Cultura

Mamã África Sons e Tons

Analtino Santos

Jornalista

A música africana esteve em destaque na última edição do Show do Mês Live, no dia 25 de Junho, com a realização e transmissão do concerto “Mamã África - Sons e Tons”. Lito Graça, Diana Kabango, Racine Nsunda, Glória Lubanza, Branca Celeste e Letus foram chamados pela Nova Energia para cantar e encantaram o público com alguns dos temas que marcam a história e a cultura do continente

04/07/2021  Última atualização 08H30
© Fotografia por: DR
Racine Nsunda, Glória Lubanza e Letus, desconhecidos do grande público, foram as revelações desta edição do Show do Mês. Os dois primeiros apostaram essencialmente na Rumba Congolesa, ao passo que Letus foi para outras sonoridades. Lito Graça, Branca Celeste e Diana Kapango também interpretaram sucessos africanos, mas estes já têm um forte histórico de participações em espectáculos.


O desafio consistia em viajar pelos Camarões, ouvindo Manu Dibango, Gabão, curtindo Pierre Akandengue, Africa do Sul e Cote d’Ivore, saltando com o Reggae de Lucky Dube e Alpha Blondy, bem como dançando ao som de Nayanka Bell. Também no roteiro havia  escalas pelo Mali e Cabo-Verde com Salif Keita e Cesária Évora e Senegal, com ligação à Inglaterra, pegando Youssour Ndour e Neneh Cherry. O pouso mais forte foi na RDC e foi feito mesmo sem passaporte, apenas com um salvo conduto e por via terrestre, ao som da Rumba Congolesa.
Tentamos conhecer um pouco mais do perfil de alguns intervenientes, pouco dados aos holofotes da comunicação social e que não constam das agendas nem são as primeiras escolhas dos produtores e promotores de eventos.


Gloria Lubanza é um músico da Lunda-Norte, membro do grupo Sasha Cokwe e também integrante de uma das bandas da Polícia Nacional.  Voz respeitada no Leste, com forte presença nos sucessos do seu grupo e a solo,   bebeu muito da música congolesa. Não foi por acaso que interpretou parte do reportório dedicado aos ritmos do país vizinho. Está a preparar um disco com oito faixas, que se vai chamar "Ruv Kuwap”, que significa bebida gostosa em português. Lubanza clama por apoios para concluir este projecto. É sua preocupação incentivar os jovens a falarem o Lunda, idioma que é pouco falado apesar de ser a mãe e estar nas origem de outros idiomas e do nome das duas províncias diamantíferas do Leste. Outra preocupação de Glória Lubanza é conscientizar a juventude, principalmente da região Leste, através da música, a conhecer a riqueza cultural da sua região natal. O cantor interpretou "Kamani Mado” dos Kosmos, "Moibi” de Pepé Kallé e fez dois duetos, com Racine Nsunda em  "4 Etoilles”, e Teddy Nsingui em "Kekelé”.  


Racine Nsunda também tem como sua praia os ritmos do Congo. Natural do Uíge, muito cedo partiu para a RDC, onde começou a cantar aos 10 anos. No regresso ao país, formou a Banda Waka Waka, mas não teve êxito, tendo entrado noutro projecto, com a criação da Banda RaiZ. As apresentações em espaços com a presença de congoleses e de angolanos que apreciam sonoridades do país vizinho marcam a sua trajectória. É exemplo disso o espaço Júnior, no Palanca. Teve participação no Show da Zimbo dedicado à Rumba Congolesa e agora, com a participação no Show do Mês, reconheceu que ganhou muita visibilidade. Racine solicita apoios e mais oportunidades para mostrar o seu trabalho. Cantou "Mouzi” de Francó, "Muvaro” de Zaiko Langa Langa, "Maria Valencia” de Papa Wemba e fez duetos com Gloria e Teddy Nsingui, que neste concerto foi a segunda voz em alguns temas.


Letus, natural da Caconda, Huíla, assume-se como um músico completo na essência "jazzier” e também de forte angolanidade. Não se vê centralizado em apenas um estilo, mas sempre segue e tem paixão pelo Jazz e várias nuances da World Music, de onde vem a sua essência musical. Vocalista e intérprete multifacetado, gosta de assumir muitas vezes o papel de director artístico e de produtor, quando o assunto é fazer música, seja em estúdio ou em preparação para o palco. Também gosta de dar aulas de canto e sonha poder fazer rádio e ser um falante de várias línguas. Participou em vários concursos de música, com destaque para a primeira edição do concurso Unitel Estrelas ao Palco, interpretando o gigante lírico Pavarotti, tendo chegado até a segunda semifinal. Na mais recente edição do Estrelas ao Palco, no ano corrente, chegou até a final.


Lançou a sua primeira música em 2018, "Essas Forças”, e tem em preparação o seu primeiro disco, que contará com algumas participações. É a segunda vez que participa no Show do Mês e garante que tem sido uma experiencia muito boa. "A sensação é de satisfação, de bastante agrado, porque é feito com qualidade, com excelentes músicos e dá a oportunidade de partilhar o palco com diferentes e bons artistas, desde novos talentos a músicos já conceituados”, disse. Neste Show do Mês, soltou a voz em "Ive Got You Babe” de Lucky Dube, "Nkuwo” de Matadidi e nos duetos com Branca Celeste e Diana Kapango em "Yamore” e "Seven Seconds”.

 
Os habitués


Lito Graça cantou Pierre Akandengue, brindando o público com "Kukumulele” e "Awana Africa”, deu o seu toque em "Soul Makossa” de Manu Dibango, foi rastafari em "Brigadier Sabari” de Alpha Blondy e brilhou na hilariante "Zangarewa”.


Diana Kapango, a menina de Cabinda, foi Mbilia Bell, Mpongo Love e Nayanga Bell respectivamente nos temas "Yamba Ngai”, "Femme commerçant” e "Chogolo”. Já Branca Celeste, com a garra de Lweji, a matriarca Lunda, pegou em "África”, "Agolo” e "Dissan Na Mbera” e descobriu Lourdes Van-Dúnem, Angelique Kidjo e Super Mama Djambo.

A Nova Energia para este concerto teve o suporte da Banda Show do Mês, com Tedy Nsingui na direcção artística, Benny Makanzo nos teclados e Xiko Santos na percussão. O guitarrista Nsangu Nsau foi novidade.   Jack (bateria), Kappa D (baixo), Alexandre (percussão), Sankara (guitarra), na secção de sopros La Trompa, Chinguma, Rigoberto e Luiz e as coristas Raquel Lisboa e Sultrana foram os outros músicos essenciais ao espectáculo.

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