Economia

Mais americanos interessados em investir no país

O número de investidores norte-americanos interessados em trazer capitais para Angola tende a crescer, de acordo com declarações do embaixador nos Estados Unidos, Joaquim do Espírito Santo, que atribui essa evolução ao encontro mantido pelo Presidente João Lourenço, com empresários daquele país, em Washington, na sexta-feira.

26/09/2021  Última atualização 08H08
Embaixador em Washington, Joaquim do Espírito Santo e Presidente da AmCham-Angola, Pedro Godinho © Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro e DR
O diplomata disse ao Jornal de Angola que essa tendência se acentua com a reunião organizada pela Câmara Americana de Comércio (AmCham) e a sua filial angolana, a AmCham-Angola, num encontro que considera ter tido grande significado e estar a surtir efeitos "bastante” positivos, os quais se traduzem nos contactos recebidos de várias empresas norte-americanas.

"São muitos os investidores americanos que manifestam interesse em investir em Angola”, garantiu, apontado a inclinação da maioria dos investidores pata as áreas da agricultura, tecnologias e agro-indústria.

Como forma de manter aceso o interesse dos norte-americanos em investir em Angola, o embaixador anunciou que vai desenvolver, nos próximos dias, um programa de visitas aos para trabalhar com as câmaras de comércios estaduais.

"A intenção é levar para o país novas empresas que actuem em vários domínios”, frisou. Antes de dar corpo a essa digressão, o embaixador vai deslocar-se, agora, ao Estado de Utah, a convite da Câmara de Comércio local, para manter encontros com empresários "que aguardam, com muita expectativa, a nossa presença”.


Fluxo de capitais


"Poderá resultar numa vaga de capital dos Estados Unidos para o mercado angolano”, declarou o presidente da AmCham Angola, Pedro Godinho, quando contactado pela nossa reportagem para confirmar as indicações de um novo vigor no interesse das empresas norte-americanas pelo mercado angolano, Pedro Godinho recordou que a apetência  das empresas norte-americanas começou a inverter, a favor do mercado nacional, em 2018, quando as manifestações de interesse passaram a substituir o cepticismo ligado a receios causados pela prevalência da  corrupção, o que também coincidiu com um primeiro encontro realizado naquele ano entre João Lourenço e representantes empresariais dos Estados Unidos.


O líder da AmCham-Angola sublinhou que as companhias norte-americanas sujeitam-se a uma  estrita conduta de conformidade legal imposta pela Lei Contra a Prática de Corrupção no Estrangeiro (o FCTA Act), que, no passado, colocou a petrolífera Cobalt em apuros, depois de negócios menos transparentes com a congénere angolana Nagasaki.

A determinação na luta contra a corrupção naquele encontro, em 2018, manifestado pelo Presidente da República, levou a que prestigiadas empresas dos Estados Unidos decidissem, até, advogar a favor de Angola.

Na reunião de sexta-feira, revelou Pedro Godinho, os fabricantes de equipamentos agrícolas da John Dyer, com operações globais de 38,8 mil milhões de dólares, em 2020, declararam a viabilidade de iniciar um processo de implantação em Angola, quando confrontados com as necessidades de uma diversificação económica liderada pela agricultura.

A John Dyer, notou o presidente da AmCham-Angola, tem uma divisão financeira que actua no financiamento de projectos com taxas de juro consideradas baixas, um pacote de investimentos proposto pelos norte-americanos na reunião.
A multinacional tecnológica IBM, que fechou 2020 com operações cifradas em 73,6 mil milhões de dólares, com o que se posiciona como a 38ª maior empresa dos Estados Unidos, manifestou a intenção de desenvolver a economia digital em Angola, com um bónus: a transferência dessas tecnologias para o mercado nacional.

O vice-presidente da petrolífera Chevron para África, Médio Oriente e América Latina, Clay Neff, voou de Houston, Texas, num jacto particular para participar no encontro em Washington, onde prometeu advogar a favor de Angola junto de empresas do seu país.

Na Câmara Americana de Comércio, a Chevron lidera uma instância que inclui representantes do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, das embaixadas em Luanda e Washington, e membros do DBIA, este, um conselho constituído pelas empresas mais poderosas daquele país que apoia a tomada de decisões sobre a formação de negócios em África.

"O Objectivo da AmCham-Angola”, resumiu Pedro Godinho, "é garantir, com a realização destes encontros, a aproximação para uma parceria estratégica” entre Angola e os Estados Unidos, algo que pode ser encarado à luz de outras parcerias bem-sucedidas como a mantida entre aquele país e o Japão, que veio a tornar-se na segunda maior economia do mundo depois da Segunda Guerra, a Coreia do Sul, uma das mais aguerridas economias do planeta, Israel  ou a Arábia Saudita, dois outros mercados incontornáveis.


Trocas comerciais

De acordo com números do presidente da AmCham-Angola, as trocas comerciais entre Angola e os Estados Unidos situaram-se, em 2019, em 3,8 mil milhões de dólares, sendo favoráveis aos Estados Unidos, que exportaram para o nosso país bens e equipamentos avaliados em dois mil milhões de dólares.

Com as exportações baseadas no petróleo, as vendas angolanas aos Estados Unidos foram afectadas pela quase auto-suficiência energética, que, naquele altura passou de importador a exportador de produtos energéticos.

Os números do comércio bilateral em 2019 representam uma flagrante queda face ao pico de 2008, quando as trocas bilaterais ascenderam a 20,8 mil milhões de dólares e as exportações angolanas para aquele país totalizaram 18 mil milhões de dólares.

Como no ano passado, as exportações norte-americanas já se situavam em dois mil milhões de dólares em 2008, numa evidência da estabilidade dos fluxos de comércio daquele país.  

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