Cultura

Malanje: “Casa-Museu Agostinho Neto” é inaugurada em Novembro

Venâncio Victor | Malanje

Jornalista

O Governo Provincial de Malanje mantém a pretensão da transformação, até Novembro, da antiga residência do primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, localizada na rua 15 de Agosto, na cidade de Malanje, em Casa-Museu, como forma de honrar a sua memória e contribuir para a sua eternização.

13/09/2022  Última atualização 09H18
© Fotografia por: Venâncio Victor | Edições Novembro - Malanje

Em entrevista concedida ao Jornal de Angola, o director do Gabinete Provincial da Cultura, Fernandes Cristóvão, explicou que ainda não foi aberto um concurso público pelo facto das obras não estarem inscritas no Orçamento Geral do Estado, mas que existem empresários que manifestaram a pretensão de prestar o seu contributo com vista a uma maior promoção e valorização da imagem e figura de Neto.

"É vontade do Governo na pessoa do governador provincial, Norberto do Santos "Kwata Kanawa”, que deu indicações precisas a uma equipa coordenada pelo vice-governador para o Sector Social, Domingos Eduardo, para que se pudesse negociar com o (actual) proprietário para que a residência (onde Agostinho Neto viveu entre 1944 e 1945) passasse à tutela definitiva do Governo e que viesse a ser transformada em Casa-Museu. Felizmente essa missão está cumprida”, afirmou.

Fernandes Cristóvão acrescentou que, neste momento, o Governo está a trabalhar para a acomodação das pessoas que lá vivem e a posterior a reparação da estrutura do edifício e o seu apetrechamento em termos de acervo histórico.

"Há todo esse esforço, pois a nossa previsão é que, até Novembro deste ano, possamos inaugurar a Casa-Museu Dr António Agostinho Neto e colocá-la à disposição do público em geral, em particular da juventude, que precisa compreender um pouco a História de Angola, através de Neto, a necessidade da firmeza do angolano pela luta pela independência, pela defesa da integridade territorial e no amor à pátria”, garantiu.

O director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude de Desportos de Malanje realçou que o fundador da Nação foi  resiliente e que, apesar de todas as vicissitudes em que esteve submetido, não desistiu, contribuindo para a felicidade e liberdade que hoje os angolanos ostentam, mas que custou sangue de muitos angolanos.

Fernandes Cristóvão assegurou a criação de condições técnicas para a inauguração da Casa-Museu de Agostinho Neto, acrescentando que existe já um dispositivo sobre aquilo que vai ser a recuperação da residência onde viveu o primeiro Presidente.

Disse esperar que as pessoas a residir na referida casa possam sair brevemente, revelando que o prazo da recepção das chaves vai até ao dia 15 deste mês. A partir desta data, disse, a equipa técnica do Gabinete Provincial da Cultura poderá entrar em acção para a recuperação daquele equipamento histórico para que, até Novembro, seja apetrechado e colocado ao serviço da população.

Reza a história que Agostinho Neto, enquanto médico a trabalhar no Hospital de Malanje, tinha arrendado uma casa de pau-a-pique, na Rua 15 de Agosto, "evitando a inclusão num quarto de hotel com portugueses iletrados”, lembrou o historiador José de Beça Gaspar.

"Ele próprio dizia que havia alguns deles analfabetos, então teve que recorrer a uma casa de pau-a-pique, na Rua 15 de Agosto, que ainda hoje existe, e depois reconstruída já de alvenaria”, acrescentou.

No ensino primário, passou pela Missão do Quéssua, a 12 quilómetros da cidade de Malanje, na qualidade de filho de pastor da Igreja Metodista.

O bispo da Igreja Metodista Unida da Conferência Anual do Leste de Angola, José Quipungo, sugere que sejam publicados mais livros para engrandecer a vida e obra do "nacionalista, estadista, poeta e médico que proclamou a Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975”.

