Economia

Luanda: Mercado funciona fora do “30”

Há pouco mais de três semanas de quarentena nacional, decreta para prevenir a expansão da doença provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), o mercado a céu aberto do “Quilómetro Trinta” continua funcional, mas, agora, a uns quilómetros do local habitual de venda.

17/04/2020  Última atualização 15H16
Vigas da Purificação| Edições Novembro © Fotografia por: Verdura e fruta diversificada sofreram aumento considerável de preços no principal mercado distribuidor de Luanda

Por isso, à chegada no entroncamento para acesso ao mercado, ouvem se gritos dos “roboteiros” (nome dado a carregadores informais de mercadoria) a orientar: “Cota, Cota, a entrada do mercado agora é por aqui”. O “Mercado do Trinta”acabou de ficar há alguns quilómetros da área habitual, apenas para fugir o controlo policial imposto para conter a Covid-19.Também, as viaturas acabam por ficar a uma distância pouco aconselhável, que esforça os compradores a seguirem por meio de um outro táxi ou motorizada, para chegar no novo local. 

Em época de isolamento, a equipa constatou que, apesar do mercado permanecer em funcionamento em toda a sua extensão, lá só há produtos alimentares e de primeira necessidade. No local, foi possível aferir que a população continua a desrespeitar o Estado de Emergência, pois, o cenário não mudou e tudo continua como se nada estivesse a acontecer. O mercado continua abarrotado de gente e as pessoas circulam sem o mínimo de protecção possível, como máscaras e luvas.

“Ó minha filha, não tenho dinheiro para comprar luvas toda hora. O que faço, se ficar em casa também os produtos estragam!” – exclama uma das vendedoras, que na ocasião informou que vende todos os dias da semana.

Preços alterados

O levantamento feito pela equipa do JÁ mostra que os preços dos produtos registaram um aumento exagerado, chegando alguns a duplicarem, como se pode aferir na caixa de batata rena de 20 quilogramas, que agora custa 12 mil kwanzas, quando antes era despachada a 6.500.
Antes da crise do coronavírus o saco de dez quilogramas de cebola custava 3.500 kwanzas e hoje chega a valer 7.500 kwanzas, registando um aumento de 114,28 por cento. Independentemente da qualidade, o quilograma de feijão saiu dos 700 kwanzas para 1.300.

O cenário se estende por todos os produtos. Até um quilograma de arroz ou de açúcar sofreu alteração. Actualmente, o arroz custa 550 kwanzas e o açúcar 450 kwanzas, enquanto referência do Km 30respectivamente, indicador de um crescimento de 100 kwanzas, o equivalente a 22,22 e 28,57 por cento, respectivamente.

As verduras e frutas também sofreram consideráveis aumentos. Só para citar, o balde de tomate custa 4.500 kwanzas, contra os dois mil que foi comercializado antes da quarentena. A justificativa dos revendedores, é a de que os preços também subiram nos locais de revenda “e não temos como não subir também, para tirar algum lucro”.

Táxi

O método de transporte de passageiro parece estar a respeitar a regra de distanciamento entre as pessoas, exigida pelas autoridades sanitárias, para prevenir o contágio por Covid-19.
As autoridades determinaram que, durante a quarentena, os transportes públicos e privados devem apenas levar um máximo de um terço de pessoas, da lotação total de cada veículo, no âmbito do Estado de Emergência decretado com a entrada no país de pessoas infectadas pela Covid-19.
Os táxis transportam duas pessoas, em cada quatro lugares. Porém, o preço aumentou de 150 para 300 kwanzas, alteração que acaba por cobrir os assentos sem passageiro.

Água cara

Em meio à pandemia do novo coronavírus, os consumidores que dependem da água por cisternas denunciam um aumento de preços, numa altura em que, nos bairros, o produto está a ficar raro. Por exemplo, uma cisterna de 10 mil litros está a ser comercializada a 18 mil kwanzas, contra os 13 mil antes praticados há poucos dias.
A zona do Km 30 é umas das que ainda não beneficia do abastecimento gratuito dado pela Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) e, por força disso e para sobreviver, a população é obrigada a comprar cisterna, para ter acesso imediato a água.
Para o cidadão Cristóvão Manuel, casado e com sete filhos por sustentar, a situação é preocupante e apela o Estado a zelar pela situação, por não ter capacidade financeira que suporte tamanhos gastos. “Agora nós passamos todos os dias em casa e consumimos mais. Só este mês, já reabasteci o meu tanque e sendo a água tão importante, torna-se complicado economizar para outras coisas”.
Os camionistas estão a se aproveitar a quarentena para subirem preços e não há razão, quando o Estado vende a um preço abaixo de seis mil kwanzas a cisterna.

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