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Mais de 500 mil crianças estão em perigo na Líbia

Mais de 500 mil crianças líbias estão em “perigo imediato” em Trípoli, onde des-de há um mês e meio decorrem violentos confrontos ar-mados, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infân-cia (Unicef).

03/10/2018  Última atualização 09H01
DR © Fotografia por: Conflitos armados adiam o futuro de milhares de menores

Os combates entre milícias rivais já provocaram, pelo menos, 115 mortos e cerca de 400 feridos, indica o último balanço do Ministério da Saú-de líbio, divulgado no passado fim-de-semana.
“Mais de meio milhão de crianças estão em perigo imediato” na capital, indica o Unicef num comunicado, acrescentando que “em todo o país são 2,6 milhões a terem necessidade de ajuda.” Os recentes combates forçaram 1.200 famílias a abandonar as suas casas, elevando para 25 mil o número total de deslocados, segundo o organismo da ONU.
O Unicef considera que metade são crianças e denuncia “numerosas e graves violações dos direitos da criança.” O director regional do Unicef para o Médio Oriente e África do Norte, Geert Cappelaere, disse à agência noticiosa France-Presse (AFP), ao citar relatórios, que cada vez mais crianças são recrutadas pelos grupos armados. As crianças “estão a pagar um pesado tributo num conflito pelo qual não são responsáveis”, lamentou.
As crianças cujos pais vieram para a Líbia na esperança de emigrar para a Europa atravessando o Mediterrâneo “sofrem duplamente”, acrescentou Cappelaere. “Já estão confrontados com condições de vida deploráveis. Diversos deles estão detidos”, disse, considerando que a violência “apenas agrava o seu sofrimento porque, nos centros de detenção, a sua situação já é desastrosa.”
Para além da escassez diária de água, alimentação e electricidade, as crianças líbias estão ainda ameaçadas pelo recrudescimento do sarampo, com mais de 500 casos conhecidos, segundo o Unicef. Arriscam-se  ainda a um adiamento do seu regresso às aulas, previsto para 3 de Outubro, com “cada vez mais escolas utilizadas para acolher as famílias deslocadas.”
Apesar de um acordo de cessar-fogo concluído a 4 de Setembro sob a égide da ONU, os confrontos recomeçaram na semana passada nos bairros a sul da capital.

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