Opinião

Mais solidariedade

Cândido Bessa

Director Adjunto

Não há memória, pelo menos nos últimos tempos, de uma mobilização tão vasta da sociedade angolana na ajuda a pessoas que precisam de algo para comer ou vestir.

13/06/2021  Última atualização 04H15
A campanha "Abraço solidário”, de acordo com os dados dos organizadores, permitiu recolher, até ontem, 500 toneladas de bens diversos. A solidariedade entre nós, os angolanos, transmitida de gerações em gerações já esteve em dúvida. Hoje, parece estar de volta. Numa sociedade, em que ainda persistem exemplos capazes de envergonhar-nos a todos, tal a maldade envolvida, é reconfortante notar que ainda há pessoas dispostas a ajudar, que fazem questão de repartir o pouco que têm com aquele que nada tem. Só por isso, já vale a pena reconhecer e elogiar esta campanha que não pára de se expandir.

A iniciativa, que começou como um gesto solidário dos órgãos de Comunicação Social e das empresas das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, com o apoio do Ministério de tutela, tornou-se, hoje, numa onda nacional, com exemplos profundos de patriotismo dos angolanos, que tudo fazem para devolver o sorriso no rosto do irmão em dificuldades.

Nos últimos dias, a campanha ganhou a adesão de empresas dos mais variados sectores, delegações ministeriais e pessoas singulares. Até do exterior, chegam apoios de pessoas sensibilizadas com a causa dos que mais sofrem.

Ontem, um partido político entregou 21 toneladas de alimentos. Dias antes, a secretária da organização feminina da mesma formação política entregou, pessoalmente, à população necessitada do Sul do país, várias toneladas de alimentos recolhidas pelas mulheres do partido. Uma empresa nacional ofereceu comida, material de construção e até combustível para os camiões que vão fazer chegar os bens recolhidos à população necessitada. São exemplos assim, de puro patriotismo, que vale a pena realçar e encorajar. Por falar em encorajar, chamou-me a atenção, nestes quase três meses de campanha, o número de pais acompanhados dos filhos, cada  um com o seu saco para doar. Não há melhor maneira de ensinar valores às nossas crianças que não seja pelos bons exemplos.

Esta cada vez mais demonstrado que o "Abraço solidário” é a melhor forma de ensinar a empatia na nossa criança, este adulto de amanhã, aquela capacidade de compreender, emocionalmente, e se colocar no lugar do outro. Um exemplo prático de exercitar esta capacidade de ajudar o outro, sem pedir nada em troca, e não olhar apenas para si.

Ou ainda para desenvolver o altruísmo, aquele desejo de fazer bem ao próximo. Um simples gesto ajuda a criança a perceber melhor esta capacidade de fazer sacrifícios pessoais para ajudar o outro. Num coração assim não há espaço para o egoísmo, para o preconceito, para a desonestidade. Valores fundamentais para que as crianças de hoje, adultos de amanhã, saibam amar, a falar a verdade, a serem correctos com o próximo, com o país e com a sociedade.

Abraço solidário vem ensinar-nos que, afinal, nem tudo está perdido. Que no meio de tanta maldade, de tanto egoísmo, ainda há bons exemplos a seguir e que há coisas pelas quais ainda vale a pena lutar.

Por estas e outras, é de toda a justiça reconhecer que os exemplos manifestados vão além da simples ajuda a pessoas que precisam de alimentação e outros bens. Bem vistas as coisas, não se trata apenas de uma ajuda a quem tem fome, a quem perdeu quase tudo e que precisa de uma mão para reerguer-se e continuar a caminhar. É, também, um pequeno contributo de cada um de nós à paz, à consolidação da democracia, ao progresso e, em última instância, ao desenvolvimento desta Angola que pretendemos mais justa para as actuais e às futuras gerações.

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