Cultura

Manuel Rui "recitado" no 80º aniversário

Geraldo Quiala

Jornalista

O escritor Manuel Rui completará a 4 de Novembro 80 anos de idade e para assinalar o momento estão agendadas homenagens, destacando-se recitais de poesia em escolas públicas e privadas primárias e do I Ciclo de Luanda, além de mesas-redondas, soube este domingo (31) o Jornal de Angola.

31/10/2021  Última atualização 16H18
Poeta, contista, ensaísta, crítico, comemora 80 anos de vida quinta-feira (4) © Fotografia por: DR

Segundo o programa, a Mayamba Editora, em parceria com a União dos Escritores Angolanos (UEA), Faculdade de Humanidades da UAN e Gabinete Provincial da Educação de Luanda, prevê em alusão ao 80º aniversário do autor de poesia, contos, romances e obras para o teatro lançamento (dia 3) dos livros infanto-juvenis A Boneca de Trapos; A Alegria e a Girafa, a ter lugar na Escola 1002 da Samba (Luanda).

Para 4 de Novembro (quinta-feira), estão agendados mesa-redonda sobre "Manuel Rui – Vida e Obra”, lançamento de ensaios de Luís Gaivão, intitulados Manuel Rui: Obra, Escritor, Pensamento; O Sul Descolonial na Obra de Manuel Rui, a realizar-se na Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto (UAN).

Sexta-feira (5), a organização apresentará em honra ao autor de muitos trabalhos de ironia, comédia e humor sobre factos ocorridos após a independência de Angola mais duas obras literárias na União dos Escritores: Tio Jorge e Outros Quês; e O Benguelense Boxeur.

No dia de aniversário do homenageado serão discutidos temas como "Por uma Dialéctica do Amor: a poesia de Manuel Rui”, "A estética em Manuel Rui”, "Manuel Rui na linha do tempo da recente história angolana”, "Breve leitura do Eco de Quem Me Dera Ser Onda”, "Manuel Rui e a Ficção. Uma abordagem estético-literária da obra A Acácia e os Pássaros”, "Dimensão social e problemática cultural em Manuel Rui”.

Na mesma jornada de estreia, a organização prevê analisar "Manuel Rui e os Lugares do Sul”, "Manuel Rui – o nascimento da Constituição e os símbolos da República”, "Comunicação de Manuel Rui (texto lido há 20 anos na Universidade de La Sapienza – Itália)”, além do lançamento dos dois livros de Luís Gaivão, do Centro de Estudos Sociais de Coimbra.

Há igualmente a cerimónia de lançamento de duas obras inéditas de ficção de Manuel Rui (romance O Benguelense Boxeur; contos Tio Jorge e Outros Quês), apresentação do documentário O Içar da Bandeira – uma homenagem a Agostinho Neto. Antes do encerramento, reserva-se um período de depoimentos de confrades das letras, estudiosos da sua obra, leitores e amigos presenciais/por vídeoconferência e sessão de autógrafos na UEA.

Percurso do homenageado

No plano académico, foi director da Faculdade de Letras do Lubango (actual Universidade Mandume ya Ndemufayo) e do Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla. Publicou 23 obras, sendo duas adaptadas ao teatro, uma das quais (O Espantalho) inspirada na tradição oral e representada por trabalhadores da construção civil da cidade do Lubango em 1973, e a outra (Meninos do Huambo) de 1985.

Membro fundador da União dos Artistas e Compositores Angolanos, da UEA e da Sociedade de Autores Angolanos, é o autor do Hino Nacional, versão angolana da Internacional, Hino da Alfabetização, bem como de outros poemas que integram o cancioneiro do país. Poeta, contista, ensaísta, crítico, escreve com frequência comentários críticos para jornais e revistas angolanas. Tem alguns livros de literatura infantil publicados.

Colaborou em diversos jornais como o Planalto, República, Mosca, suplemento do Diário de Lisboa, Jornal de Angola, Correio da Semana. Foi galardoado com o Prémio Caminho das Estrelas de 1980, do Concurso de Literatura Camarada Presidente, outorgado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco de Angola (INALD).

Publicou Poesia sem Notícia (1967), A Onda (1973), Regresso Adiado (1973), 11 Poemas em Novembro. Ano Um (1976), Sim, Camarada (1977), 11 Poemas em Novembro. Ano Dois (1977), A Caixa (1977), 11 Poemas em Novembro. Ano Três (1978). Agricultura (1978), 11 Poemas em Novembro. Ano Quatro (1979), Cinco dias depois da independência (1979), Memória de Mar (1980), 11 Poemas em Novembro. Ano Cinco (1980), 11 Poemas em Novembro. Ano Seis (1981), Quem me dera ser onda (1982), 11 Poemas em Novembro. Ano Sete (1984), Cinco vezes Onze Poemas em Novembro (1985), 11 Poemas em Novembro. Ano Oito (1988), Crónica de um Mujimbo (1989), 1 Morto & os Vivos (1992), Rio Seco (1997), Da Palma da Mão (1998), Assalto (s.d.) Saxofone e Metáfora (2001).

O livro Quem Me Dera Ser Onda foi editado diversas vezes e traduzido para algumas línguas. Uma obra que suscitou grande interesse do público leitor, pois aborda de uma forma satírica e mordaz os problemas sociais da sua época.

De resto, a sua obra está incluída em: Monangola. A Jovem Poesia Angolana (1976), No Reino de Caliban. Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa II (1976), Lavra & Oficina. Caderno Especial dedicado à Literatura Angolana em saudação a VI Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos (1979), Poemas para Pioneiros (1979), Manguxi da Nossa Esperança (1979), No Ritmo dos Tantãs (1991), Textos Africanos de Expressão Portuguesa (s.d.), Poemas a la Madre Africa. Antología de la Poesía Angolana del siglo XX (1992).

Manuel Rui Alves Monteiro nasceu na cidade do Huambo a 4 de Novembro de 1941. Fez os estudos primários e secundários na província natal, seguindo para Portugal, onde cursou Direito na Universidade de Coimbra até 1969. Enquanto estudante, foi activista cultural da Casa dos Estudantes do Império, participou em acontecimentos literários e políticos, tendo sido preso por dois meses em Portugal. Exerceu advocacia em Coimbra e Viseu.

Regressou a Angola em 1974, onde foi director-geral da Informação e ministro da Informação no Governo de Transição. Após a independência, ocupou diversos cargos entre os quais o de director da Faculdade de Letras do Lubango e do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED). Foi também professor universitário e jurista.

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