Cultura

Lura vai passar pelo Coliseu de Lisboa

A cantora de origem cabo-verdiana Lura promete uma viagem pelo seu percurso musical de 25 anos no espectáculo que vai levar ao palco do Coliseu de Lisboa no próximo dia 12, no qual não faltará o batuku, nem alguns atrevimentos musicais.

02/11/2021  Última atualização 08H35
Cantora cabo-verdiana tem agendado um show para o dia 12 © Fotografia por: Miguel A. Lopes | LUSA
Em entrevista à agência Lusa no palco que dentro de dias estará iluminado para receber a autora e intérprete de "Nha Vida”, Lura disse que este espectáculo será "muito especial”, pois tem a intenção de contar um pouco da história da sua vida, através da música.

Com uma passagem pelos temas mais conhecidos e antigos, com os quais atravessou fronteiras e pisou alguns dos mais importantes palcos internacionais, este espectáculo contará ainda com algumas actualidades sonoras, como o tema "Blá Blá Blá”, lançado recentemente e que fará parte do novo álbum da cantora, que sairá no próximo ano.

"Comecei a cantar temas escritos por mim, em crioulo e português, com esta dualidade sempre muito presente. Entretanto conheci Cabo Verde, apaixonei-me por Cabo Verde, pelas histórias. Conheci grandes compositores cabo-verdianos, pessoas com histórias cujos temas encontravam-se com o imaginário que eu criei durante a minha infância, o imaginário do que seria Cabo Verde, através das histórias que os meus pais me contavam”, explicou.

E prosseguiu: "Acabei porque querer cantar as histórias de Cabo Verde, através dos poemas que fui conhecendo e o percurso musical acabou por ser um pouco guiado por isso”.
"Foram uns cinco discos a contar estas histórias e a andar pelo mundo a contar essas histórias”, disse.

Para Lura, o disco que mais marcou o seu arranque internacional foi "Di Corpo Ku Alma” (2006), embora acredite que o "Nha Vida” (1996) seja sempre o seu "cartão de visita”.

 ""Nha Vida” foi um disco muito importante, primeiro porque foi completamente despretensioso, foi feito de coração, escrito aos 18, 19 anos. Entretanto lancei-o aos 21 anos, aquela idade quase da inocência, que é o início de vida, em que tudo é paixão, tudo é maravilhoso, tudo é novidade”, referiu.

Pelo meio, o contacto mágico com a "diva dos pés descalços”. "A Cesária Évora terá sempre um lugar muito especial na minha vida musical e pessoal. "Nha Vida” foi o tema que Cesária ouviu pela primeira vez e esse tema fez despertar o carinho que ela sempre demonstrou por mim.

E depois a nossa convivência, que foi mágica, foi maravilhosa. Foi uma sorte imensa que tive de tê-la encontrado, porque o grande legado que ela me deixou foi essa paixão por mostrar a nossa arte e a nossa música a todos quantos nos queiram ver, com muita dignidade, com muita paixão, com amor com dedicação e isso vai ficar para sempre”.

Com Cesária Évora, Lura interpretou o tema que escreveu para a sua diva: "Moda Bô” ("Como Tu”, em crioulo).
Lura partilhou palcos com muitos outros cantores, mas destaca a música "Barco di Papel”, que gravou com o cantor e músico de jazz Richard Bona.

"Um dueto que me marcou especialmente foi com Richard Bona, porque foi completamente inesperado. Assisti à paixão de Richard a Cabo Verde e encontrámo-nos num terreiro das batucadeiras e foi muito interessante”, disse a cantora.

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