Sociedade

Luanda: Ruas da Baia viram praças

A entrada principal de acesso ao Mercado Municipal do KM-28 está praticamente encerrada. No desvio da Estrada de Catete para o espaço comercial estão montadas barreiras policiais, com a presença de agentes da corporação e cones no chão.

12/04/2020  Última atualização 20H57
Eduardo Pedro | Edições Novembro © Fotografia por: A nossa equipa de reportagem constatou a venda de vários produtos principalmente agrícolas

Sem justificações plausíveis, os visitantes à zona, que dá igualmente acesso aos bairros circunvizinhos ao mais conhecido por “Mercado do 30”, localizado no Distrito Urbano da Baia, município de Viana, são aconselhados a regressar à procedência.
Outros, para conseguir transpor a barreira, usam todas as artimanhas possíveis. Mas, as forças da Ordem, no terreno, impedem quase sempre tais tentativas. Pelo menos, em quase 30 minutos, a reportagem do Jornal de Angola testemunhou que, num grupo de 20 veículos, apenas três tiveram acesso permitido à estrada que dá para o mercado.
Embora a entrada esteja barrada, pode-se verificar a saída de dezenas de viaturas, muitas delas transportando produtos comprados nas cercanias do espaço comercial. É que centenas de vendedores invadiram as ruas mais largas das zonas da Casa Branca e do João Luís e transformaram-nas em autênticas praças, depois do encerramento do mercado, há já uns dias, por medidas de precaução.
Para escapar aos efectivos, os compradores/clientes entram pelas ruas que estão antes da entrada principal do mercado, guiados por jovens e adolescentes que prestam o trabalho de carregadores de cargas. Com esses rompem várias ruas e ruelas para atingir a zona dos matadouros, onde começa a venda de todo o tipo de produtos alimentícios.
Nestes espaços, em que os vendedores são controlados por um grupo de jovens a quem pagam uma taxa de mais ou menos 100 kwanzas, pela ocupação do espaço, as medidas de prevenção para evitar a propagação da Covid-19 não são tidas em conta.
Os apertos e empurrões são constantes, o que anula, desde já, o apelo da necessidade do distanciamento recomendado de, pelo menos, um metro por pessoa. Cada um grita e espirra na direcção que der, mesmo quando não se cruza o braço para a direcção da boca ou das narinas.
Para a maioria dos visitantes/clientes, o uso de máscara e, alguns, até, de luvas é visível. Mas, entre os vendedores, inclusive, para as senhoras que comercializam carnes, esses utensílios são vistos. Também não divisamos o uso, em grande escala, por ambulantes nem pelos cicerones dos compradores.
Pela circulação de vários carros e de pessoas, as zonas que circundam o Mercado Municipal do KM-28 ganharam outra dinâmica. Ficaram mais agitadas, mais poeirentas, também. Por lá, talvez, por ser algo incomum, muitas crianças, expostas fora dos quintais, ainda gritam e acenam para os automobilistas de alegria quando se deparam com o grande volume de veículos que por lá transitam.

Pensões e hospedarias
Para evitar a propagação do vírus, muitas instituições do ramo hoteleiro ou similares preferiram encerrar as portas. É o caso de várias pensões e hospedarias do Capalanga, Benfica, Morro Bento, Palanca, Golfe, Viana e Cacuaco.
Responsáveis dessas instituições explicaram que o encerramento temporário dos serviços tem a ver com o facto de terem constatado o incumprimento de medidas de prevenção de alguns clientes, que, mesmo tendo encontrado condições para a lavagem das mãos com água e sabão ou desinfecção com álcool e gel, optam por ignorar esses mecanismos de protecção. Dado os riscos que os funcionários igualmente corriam, os proprietários e gestores de pensões e hospedarias proferiram encerrar os serviços, embora a redução de clientes seja igualmente apontada como um dos factores.

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