eu tenha que me defender; os inimigos andam por todo o lado. Assim, com todos os cuidados, noite cerrada, enterrei a pistola num lugar distante; primeiro, untei-a com bastante óleo, depois lhe enfiei num velho saco de serapilheira igualmente oleado. Só passados cerca de três anos, seguro de que ninguém sabia daquela compra, é que eu a desenterrei.

Manimaza trocava habitualmente algumas palavras com seus passageiros. Assim sabia mais ou menos o motivo da travessia: pequenos negócios, visita a familiares, óbitos e simples passeio. Ouvia atentamente o que lhe contavam, nunca dando a impressão de enfado, pois algumas estórias eram sempre as mesmas. Às vezes cantarolava; eram cânticos religiosos muito conhecidos; por isso, os passageiros lhe acompanhavam só naquele navegar musical. Algumas vezes era a tristeza que lhe ensombrava todo; quando transportava defuntos, era só choramingar com os familiares que acompanhavam o morto.

Uma vez transportava uma criança que ardia em febres; os pais buscavam aflitos os cuidados de um kimbanda do outro lado da margem, lá em Mboma Nhyade. Manimaza remou com todas suas forças para que a criança chegasse ainda com vida. Em vão: a criança não se aguentara. O barqueiro sentiu remorsos; culpava-se por não ter conseguido ajudar aquela criança a salvar-se. Desde então passou a pensar seriamente em um dia adquirir, mesmo em segunda mão, um motor para o adaptar à piroga. Um dia realizaria esse sonho.

Camarada Presidente, esta vela sempre acesa; de joelhos, os olhos vermelhos de só lagrimar, peço-te clemência pelo meu filho, Camarada Presidente. Todos os dias, invariavelmente, partindo de Panga-Mongo onde morava ou de Tando-Makuku, atirava no rio um pouco dos mantimentos que trazia e se deleitava a ver os peixes se banquetearem. Fazia esse gesto como veneração à Kianda, a Senhora das Águas.

A ela devia sua segurança, pedia protecção para si e para os passageiros; a ela e à Nossa Senhora de Chiloango pedia derramasse muitas bênçãos. Tinha a certeza absoluta que a Kianda e a Santa se entendiam bem, estavam em constante diálogo para o bem de todos, sobretudo dos pescadores e barqueiros. No seu íntimo ser tinha também a convicção arreigada de que a Kianda e Nossa Senhora do Chiloango eram a mesma entidade; que as manifestações da Kianda eram sinais da presença de Nossa Senhora do Chiloango. Assim também consideravam os pescadores (estes, embora usassem pequenas canoas, nunca se aventuravam a atravessar o Chiloango) e as populações reibeirinhas.

Em cada dia atravessava o rio Chiloango sete vezes, de manhã e de tarde; às vezes tinha de ir primeiro a Beira Nova para depois então rumar para Mboma Nhayde. Recusava-se a fazer a travessia durante a noite; era muito arriscado. Ao fim de cada jornada estava extenuado; comia ao jantar e atirava-se para a cama. Pela manhã, se preparava, tomava uma caneca de chá com ginguba e mandioca e pouco depois se fazia ao Chiloango, ainda brumosa manhã com muitos passarinhos chilreando.

E, a uma certa distância, via mergulhões na superfície das águas em mergulhos rápidos que depois repartiam com suas presas nos bicos. Era uma vez um barqueiro que era só barqueiro. Quando o barco-patrulha passava, se saudavam amistosamente. Já lhe conheciam fazia tempo; não havia como desconfiar do barqueiro que era só um preto-barqueiro. Fuzileiros da Marinha lhe viam regularmente nas travessias do Chiloango, era um simples homem do povo, pobre, provavelmente analfabeto. Não lhes passava sequer pela cabeça que aquele barqueiro preto era mais que um simples barqueiro. Sinto-me envelhecer… a neve a cair nos meus cabelos… esta mão sempre trémula… o coração a fraquejar… aquela sextafeira… vinte e sete… vinte e sete…
Mãe, mãe…mâ Catita, mâ Catita…

O barqueiro transportava nuvens e sonhos, atravessava o rio da vida e remava até na margem. Aqui deixava recados e mensagens do outro lado, confortava pessoas e garantia que um dia o sol brilharia mais intensamente para todos; que as sombras seriam iluminadas; que as crianças nasceriam sorridentes e felizes; que os trabalhadores, com a sua força, transformariam as terras em campos férteis. Todos os dias fazia os mesmos gestos sem se fartar; sabia que procedendo assim plantava madrugadas na negrura da vida. Navegando, o barqueiro também amaciava o tempo para não se enrugar, lhe entretia pois sabia que ele era longo, ora bem-avindo e benquisto, ora bem-cheiroso-benjasmim, ora travesso e pacóvio.

