Cultura

Luanda acolhe Festival de Cinema Pan-Africano

Mais de 50 filmes de diversos países de África poderão ser vistos durante a primeira edição do Festival Internacional de Cinema Pan-Africano de Luanda, que abre hoje, às 18h00, no Anfiteatro Wyza, na Fundação Arte e Cultura.

23/11/2022  Última atualização 08H39
Cineasta Filipe Jaime e o cartaz do filme que abre a festa de cinema africano na capital do país © Fotografia por: DR
Para a abertura, a organização agendou a apresentação de dois filmes, uma curta-metragem de ficção, intitulada "Dorlis”, e uma longa-metragem, "A viagem de Talia (Le Voyage de Talia)”. Os filmes serão exibidos em diversos locais da cidade, como na Mediateca de Luanda, no Salão do Sahara, em Viana, e na Mediateca do Cazenga.    

Segundo  o cineasta Filipe Jaime, de nome artístico "Ne Kunda Nlaba”, esta primeira edição só é possível devido aos apoios prestados por diversas instituições que acreditaram na beleza e capacidade da produção cinematográfica africana, sendo a edição inaugural Angola, por já existir vários festivais de cinema pan-africano que se realizam em vários pontos do mundo.

Quanto à preparação, garantiu que tem tudo organizado para a festa do cinema africano, que se prolonga até ao próximo domingo.

"Fizemos de tudo para que pudéssemos ter uma primeira edição que atraísse mais gente para o festival,  por ser também um sinal claro da valorização da cultura africana, apresentando um conjunto de obras belíssimas que realçam a sua história e vida das suas populações através do cinema”, destacou.

Nesta primeira edição tivemos mais de 2321 filmes inscritos oriundos de vários países do mundo,  dentre eles da África do Sul, Nigéria, Bélgica, Brasil, Estados Unidos e mais outros, perfazendo um total  de 36 países representados.

"Desejamos muito mais formação e aprendizado, bem como muita união entre cineastas africanos espalhados pelo mundo, que lutam por uma melhor valorização do cinema africano, e quem sabe assim chegar a um nível muito bom, sendo uma indústria cinematográfica respeitada a nível mundial. Por outro lado, queremos mostrar aos líderes africanos que com o apoio é possível fazer que o cinema ajude muito no desenvolvimento  do continente”, almeja.

O projecto é da autoria do Instituto Pan-Africano de Luanda - Kongo Bizizi Academy, que segundo Ne Kunda Nlaba tudo começou em 2019, mas foi adiado por causa da pandemia da Covid-19.

Para esta primeira edição, será homenageado Óscar Micheaux, o primeiro cineasta negro da história, com a exibição de alguns filmes da sua autoria. Com a pretensão de uma periodicidade anual, o produtor almeja incluir na agenda de futuras edições nomes como Ousmane Semeble, Spike Lee e outras referências do cinema africano que estão na agenda da produção.

Serão seleccionados cerca de 50 filmes com temática e produção africana e esperam-se filmes de curta (menos de 49 minutos) e longa-metragem (mais de 50 minutos), com histórias de ficção e documentário. Das categorias em disputa, disse, destacam-se filmes de animação e produção em línguas africanas.

O produtor realçou dois prémios, o Kwanza Award e Kimpa Vita Award, o principal ou seja aquele que reunir a maior pontuação em todas as categorias e o segundo para os filmes inspirados em histórias de revolucionários africanos de forma a honrar o espírito heróico de líderes africanos.

O PAFF 2022 surge na sequência de iniciativas como o Festival de Burkina Faso e outros países africanos, assim como os que acontecem em Los Angeles, Toronto e outros pontos da diáspora africana. Para a realização, o Kongo Bizizi Academy conta com a parceria da Fundação Arte e Cultura.

Ne Kunda Nlaba é produtor, realizador, roteirista, actor, professor de Cinema e politólogo africano, nascido na cidade de Kinshasa (República Democrática do Congo). Detentor de um mestrado em Artes do Cinema e Televisão pela Birkbeck University de Londres, e de um certificado universitário em Produção e Estudo Cinematográfico pela Universidade de West London, igualmente certificado em Produção da Indústria de Mídia pelo Lambert College de Londres, e de uma graduação em Ciências Políticas e Administrativa pela Universidade Cristã Cardeal Malula de Kinshasa (RD Congo).

Ne Kunda Nlaba é proprietário e gestor principal da empresa de produção cinematográfica denominada Labson Bizizi-Cine Kongo Limitada e da empresa de distribuição de filmes Afrika Bizizi Distribution Ltd baseadas em Londres e em Kinshasa.  Fundador e professor de cinema da Kongo Bizizi, "Instituto Pan-Africano da Cinema”, mentor de Bizizi Box e igualmente membro da Guilda  Produtores do Reino Unido e da Produtora Guild (PGGB). Artista engajado, tendo passado pelo teatro, o rap, a dança contemporânea, a fotografia, a rádio e a televisão, e reúne toda essa experiência e longo percurso para exprimir a sua visão do mundo e também para se conectar não somente com o público africano, mas também com o maior público do mundo, através das suas obras cinematográficas. Conta fazer do filme um remédio que poderá fazer viver o homem mais tempo possível. Fez a sua primeira aparição cinematográfica como actor principal na curta metragem "Um Virus na Escola” de Alain Ndotoni, em 1999. Na sua carreira, já actuou em muitas peças de teatro.

Katiana Silva

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