Opinião

Luto nos Camarões, alegria nas Comores !

António Félix

Jornalista

O futebol é arte limpa e só não é assim quando é tocado por actos e factos que o acinzentam, uma s vezes por escândalos a que assistimos durante os jogos, noutras por factores extra-campo, como as tragédias vivenciadas por adeptos.

26/01/2022  Última atualização 04H20
Chaker Alhadhur tornou-se herói nacional nas Ilhas Comores © Fotografia por: DR
 É o caso da consternação e comoção porque está a passar por estes dias os Camarões, por conta da debandada mortal à entrada Sul do Estádio Olembé, durante a partida entre a Selecção daquele país e as Comores.


 As causas do facto já fazem correr notícia pelo mundo fora - há quem diga que o oceano de adeptos foi maior que a capacidade do Estádio - mas no país há quem aponte culpa às autoridades administrativas e políticas que, alegadamente, naquele dia, almejavam "casa" cheia, daí terem  desenvolvido uma ampla campanha de partilha gratuita de bilhetes, para o povo ver os Leões Indomáveis a dilacerar com alta goleada às Ilhas Comores.

 Se a causa foi esta, então julgo que  quer a CAF, quer a FIFA, devem investigar e identificar os responsáveis da tragédia.
 Fora isso, as ilhas Comores estão fora do CAN desde a última segunda-feira, mas deixaram o perfume do seu futebol e, mais do que isso, o "aviso" de que podem crescer e aparecer como manda a lei no CAN de 2023, na Côte d´Ivoire.

 Quando estava-se a  menos de um mês do início do CAN  - esse  maior torneio de prestígio em África - as Ilhas Comores anunciaram, oficialmente, uma Selecção de  26 jogadores para representar aquela terra  de  ilhéus,  que jogam sob as rédeas do técnico Amir Abdou.  As Ilhas Comores até à penúltima actualização do ranking continental, estavam no 38º lugar, mas era, pelo menos para mim, inimaginável prever que esta Selecção chegasse aos Camarões com genica para bater o pé, no seu grupo, o C, as  selecções de peso como o Marrocos, o Ghana e o Gabão.  Eu vi, diante destas selecções adultas, o senhor Amir Abdou e os seus rapazes desinibidos em campo. Além da coesão colectiva, o  jovem Faiz Selemani  deu nas vistas. Despertou a atenção dos estudiosos do futebol africano e "olheiros" forasteiros que aportaram os Camarões, vindo fora de portas...

 Porque, aos olhos de todos, estas Ilhas Comores que até rumam para Camarões com menos pressão, mas, diga-se, já com um elogio pelo desempenho impressionante nas eliminatórias de acesso à fase final do CAN - aumentaram o seu  nível de exibição, gerando expectativa de jogo em jogo.

Isto não seria possível se ele e seus pares nesta Selecção de futuro não nos regalasse com uma mescla de juventude e experiência.  Eu gostei de ver também - porque não são jogadores com pernas de pau - as actuações do guarda-redes Kassim M'Dahoma, que, actualmente,  actua na formação do Avranches de França e também do capitão Nadjim Abdou, a jogar, igualmente, no Martigues de França.  Afinal nas Ilhas Comores e sua diáspora há "craques de verdade", que sabem   jogar futebol de primeira água!

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