O barqueiro carregava palavras e frases virgens, que só depois de ditas e feita a travessia com ele é que ganhariam sentido. Eram como ovos frescos que ele, a quem lhe perguntasse, diria que não sabia o que continham dentro. Para além disso não sentia o peso do que transportava de margem a margem. Só sabia da leveza do que levava todos os dias; nem o peso dos anos ele sentia.

Quando remava, remexia memórias, pensamentos, e via os peixes se abeirando dele; queriam saber da sua vida, porque é que estava sempre naquelas travessias; e o barqueiro lhes dizia que só assim, indo e vindo para e das margens, é que ele conseguia viver; e lhes perguntava, então, se eles, mesmo sendo peixes, podiam viver sem o movimento de uma margem para outra; que ele, um dia, quando deixasse de atravessar o rio, se lagoaria e iria se secando, secando, e se transformaria em terra árida.

Quando remava, remexia memórias e pensamentos, e vinham os passarinhos lhe rodopiando na cabeça; queriam saber das travessias; do ir e vir na vida; que eles também andavam de margem em margem mas era só da sua simples natureza; só andando nos ares é que eles se sentiam em vida. Que o andar dele era só nas a-travessias, margem-a-margem.

Quando remava, remexendo memórias e pensamentos, via cair do céu querubins, serafins, tronos, anjos e arcanjos, vestidos de branco, que com suas trombetas e clarins tocavam para ele uma música suave que lhe fazia bem ao coração. E, tocando e voando, enchiam de branco resplandencente todo o céu que cobria o Chiloango.
Quando remava, remexendo nuvens e sonhos, memórias e pensamentos, guardando dentro de si mensagens e recados para a outra margem, viu passar perto dele um barqueiro que lhe interpelou assim:

— Quem és tu? O que é que andas aqui a fazer todos os dias?!
Desconfiado, Manimaza não respondeu logo. Pensou no perigo que seria revelar o que andava ali a fazer. O outro barqueiro parecia ser muito mais velho que ele; alto e esguio, tinha a cara cheia de rugas, cabelo branco e longa barba também branca; três dentes de ferro; os dedos das mãos cheios de anéis; trajava uma túnica em caqui com as mangas muito largas e compridas que as trazia dobradas nas pontas; quando movimentasse os braços soltava-se-lhe um tilintar de sinetas que ecoavam por longos três minutos. Depois de uns segundos, respondeu:

— Sou Manimaza, o Senhor das Águas! Ando de margem em margem em busca da vida…
— O que é que tu levas que eu não consigo ver? — Perguntou o barqueiro desconhecido.
— Eu já te vou responder. Mas antes quero que me digas quem tu és e o que levas também que eu não consigo vislumbrar?
— Sou Caronte… levo almas! — Falou o estranho barqueiro numa voz rouca e cavernosa.
— Almas?! — perguntou Manimaza muito assustado.

— Sim, almas. Almas de mortos! E tu, o que levas que eu não consigo ver? — Entretanto, sete garças se abeiraram da barcaça de Caronte, esvoaçaram e pousaram numa das pontas. Manimaza lhes olhou só com muito espanto.
— Mensagens e recados! — Respondeu Manimaza, ainda assustado.
— E o que é que ganhas com isso? É assim que ganhas a vida?

Manimaza interregou-se sobre o motivo daquela conversa com um estranho. Como é que ele diz que me vê sempre passar por aqui se eu nunca o vi? Não seria o tal Caronte, às vezes, um invisível ser ou um disfarçado agente da PIDE? Não estaria ali a perder o seu tempo? Fez menção de não responder à pergunta que lhe fora feita e predispôs-se a seguir a travessia do rio. Mas o estranho barqueiro impediu-o; me travou com sua barcaça, as águas se enrodilhando em ondas; as sinetas do barqueiro chocalharam; as duas embarcações se adernaram. As sete garças levantaram levemente suas patas e voltaram a poisar. Caronte queria mesmo conversar com Manimaza. Este, então, a contragosto, respondeu:

