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Mais de 96 mil cidadãos aprenderam a ler e a escrever

Bernardo Capita | Cabinda

Jornalista

O processo de alfabetização em Cabinda permitiu, desde 2008, que mais de 96 mil pessoas aprendessem a ler e a escrever correctamente, informou o chefe de Departamento Provincial da Educação e Ensino.

08/09/2022  Última atualização 10H37
José Lelo garantiu que o Programa Provincial de Alfabetização não estabelece quaisquer critérios para a inscrição de alunos © Fotografia por: António Soares | Edições Novembro | Cabinda
José Lelo, que falava em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, afirmou que o Programa Provincial de Alfabetização não estabelece quaisquer critérios para a inscrição de alunos, mas destacou que do universo de cidadãos já alfabetizados, de 2008 a 2022, destacam-se antigos combatentes, ex-militares e jovens que por diversas razões deixaram de ir à escola e hoje já sabem ler e escrever correctamente.

"O Programa de Alfabetização é um processo extensivo, que abrange cidadãos de várias idades, entre crianças, jovens e adultos, nos quatro municípios (Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize) interessados em aprender a ler e a escrever", sublinhou.

Acrescentou que não obstante o Programa de Alfabetização ser de uma cobertura provincial, privilegia-se sempre os habitantes das zonas rurais, sobretudo onde não há muita oferta de escolas públicas.

José Lelo disse que o Programa de Alfabetização na província tem bons resultados devido à participação voluntária de alfabetizadores no processo e ao empenho do próprio sector da Educação. O responsável não adiantou o número exacto de alfabetizadores, referindo que varia de ano para ano, em função das necessidades e do número de cidadãos inscritos em cada ano lectivo. Para este ano lectivo, o programa vai contar com a contribuição de 341 facilitadores.

O chefe de Departamento de Ensino e Educação garantiu estarem assegurados os subsídios dos alfabetizadores. "A secretaria provincial da Educação já efectuou o pagamento dos subsídios que estavam em atraso, no sentido de os estimular para que o programa tenha sucesso”.

Esclareceu que a Secretaria Provincial da Educação não tem alfabetizadores efectivos. Aqueles com quem trabalha são professores com vínculo laboral em outras escolas públicas, pastores, fiéis de várias igrejas e outros cidadãos que se associaram à causa.

"Os alfabetizadores dão aulas voluntariamente sem qualquer compromisso de pagamento de salário ou subsidio”, disse José Lelo, salientando que o pouco que recebem em termos financeiros é apenas uma recompensa pelo esforço que fazem.

Devido às especificidades do processo de alfabetização, os alfabetizadores são submetidos a uma acção formativa, facilitada pela Secretaria Provincial da Educação, que incide sobre metodologia de ensino, processo de avaliação e como ensinar e lidar com os alfabetizandos.

O responsável enalteceu o contributo das igrejas no processo de alfabetização, que cede templos para salas de aula e mobiliza pastores e fiéis para serem alfabetizadores.

O chefe de Departamento de Ensino e Educação informou que a Secretaria Provincial da Educação tem feito a distribuição grátis de manuais de alfabetização, cadernos, lápis, borrachas e outros materiais necessários para facilitar o processo de aprendizagem.

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