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Marcas brancas na pele podem ser sinal de infecção

Um estudo espanhol, publicado na revista científica British Journal of Dermatology, revela que há um tipo de erupção cutânea cada vez mais comum.

06/08/2022  Última atualização 06H45
© Fotografia por: DR

Segundo os cientistas, as 'pseudo-pústulas', marcas altas e brancas, que são sólidas e não soltam pus, devem ser consideradas um sintoma da infecção por Monkeypox, adiantou, ontem, o site "Minuto a Minuto”.

"É particularmente importante que os profissionais de Saúde observem a aparência das lesões de pele. A varíola dos macacos normalmente causa pústulas, lesões cheias de pus, mas neste surto, o maior sintoma de pele é, na verdade, a pseudo-pústula, que não contém nenhum pus”, explica o coordenador da Academia Espanhola de Dermatologia, Ignacio García Doval, um dos autores do estudo.

Doval lembra ainda que, apesar de os casos de hospitalização e morte por Monkeypox serem raros, as erupções cutâneas podem deixar cicatrizes e são muito desconfortáveis.

Uma outra investigação liderada por cientistas da Queen Mary University of London dá conta que, apesar de a maioria dos infectados ter desenvolvido sintomas semelhantes aos da gripe e da varicela, alguns também apresentaram lesões genitais e feridas no ânus e na boca – que, até então, não tinham sido relatados.

Tendo em conta a extensão do surto a mais de 70 países, recorde-se, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a varíola dos macacos uma emergência global. Apesar da falta de consenso entre os membros do Comité de Emergência, a decisão foi anunciada a 23 de Julho pelo director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

De acordo com dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal, o país contabiliza 588 casos confirmados de infecção pelo vírus Monkeypox, 73 dos quais notificados na última semana.

 Distinção entre os sintomas   do Monkeypox e da varicela

 Os dois vírus podem causar sintomas que parecem semelhantes, no entanto, são muito diferentes.

É provável que já tenha percebido que o sintoma mais conhecido de Monkeypox, as erupções cutâneas, é muito semelhante ao que se associa, normalmente, com varicela. Tendo isto em conta é necessário saber distinguir, correctamente, os dois vírus.

Tudo o que precisa de saber foi explicado por especialistas em doenças infecciosas à revista, especializada em saúde, Prevention. Os vírus fazem parte da mesma família, característica que justifica a semelhança nos sintomas, no entanto, é importante saber que não são de todo a mesma coisa, explica a publicação.

Segundo Thomas Russo, professor e chefe de Doenças Infecciosas da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, é normal que seja difícil para as pessoas distinguir os dois vírus. "Ambos são infecções virais que causam lesões semelhantes”, diz acrescentando que, até agora, ter dois vírus deste género a circular, ao mesmo tempo, mesmo que em número reduzido, era algo muito raro.

Primeiro é importante perceber que os vírus se manifestam em grupos de pessoas completamente diferentes: a Monkeypox é mais comum entre homens que fazem sexo com homens e a varicela afecta, no geral, crianças. No entanto, existem sempre algumas, mesmo que raras, excepções.

Além disto, apesar de serem muito semelhantes, as erupções cutâneas têm algumas diferenças, explica William Schaffner, especialista em doenças infecciosas e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Vanderbilt.

Então, a varicela, por exemplo, provoca bolhas frágeis e finas que têm, no geral, fluido claro no interior e são mais fáceis de rebentar. Já a Monkeypox causa um "tipo de lesão profunda, firme ou com uma textura semelhante à da borracha”, esclarece. Por isso, acrescenta, é muito diferente da que é provocada pelo outro vírus. O especialista acrescenta que estas lesões podem mudar, ao longo do tempo, ou formar pequenas mossas no centro.

A quantidade de dias com sintomas também é muito diferente entre os dois vírus, ou seja, é possível que as lesões provocadas pelo vírus Monkeypox só desapareçam depois de duas a quatro semanas. Pelo contrário, as da varicela desaparecem, normalmente, em poucos dias.