— É assim mesmo que ganho a vida. Em troca, recebo sonhos e esperanças.
Caronte se riu. De repente, sua cara profundamente enrugada se iluminou; o rosto da cor do fogo, os olhos cintilantes eram duas bolas ardentes. Manimaza se assustou ao ver a cara medonha do barqueiro; se pudesse, desandava dali imediatamente. E Caronte disse:

 — Eu ganho a minha vida transportando almas. Os mortos pagam-me antecipadamente para atravessar o rio.
Manimaza reparou ainda que, quando falasse, a boca de Caronte chispava fagulhas. Me perguntei se estava mesmo a ver bem.
— E para onde levas essas almas? — Perguntou muito curioso Manimaza.
— Para o Inferno! Quem não pagar, a alma dele fica por aí a penar nas florestas. O Mayombe está cheio delas… — disse Caronte com ar misterioso e ameaçador, se preparando para ir-se embora dali.
— Para o Inferno?! Almas no Mayombe… ?!

— Pois é, meu velho. Agora vou andando, que tempo é dinheiro. Ainda tenho muitas almas para transportar hoje. Até breve, meu amigo. — Quando se aprestava a retomar o seu caminho, deteve-se e disse ainda: — lá no Inferno para onde vou há também muitas mensagens e recados. Mensagens e recados a arderem! Ouviste bem?! — Os olhos esbugalhados-vermelhos.

Manimaza abriu a boca de espanto com o que acabara de ouvir. Eu que conhecia bem aquelas terras, nunca tinha ouvido falar que a floresta do Mayombe era refúgio de almas. Ele já lá tinha estado mas nunca vira ou pressentira a presença de nenhuma alma. De qualquer modo, começou a recear qualquer dia se encontrar com tais almas. Institivamente, certificou-se que tinha consigo a pistola. Se um dia me avistasse com uma alma dessas, eu saberia como agir em defesa própria. E confirmou agora que quando Caronte falava sua boca deitava fogo. He! He! He!

— Mas… — Queria perguntar-lhe algo mas, mas o estranho barqueiro não estava disposto a mais conversas; assim, resoluto, foi.
Enquanto via Caronte remando, se indo embora, o repicar das sinetas a ecoar por todos os lados, reparei que a imagem dele de repente se transformara numa grossa chama ardente, e a paisagem verdejante que antes lhe rodeava ardia toda de vermelho-fogo! As sete garças voaram para longe. Manimaza concluiu que, afinal, o Inferno ficava ali pertinho. É preciso agarrar já estes assassinos… Deus meu…

Fiquei dias e dias a pensar naquela estranha conversa. No Inferno havia muitas mensagens e recados a arder! Eh! Eh! Eh! Esta passagem ressoava dentro de mim. Qual era, afinal, a utilidade do meu trabalho se tudo ia para o Inferno? Tantas travessias em levando mensagens e recados para quê? Afinal quem as recebia e lia depois lhes botava no fogo a arder? Esse quem não era mesmo Caronte, o sabedor de tudo? Nessa noite observou bem todas as estrelas do céu e viu o Inferno nos seus infernais fogos. De quem eu gosto nem às paredes confesso se o senhor não tá lembrado dá licença de contar quatro paredes caiadas um cheiro à alecrim dois braços à minha espera uma casa portuguesa com certeza ó malhão malhão que vida é a tua comer e beber ai tirim-tim-tim saudosa maloca maloca querida donde nóis passemos os dias feliz de nossa vida óóóóó taleno ngo óóóó se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa ó mona ami mona ami

Manimaza tinha contactos secretos com os guerrilheiros da Segunda Região Político-Militar. Ele que lhes levava informações sobre o Inimigo; trazia cartas de guerrilheiros para seus familiares; levava para outra margem jovens que chegavam de Luanda e de outras partes e que tinham como destinatários únicos os camaradas da Segunda Região. Manimaza tinha prestado esse serviço a dezenas de jovens. Estes, quando chegavam a Kabinda já sabiam quem contactar, que caminhos percorrer a pé e de noite até chegar ao contacto com Manimaza. E eles para serem bem recebidos pelo barqueiro tinham de se identificar por uma senha, um código.