"Há que enaltecer o le-gado que realmente nos deixou. É ele que falou pela primeira vez: de Cabinda ao Cunene, um só povo e uma só Nação, o que significa que Agostinho Neto foi mais do que um líder, mais que um dirigente, é realmente pai, por que ele fez surgir Angola como Nação, como país independente e nós nos sentimos um povo”, afirmou Quipungo.

Para saudar o centenário de Neto, foi gizado um programa de actividades iniciado o ano passado e que termina em Novembro, que reserva dentre outras actividades, inaugurações, um acto provincial em prol da data, abertura de  jornadas culturais  e desportivas . No sábado, dia 17, haverá deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, hastear da bandeira, para além de outras que decorrem em todos os municípios do interior da província. A Mediateca Provincial Ngola Kiluanje acolhe terça-feira, 13, o acto de aberturas das jornadas do centenário do herói na-cional, devendo o acto provincial ter lugar, sábado, no município-sede, no Largo da Liberdade.


Acervo bibliográfico

O director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos de Malanje garantiu que parte do acervo histórico já existe na província e que da sua lista constam retratos fotográficos, utensílios e outros objectos que representam aquilo que Agostinho Neto foi para os angolanos.

Para Fernandes Cristóvão, a melhor forma de preservar o legado de Agostinho Neto é ter a fidelidade à Pátria porque foi um dos pressupostos que sempre defendeu.

 "Preservar os ideias de Manguxi é, igualmente, cumprir com os deveres de um bom cidadão para com à pátria. A juventude deve orgulhar-se dos seus ancestrais, em particular António Agostinho Neto, bem como também da juventude da sua época que consentiu sacrifícios para a Independência Nacional, a paz e todas outras conquistas alcançadas pelo povo, como a liberdade, democracia, livre circulação de pessoas e bens, desenvolvimento, estudo, promoção e desenvolvimento da Ciência", defendeu.

Para aquele responsável, a juventude não tem outra opção senão defender aqueles valores. Defendeu que se deve fazer tudo no sentido de levar os jovens a compreenderem que "a pátria é tudo o que ela tem e não podemos renunciá-la, por mais que a gente tenha desejos e vontades pessoais".


Defendida maior promoção da figura do Herói Nacional

O director da Cultura em Malanje afirmou que Agostinho Neto não é uma figura circunscrita à cultura, defendendo, por isso, que a promoção e divulgação da sua vida e obra não devem ser vistas no sentido restrito ou institucional.

"Temos associações de educação cívica e activistas pela pátria e que não vejo a falarem sobre Neto e sobre outras figuras de proa histórica e cultural de Angola. Não podemos julgar, mas penso que quem assim o faz está a errar, pois devia é levantar a sua voz e gritar bem alto o nome de Neto, ali onde estiver e falar do pouco que sabe sobre essa figura", advogou.

Fernandes Cristóvão disse ainda ser preciso orgulhar-se da contribuição do fundador da Nação na libertação do continente. Destacou o facto de Agostinho Neto ser, hoje, motivo de estudo em muitos lugares do mundo, "chegando a ser comparado a um profeta, porque as suas palavras de ordem têm, hoje, um alcance multidimensional e inspiraram os angolanos e outros povos africanos para a luta pelas suas independências, como são os casos da Namíbia, Zimbabwe e África do Sul".

"Por um lado, falar de Agostinho Neto é agradável, mas por um outro é arriscado porque cada um de nós conhece um pouco da sua história, por ser uma figura pública. Daí que eu queira admirá-lo em todas as dimensões, em particular a política, a preocupação e o amor que tinha para com o seu povo e a sua pátria, pois não é fácil encontrar um cidadão que consente sacrifícios, mesmo em condições para viver melhor, preferindo lutar ao lado dos seus confrades”, realçou.

"Mesmo vivendo em Lisboa, Neto abandona a vida de luxo para servir o país como médico e estar ao lado dos seus contemporâneos e lutar pela Independência", lembrou Fernandes Cristóvão, para quem o primeiro Presidente de Angola inspira os angolanos no contexto político, na vida profissional, literatura e até nas artes.

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