Sociedade

Mais de 55 mil enfermeiros exigem melhores condições

Joaquim Cabanje

Jornalista

A Ordem dos Enfermeiros de Angola controla, em todo o país, mais de 55 mil membros, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, que clamam por subsídios, melhores condições salariais e de trabalho.

13/09/2021  Última atualização 09H20
Enfermeiros querem mais subsídios e aumento salarial para melhorar o atendimento à população © Fotografia por: DR
A informação foi prestada, na semana finda, em Luanda, ao Jornal de Angola, pelo bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA), Paulo Luvualo, a propósito da realização, nos dias 25 e 26 de Novembro, do V Congresso da organização.

"A ordem é uma organização socioprofissional de inscrição obrigatória, que tem como objectivos controlar, fiscalizar e disciplinar o exercício da enfermagem no país", disse Paulo Luvualo, acrescentando que "ninguém pode exercer a profissão sem estar credenciado pela ordem, através da carteira profissional".

Quanto às reivindicações que se registam no sector, protagonizadas pelos sindicatos do ramo da Saúde, Paulo Luvualo considerou-as aceitáveis. Segundo ele, o sindicato está a reivindicar subsídios, melhoramento de salários e condições de trabalho.
Em relação aos subsídios, segundo o bastonário, já era um direito adquirido e não se entende as razões que levaram à sua retirada. 

Paulo Luvualo lembrou que em 2018 houve actualização da tabela salarial e muitos que tinham salário razoável viram-no baixar, devido ao surgimento do novo regime remuneratório.
Citando a lei, disse que o salário é um direito adquirido, que não se devia perder, mas, infelizmente, os enfermeiros perderam esse direito.

No que tange às condições de trabalho, o entrevistado diz que às vezes se exige a humanização dos serviços, sem, porém, valorizar, em primeiro lugar, o homem.
Segundo o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, quando se exige que um profissional de enfermagem trabalhe bem, tem que se lhe garantir condições. "Não se pode exigir rigor a quem não se deu condições de trabalho".

Sobre as greves, o responsável associativo afirmou que não concorda: "Quando a gente faz greve, quando paralisamos os serviços, não são as individualidades que sofrem as consequências, mas sim o pacato cidadão".

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola culpa em parte o Ministério das Finanças pelos constrangimentos que se registam no sector da Saúde, pelo facto de vetar, às vezes, a entrada de novos profissionais, alegando falta de dinheiro.

Segundo Paulo Luvualo, o Ministério da Saúde propõe a inserção de um certo número de profissionais num hospital, mas as Finanças reprovam a proposta, alegando a inexistência de recursos financeiros, o que provoca distorções graves no sistema.  Sobre o papel do enfermeiro no sistema de Saúde, disse que cabe a ele dar banho ao doente, dar de comer, incluindo avaliar a temperatura, a respiração, a tensão arterial, a dor, bem como administrar os medicamentos.

Paulo Luvualo, com vista ao melhoramento do sistema de Saúde em Angola, sugeriu três aspectos a saber: melhoramento da qualidade da formação de quadros, adequar o número de profissionais em função da capacidade da unidade sanitária e o melhoramento das condições de trabalho.
O bastonário falou, também, sobre "Enfermagem em paciente crítico", pelo facto de constar na agenda do V Congresso, aprazado para os dias 25 e 26 de Novembro próximo.

Para ele, os pacientes críticos não são bem cuidados, porque numa sala de cuidados intensivos com dez camas existem apenas dois ou três enfermeiros, uma prática incorrecta.
Detentor de uma formação básica, média e superior em enfermagem, Paulo Luvualo diz que em cuidados intensivos o ideal é ter um enfermeiro para cada paciente, porque o doente crítico é totalmente dependente, precisando de ajuda para tudo.

A República de Angola, ainda segundo Paulo Luvualo, possui 2.681 unidades sanitárias, das quais 15 hospitais nacionais, 25 hospitais provinciais, 45 hospitais gerais, 170 hospitais municipais e 442 centros de saúde. Controla ainda 67 centros materno infantis e 1.880 postos de saúde.

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