Sociedade

Luanda registou mais de 12 mil crimes

A capital do país registou, no primeiro semestre deste ano, 12.728 crimes, sendo os contra a propriedade os mais cometidos (cerca de 60 por cento), revelou o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Delegação do Ministério do Interior na província de Luanda.

02/08/2019  Última atualização 08H02
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Mateus Rodrigues disse que Luanda só tem 21 mil agentes

Ao intervir numa mesa redonda sobre “A problemática da criminalidade em Luanda”, promovida pela “Oficina de Conhecimento”, uma iniciativa do docente universitário Osvaldo Mboco, Mateus Rodrigues sublinhou que a província de Luanda conta apenas com cerca de 21 mil efectivos policiais, para um total de oito milhões de habitantes.
Muitos crimes ocorridos na capital, não chegam ao conhecimento deste órgão do Ministério do Interior, porque a população ainda não informa, com regularidade, as autoridades.
“O que se passa em Luanda é que ainda não temos a colaboração necessária da população, no que diz respeito à denúncia dos crimes”, frisou Mateus Rodrigues que disse haver um registo diário de menos de 100 participações, o que, no seu entender, é pouco, dada a quantidade de crimes registados. “As informações criminais não chegam todas à Polícia Nacional, razão pela qual o órgão direcciona a sua acção em função do que tem como informação”, salientou, para acrescentar que o cidadão precisa perceber a im-portância da sua participação neste processo.

Atacar as causas

O sociólogo Sebastião Merlen apontou a falta de emprego e a ineficácia de algumas políticas públicas voltadas para a urbanização, iluminação das vias públicas e dos bairros periféricos como causas para o aumento da delinquência em Luanda.
“O combate ao crime ainda é vítima da lógica que passa pelo combate das consequências e não das causas”, realçou o sociólogo, para quem é necessário inverter o paradigma.
Para o jurista Aguinaldo Ramos, de nada adiantará ter leis agravadas e cadeias bem fortificadas se não se apostar antes na prevenção dos crimes. “Temos primeiro que trabalhar na base. O que nos falta é educação caseira e escolar”, aclarou.
O psicólogo forense Fernandes Manuel entende que o índice de criminalidade em Luanda é resultado do êxodo populacional. Na sua visão, se não existir evolução do ponto de vista de infra-estruturas, será difícil falar de estabilidade criminal.

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