Política

Manifestações reflectem o bom estado da democracia

A realização de manifestações no país reflectem o bom estado da democracia e mostram que os cidadãos não estão proibidos de se manifestar, afirmou o Presidente da República, João Lourenço, em entrevista concedida, terça-feira, ao jornal britânico Financial Times.

21/10/2021  Última atualização 08H45
Chefe de Estado destacou sucesso do programa com o FMI © Fotografia por: Santos Pedro | Edições Novembro
Entretanto, o Presidente lamentou o facto de que, quando tais actos ocorrem no Ocidente, serem considerados de termómetro para medir o estado da mesma, apreciação que disse não acontecer quando ocorrem em países do terceiro mundo. "Às vezes, há tendência de não serem consideradas manifestações e serem chamadas de protesto. Para mim, são simplesmente manifestações e, como tal, também no caso de Angola, isto só reflecte o bom estado da democracia", frisou.
Seriedade das reformas 
O Presidente destacou a cotação que a Agência Financeira Moody´s deu a Angola, recentemente. A Moody´s fez uma avaliação positiva da notação do risco soberano de Angola, melhorando a classificação de Caa1 para B3, mantendo uma perspectiva estável.O Presidente disse que essa cotação mostra a seriedade do programa de reformas levado a cabo pelo Executivo. Salientou que este feito foi conseguido, porque o país  não trabalhou sozinho, mas, sobretudo, com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A uma pergunta se pensa renovar no programa de financiamento com o FMI, o Presidente disse ser cedo para falar na possibilidade de um novo programa, mas sublinhou que, se tal vier a acontecer, não será, "exactamente", nos moldes do actual programa. "Será, talvez, algo mais ligeiro. Chamemos-lhe assim, mas, de qualquer forma, o actual ainda está em curso", realçou o Chefe de Estado, para quem o país está aberto ao diálogo com a instituição. O Presidente lembrou que o programa de financiamento ampliado com o Fundo, iniciado em 2018, termina em Dezembro deste ano, considerando que "o programa tem sido, até aqui, um sucesso", entendimento também partilhado pelo FMI.
Plano de reformas Referiu que o plano de reformas económicas, e não só, em curso no país, deve ter dois grandes objectivos, que passam por fortalecer  o Estado Democrático e de Direito e implantar, no país, uma "verdadeira economia de mercado", de forma a entregar ao sector privado o seu verdadeiro papel, para que possa funcionar como o motor da economia. "Esses são os dois grandes objectivos e julgamos que, relativamente neste curto espaço de tempo, estamos a conseguir fazê-lo com algum sucesso", aclarou.

Questionado se pensa pedir um alívio à China, por causa da dívida que Angola tem com aquele país asiático, o Presidente descartou a possibilidade, tendo sublinhado que não se pode recorrer, a todo o momento, a este mecanismo. Lembrou que o país pediu, muito recentemente, no quadro de uma iniciativa do G20, correspondida pela própria China. "Portanto, creio não fazer sentido, pelo menos por agora, voltarmos a falar num novo pedido do género", realçou.

Apesar disso, o Presidente não encerrou a possibilidade de o país vir a necessitar de financiamento mais lá para frente. Esclareceu que os países, regra geral, vivem de fi-nanciamento externo, para além do que produzem. "Desde que respeitemos os limites do crédito, consideramos que estamos no direito de irmos buscar financiamento ali onde for possível encontrar", disse.
Processo de privatização

No âmbito das reformas económicas em curso no país, o Presidente esclareceu que se vai  colocar no mercado parte do capital das grandes empresas públicas. Esclareceu que tal não será praticado na totalidade, tendo informado que o Estado continuará presente nessas empresas. O Chefe de Estado disse que o objectivo é encontrar maior eficiência, para que se possa prestar melhores serviços.

Salientou que, em termos de timing, pela sua dimensão, tem que se ir com calma. Aliás, prosseguiu, estão qualquer uma das empresas, no-meadamente Sonangol, Endiama e Sodiam, num processo de reestruturação, a fim de prepará-las melhor para este passo "importante", que é o da privatização de parte do seu capital.

Na entrevista ao Financial Times, João Lourenço deu a conhecer que o programa de privatização dos activos do Estado constitui parte da política de diversificação da economia em curso no país.

A ideia, esclareceu, é tornar mais eficiente todos aqueles activos que, até agora, estavam em poder do Estado e passá-los para o sector privado, a fim de produzirem mais e melhor bens e serviços de todo o tipo e em todas as áreas, praticamente. "Isso é um processo que está em curso", garantiu. Das mais de 100 empresas por privatizar, disse já terem sido privatizadas pelo menos cerca de um terço delas, estando as outras a aguardar pela sua vez. 

O Chefe de Estado sublinhou que o processo de diversificação da economia deve acontecer em todos os sectores, com destaque para o da agro pecuária e o turismo, onde, como destacou, "queremos desenvolver esses dois sectores a uma velocidade maior do que a de outros sectores". 
Combate à corrupção  

O Presidente voltou a assinalar que a ideia de se começar a falar da necessidade de se combater a corrupção no país não partiu dele. Disse que o assunto já era falado há muitos anos, mas a diferença é que só se falava e não se punha em prática. "E, hoje, fala-se e faz-se, a todos os níveis, contra grandes e contra pequenos. Esta é a maior diferença", esclareceu.

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