  O que fazer se apresentar sintomas

A DGS recomenda que quem apresente lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, procure aconselhamento médico e evite o contacto próximo com os outros. É ainda recomendada a higienização das mãos com regularidade.

O vírus Monkeypox foi descoberto, pela primeira vez, em 1958 quando dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em colónias de macacos mantidos para investigação, refere o portal do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

O primeiro caso humano de infecção foi registado em 1970 na República Democrática do Congo, durante um período de esforços redobrados para erradicar a varíola. Desde então, vários países da África Central e Ocidental reportaram casos.

Apesar de a doença não requerer uma terapêutica específica, a vacina contra a varíola, antivirais e a imunoglobulina vaccinia podem ser usados como prevenção e tratamento. O tempo de incubação é, geralmente, de sete a 14 dias, e a doença, endémica na África Ocidental e Central, dura, em média, duas a quatro semanas.

Monkeypox pode provocar problemas de visão

Os primeiros sintomas da infecção por Monkeypox são tão discretos que podem facilmente ser menosprezados. No entanto, alguns investigadores associam a doença a problemas de visão e inflamação cerebral, conhecida como encefalite, sobretudo em grupos de risco e crianças.

Em entrevista, à Folha de S. Paulo, a virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e  assessora da Organização Mundial da Saúde, indicou que "de todas as sequelas da varíola dos macacos”, a conjuntivite "talvez seja a mais comum”.

Esta  inflamação da mucosa que reveste a face interna das pálpebras e a esclerótica do olho esteve presente em 23% dos pacientes identificados em surtos entre 2010 e 2013 no Congo. Os casos de conjuntivite foram ainda mais frequentes em crianças com menos de 10 anos que apresentavam dor de garganta, náuseas e sensibilidade à luz.

Esta condição, por sua vez, aumenta o risco de cicatrizes que podem levar à perda de visão. Um estudo que analisou cerca de 330 doentes, entre 1981 e 1986, na actual região do Congo, revela que pessoas infectadas por animais ficaram com sequelas mais graves do que aquelas contaminadas por outros humanos.

Outra complicação associada à Monkeypox em estudos feitos no passado é a encefalite, que consiste numa irritação e inchaço do cérebro, quase sempre causada por uma infecção. Febre não muito elevada, cefaleias moderadas, fadiga e perda de apetite são alguns dos sintomas mais comuns.

Trata-se de uma condição rara, mais comum no primeiro ano de vida. Porém, as formas mais graves ocorrem em jovens e idosos.

Recorde-se que, tendo em conta a extensão do surto a mais de 70 países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a varíola dos macacos uma emergência global. Apesar da falta de consenso entre os membros do Comité de Emergência, a decisão foi anunciada a 23 de Julho, pelo director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

EUA declaram Emergência Sanitária Nacional


O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) declarou Emergência Sanitária Nacional, pelo surto de Monkeypox que existe no país, depois de se terem registado milhares de contágios, mas sem mortes.

"Estamos preparados para levar a nossa resposta ao nível seguinte”, disse, na quinta-feira, o secretário da Saúde dos EUA, Xavier Becerra, durante um encontro virtual com jornalistas.

A declaração vai permitir às agências nacionais aceder a fundos de emergência e facilitar a gestão de vacinas e tratamentos da doença.

Vai, também, impulsionar as tarefas de consciencialização e informação que, segundo as autoridades, são essenciais para conter os contágios.

No início desta semana, a Casa Branca anunciou a criação de um grupo de trabalho, perante a propagação da varíola do macaco, depois de ser criticada por lentidão na resposta, em particular na compra de vacinas e tratamentos.

Na semana passada, as autoridades sanitárias anunciaram que mais de um milhão de vacinas seriam colocadas à disposição dos Estados nos próximos dias, das quais já foram distribuídas 600 mil, detalhou Becerra.

Os EUA registam mais de 6.500 contágios, depois de 4.600 na semana passada.

A Organização Mundial da Saúde decretou há duas semanas Emergência Sanitária Internacional pelo surto, depois de terem sido detectados mais de 16 mil casos, em 75 Estados, e algumas mortes.

 

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