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Manifestações em Cotonou provocaram duas mortes

O Tribunal Constitucional do Benin divulgou já os resultados oficiais das eleições de domingo, mas não se pronunciou sobre o facto de a oposição, que já anunciou que vai avançar com o pedido de impugnação, não ter sido autorizada a participar no pleito por supostas “questões administrativas”, enquanto nas ruas de Cotonou apoiantes do antigo Presidente Boni Yayi se envolveram em confrontos com a Polícia dos quais resultaram duas mortes

04/05/2019  Última atualização 06H42
DR © Fotografia por: Eleições legislativas de domingo no Benin registaram fraca participação da oposição

O Tribunal Constitucional do Benin anunciou quinta-feira à noite os resultados finais das eleições do último domingo, rectificando os números referentes à taxa de participação, dizendo que ela foi de 27,1 por cento e não de 23 por como tinha sido preliminarmente referido pela comissão eleitoral.
De acordo com declarações proferidas por Joseph Djogbenou, presidente do Tribunal Constitucional, “esta percentagem não compromete a validade e a transparência do escrutínio.”
De acordo com estes resultados, a União Progressista e o Bloco Republicano, os dois partidos próximos do poder que se enfrentaram nas eleições obtiveram, respectivamente, os 47 e os 36 lugares disponíveis no Parlamento.
A oposição, que contesta estas eleições e ainda tem esperança de que elas venham a ser anuladas por este mesmo Tribunal Constitucional, estranha o facto de não terem sido anunciados os números dos boletins nulos e baseia aí a fundamentação para a apresentação de um pedido de impugnação, que tem o prazo de dez dias para ser concretizado.
Outra fundamentação para o anunciado pedido de impugnação tem a ver com o facto de nas eleições de domingo, devido a diversos actos de violência, não terem aberto 39 das 546 mesas de voto espalhadas pelo país.
Ao divulgar os resultados oficiais das eleições, o Tribunal Constitucional não se pronunciou sobre o facto de a oposição ter sido impedida de concorrer por supostas “questões administrativas, facto que terá contribuído para a elevada abstenção.”
Dos quase cinco milhões de eleitores registados, apenas cerca de um milhão e meio exerceram o direito de voto, o que torna estas eleições nas menos participadas da história do Benin.
Ontem de manhã, realizou-se uma reunião do Conselho de Ministros onde foi declarada a aceitação do resultado oficial das eleições e reafirmada a intenção de manter-se a ordem e a disciplina, sendo aprovado um voto de confiança a dar às forças de segurança pelo “profissionalismo” demonstrado na contenção dos distúrbios dos dois últimos dias.

Oposição reage nas ruas

Ainda antes de terem sido divulgados os resultados oficiais das eleições, os partidários do antigo Presidente Boni Yayi montaram, nos dois últimos dias, um cerco de segurança na rua onde se situa a sua residência, em Cotonou, para evitar que a Polícia o detivesse depois de o ter acusado de “desobediência pública.”
Segundo a AFP, duas pessoas morreram na sequência dos confrontos entre os apoiantes do antigo Chefe de Estado e a Polícia que chegou a usar balas reais e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
O ministro do Interior, Sacca Lafia, veio a público desmentir aos microfones da RFI a existência de uma ordem para deter Boni Yayi, mas os seus apoiantes só ao início da noite, depois do anúncio dos resultados, é que se convenceram disso, altura em que começaram a regressar às suas casas.
Durante a tentativa da Polícia para dispersar os manifestantes, chegaram a ser atingidas as instalações do Ministério das Finanças e vandalizados vários estabelecimentos comerciais, entre os quais um banco que foi totalmente saqueado.
De acordo com a Polícia, os manifestantes queimaram pneus e atiraram pedras a elementos da Polícia e do Exército, causando o pânico entre a população que se dirigia e vinha do trabalho, ao mesmo tempo que ostentavam cartazes com dizeres contra o Presidente Patrice Talon.
A Polícia alega que mobilizou os seus efectivos para evitar uma manifestação não autorizada que estaria a ser preparada pelos apoiantes de Boni Yayi para “perturbar a ordem pública”, negando que tenha utilizado balas reais.

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