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Mais de 60 mil alunos estão fora do ensino

Um mês após o início do ano lectivo 2020, as estatísticas do Gabinete Provincial de Educação de Benguela indicam que, em função da escassez de salas de aula, 66 mil e 813 alunos na província ficaram de fora do sistema de ensino.

20/03/2020  Última atualização 19H12
Edições Novembro © Fotografia por: Muitas crianças na província continuam a estudar em condições precárias por falta de infra-estruturas convencionais

A província regista um dé-fice de sete mil e 58 salas de aula no ano lectivo em curso. Das 25 mil e 22 salas necessárias, estão disponíveis apenas 17 mil e 964. “A Educação tem insuficiências de salas de aula e escassez de recursos financeiros. O sector confronta-se ainda com um número elevado de escolas provisórias e improvisadas”, disse ao Jornal de Angola o director em exercício do Gabinete Provincial de Educação, Januário Albino.

O responsável revelou que dos 24 mil e 489 professores filiados no sector, apenas 22 mil e 826 leccionam em escolas convencionais. Paralelamente a este factor, existe um défice de dois mil e 776 docentes. “Os concursos públicos que se realizam com alguma regularidade estão a permitir a redução do défice de professores, que poderá atingir à cifra zero em 2022”, sublinhou.

Com efeito, em 13 anos, (2007/2020) o número de professores na província de Benguela cresceu apenas em seis mil e 489, pois dados de 2007 indicam que trabalhavam em todos os níveis de ensino nas escolas públicas e privadas cerca de 18.000. Este fenómeno ocorre em paralelo ao aumento do número de crianças que fica de fora do ensino anualmente. 

Na óptica de Januário Albino, apesar do crescimento demográfico ser alto, é possível enquadrar mais crianças nas escolas todos os anos, pois no fim de cada ano lectivo muitos alunos terminam o II ciclo e libertam espaço para novos estudantes.

Rácio aluno/Salas de aula

Em Benguela, os investimentos feitos nos últimos anos na Educação nunca permitiram reduzir o rácio aluno versus sala de aula. Em 2017, por exemplo, o histórico dá conta de que 85 mil crianças ficaram sem estudar.
“O rácio ideal seria de 30 a 35 alunos por sala de aula ou 20 a 25 na melhor das hipóteses. O maior pico de rácio sala de aula/aluno, que tivemos na província de Benguela, registou-se em 2013 e foi na ordem de 85 alunos por sala”, frisou.

Cobertura geográfica

As assimetrias entre os centros e as periferias dos municípios também constituem preocupação para o sector, uma vez que muitas crianças continuam a percorrer grandes distâncias para ter acesso à escola.
Januário Albino reconhece que esta realidade abrange todos os municípios da província, com maior incidência no litoral, mais concretamente no município sede da província, onde existem bairros com grande densidade populacional e sem infra-estruturas para albergar muitas crianças em idade escolar.“Os projectos para a construção de novas escolas já estão inscritos em programas municipais, através do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). Nesta senda, 20 escolas em várias regiões da província serão construídas”, assegurou.
O nosso interlocutor disse, por outro lado, que o Programa de Merenda Escolar, em curso em todos os municípios da província, está a contribuir para a redução do absentismo por parte dos alunos, sobretudo nas zonas rurais onde há muita gente desfavorecida.
Januário Albino informou que a estratégia do sector, na província, é essencialmente a massificação do ensino técnico profissional, para o abrandamento da oferta de formação geral, para que os jovens que terminarem o II Ciclo possam conseguir o primeiro emprego.
Nesta vertente, o Gabinete Provincial da Educação projecta, para o próximo ano lectivo, transformar o actual Liceu Comandante Kassanje, em Benguela, num Instituto Politécnico, passando os actuais alunos a estudar na escola do I Nível Augusto Chipenda.

Parceria com o sector privado

O responsável em exercício da Educação revelou que as 80 escolas privadas existentes na província contam, neste ano lectivo, com 841 salas de aula e 43 mil e 271 alunos. Disse, por outro lado, que pais e encarregados de educação queixam-se, constantemente, do facto de muitos professores , que nas horas de folgas assumem funções de explicadores, não ensinarem convenientemente os alunos nas escolas, para que estes tenham dúvidas e se sintam obrigados a assistir às suas aulas de explicação, que são pagas.
“Muitos explicadores são aproveitadores porque são ao mesmo tempo professores das escolas públicas e, propositadamente, não transmitem com clareza as matérias aos alunos durante as aulas, para os obrigarem a recorrer às explicações onde eles próprios são os professores”, disse, para acrescentar:
“Actualmente a actividade da Inspecção Escolar incide sobre as escolas privadas, no que toca ao cumprimento dos planos de estudos, programas curriculares e o cumprimento das normas e regulamentos metodológicos, aprovados no quadro do sistema de educação”.
“Se existir um descaminho de conteúdos por parte dos explicadores”, alertou, “os pais e encarregados de educação devem ajudar o sector a pôr cobro à esta situação, denunciando o acto”.

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