Economia

Maior base monetária apoia o crescimento

Hélder Jeremias

Jornalista

A expansão da base monetária prevista na Segunda Revisão Macroeconómica Executiva referente a 2021, anunciada pelo Governo, na quarta-feira, é apontada por economistas como um indicador da necessidade de o banco central elevar o volume de dinheiro em circulação para dar cobertura ao aumento de transacções no mercado.

09/10/2021  Última atualização 08H50
Oferta de moeda na economia é inferior às transacções ordenadas pelo público © Fotografia por: DR
As previsões, na quinta-feira retomadas pelo secretário de Estado para o Planeamento, Milton Reis, no "briefing” semanal com a imprensa, apontam para uma expansão homóloga da base monetária de 16,6 por cento e do crédito ao sector privado em moeda nacional em torno de 8,2 por cento, algo considerado como "um sinal positivo” pelas fontes deste jornal.

De acordo com o economista Júlio Matias, a oferta da moeda abarca as reservas bancárias, moeda estrangeira e outros activos que podem ser convertidos em moeda nacional, na medida em que a base monetária influencia os indicadores mais importantes para a economia.

"A base monetária constitui a maior parcela de liquidez e da oferta de moeda na economia, representando o dinheiro utilizado nas actividades correntes. Quando os cidadãos emprestam dinheiro dos depósitos aos bancos, significa que aumenta a oferta de moeda por haver mais dinheiro em circulação, ou seja, a base monetária cresce”, disse Júlio Matias, para explicar a previsão do Governo.

A mesma visão é partilhada pelo director de Política e População do Ministério da Economia e Planeamento, Celso Borja, segundo o qual "o aumento das transacções deve ser proporcional ao volume de dinheiro em circulação”, de modo que a previsão do crescimento do PIB "vai implicar a expansão da base monetária”.

A revisão apresentada por Milton Reis projecta, para o sector real, um crescimento do Produto Interno Bruto de 0, 2 por cento beneficiado de uma expansão do sector não petrolífero de 5,9 por cento, apesar do recuo esperado do sector petrolífero, incluindo o gás, de -11. 6 por cento.

No sector fiscal, a previsão é de um excedente de 3,4 por cento do PIB, ao contrário da perspectiva de um défice de .2,5 por cento antecipada no Orçamento Geral do Estado, bem como a diminuição do rácio Serviço da Dívida/Receitas Fiscais em 23 pontos percentuais face às expectativas do  OGE.

Os dados avançados pelo secretário de Estado apontam para um saldo superavitário na ordem de  7 661,2 milhões de dólares no sector externo, reflectindo uma melhoria em relação ao valor de 871, 9 milhões de dólares observado  em 2020.

"As  previsões das variáveis macroeconómicas indicam para um melhor desempenho em 2022, com realce para a produção de petróleo, em que se antevê a manutenção da recuperação da actividade económica, sendo que o PIB deverá crescer 2,4 por cento, em decorrência do crescimento de 1,3 por cento no sector petrolífero e de 3,1 no não petrolífero”, disse.
 
Indicadores de crescimento

Factores como preço médio de exportação do petróleo bruto   entre 50 e 55 dólares, a perspectiva de aumento da produção, apesar da tendência de declínio derivada a maturação de alguns campos (incremento de cerca de 18 mil barris por dia) são alguns dos principais pressupostos para o resultado acima descrito.

O secretário de Estado reforçou as previsões com os dados das Contas Nacionais do segundo trimestre de 2021 divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE),  com o indicador a apontar para um crescimento do PIB de 1,2 por cento em termos homólogos, devido ao crescimento do sector não petrolífero em 6,9 por cento, não obstante a contracção do petrolífero, incluindo o gás (cerca de 12 por cento).

O desempenho positivo teve como fundamento as actividades ligadas o sector das Pescas (104,2 por cento), Transportes e Armazenagem (80,4), Comércio (14, 5), Serviços de Intermediação Financeira Indirectamente Medidos (8,9), Correios e Telecomunicações (8,6), Intermediação Financeira e Seguros (5,5), Administração Pública, Defesa e Segurança Social Obrigatória (5,0), Serviços Imobiliários e Aluguer (5,0 por cento), Electricidade e Água (2,4) e Produtos da Indústria Transformadora (1,4).

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