Certa vez lhe apareceu um grupo de cinco jovens que queriam os seus serviços, mas como se enganaram na senha em uso na ocasião, não foram atendidos. Manimaza lhes disse que não entendia por que motivos tinham ido ter com ele, que ele era um simples barqueiro, que não estava ali para fazer política, que era pela ordem pública instituída, que não queria nada com os terroristas. Foi a sorte dele. Soube mais tarde que aqueles jovens estavam, afinal, ao serviço da PIDE, que alguns cipaios tinham dito às autoridades que desconfiavam do barqueiro, que já tinham tentado, sem sucesso, se aproximar dele; que Manimaza era um homem de poucas falas, muito discreto, uma silenciosa pedra, por isso difícil de se saber o que ele pensava.

Dos jovens que transportava para o Zaïre, sabia que nem todos tinham a sorte de alcançar o território do Congo-Brazaville 156 para se juntarem à guerrilha dirigida pelo MPLA. Postos no Zaïre, tinham de enfrentar as autoridades locais que já sabiam qual era o destino que a maioria dos jovens buscava. Uns eram presos e torturados, outros se safavam a troco de dinheiro.

Por isso, passei a dar alguns conselhos aos jovens antes da travessia; lhes ensinava algumas expressões em lingala; lhes indicava os caminhos que deviam evitar, bem como os nomes das sanzalas mais temidas. Lhes pedia que quando chegassem ao destino me dessem alguma informação através do programa radiofónico Angola Combatente. E eu lhes dizia as palavras ou as expressões que deviam de ser ditas. Assim: «Mãe e bebé estão bem de saúde»; «Tem banana madura no cacho»; «Zacarias-ZeferinoZebedeu» ou «Xico-Zé malhou no ferro». Mudava sempre o código das mensagens, não fossem lhe descobrir.

A operação mais difícil e perigosa que, pelo menos três vezes, lhe fora confiada: o transporte de armas! Tinha de ser uma a uma. As armas foram sendo passadas embrulhadas em sacos de serapilheira. Aceitara essa difícil missão na condição de interagir com apenas duas pessoas, uma do lado de cá e outra do lado de lá. E tudo tinha de ser feito com muita agilidade; não queria por nada deste mundo permanecer com as armas por muito tempo; era chegar e entregar imediatamente ao certo destinatário.

Quando ouvia através do Angola Combatente (sabíamos da heróica proeza e quando, colados ao rádio, ouvimos que eles tinham conseguido desviar o avião da dta, em sessenta e nove, festejámos nossas alegrias em casa de Pêpêjota, a ousadia e a bravura de nossos heróis Diogo, Nelito e Loló) que os guerrilheiros tinham feito este ou aquele ataque, ele se sentia reconfortado; assim, sem deixar de ser um simples barqueiro, dava a sua modesta contribuição à luta de libertação nacional. Foi o que senti quando os guerrilheiros, em 1969, atacaram o aquartelamento das forças armadas portuguesas em Sango Mongo e em 1971, emboscaram a tropa tuga na estrada Caio Guembo — ponte do rio Lombe.

Oito anos são passados… o tempo a corroer o tempo e a memória do tempo… Estará ele a resistir a todo esse tempo…? O sol, a chuva, os animais selvagens, os tiros… Se soubesse ao menos onde ele está, enviava-lhe roupa, agasalhos, medicamentos, alimentos… Mas como saber? Como fazer com tanta vigilância — os olhos e os ouvidos da DISA em todo o lado? Oito longos anos… aquela sexta-feira…
O barqueiro ainda anda por aí, viajando por rios, memórias, brumas, cavernas, ardentes fogos, revisitando o passado para compreender o presente.”


Bio-bibliografia

Boaventura Cardoso, licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, é escritor e diplomata de carreira, tendo sido Secretário de Estado da Cultura, Ministro da Cultura, Ministro da Informação, Governador da Província de Malanje e Embaixador em França, Itália, Malta  e junto aos organismos das Nações Unidas.
Membro-fundador da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras, de que foi o primeiro presidente, é autor dos livros de contos Dizanga dya Muenhu (1977), O Fogo da Fala (1980) e A Morte do Velho Kipacaça (1987) e dos romances O Signo do Fogo (1992), Maio, Mês de Maria (1997), Mãe, Materno Mar (2001) e Noites de Vigília (2012).
Agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2001, é membro honorário da Academia Palmense de Letras e Comendador da Ordem do Mérito Cultural desde 2006.
Actualmente é Deputado à Assembleia Nacional pela Bancada do MPLA. 

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