Opinião

Lixo na Rua

Sou morador do bairro Rangel e escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre o lixo. Trata-se de uma modesta carta que visa enaltecer o trabalho dos operadores das empresas de recolha e gestão dos resíduos sólidos que nas ruas de Luanda fazem de tudo para manter limpa a cidade.

24/07/2019  Última atualização 09H10

Felizmente, os amontoados de lixo que se verificavam na cidade e nos seus bairros periféricos deixaram de se verificar com o impacto que se notavam. Era muto lixo de ponta a ponta, de contentor em contentor, parecendo que as empresas responsáveis pela limpeza se tinham isentado dos seus compromissos. As alegações eram sempre as mesmas, nomeadamente a falta de pagamento em tempo útil por parte das instituições do Estado. Mas na verdade, o Estado atrasa, mas paga, logo parece pouco justificável a ideia de que a falta de pagamento inviabiliza o funcionamento de algumas operadoras. Trabalham sem um fundo ? Enfim, mas importa mesmo é que, hoje, melhor que ontem, as ruas de Luanda parecem melhor tratadas pelas operadoras de limpeza. Não temos muitas hipóteses quando se trata do lixo porque a saúde depende também e fundamentalmente da higiene do espaço em que nos encontramos. termino, reafirmando as minhas palavras iniciais de encorajamento às operadoras de limpeza.
ANTÓNIO MENDES, Rangel


A situação na Catalunha
Sou espanhol residente em Angola e gostaria partilhar algumas linhas, neste espaço de “Cartas do Leitor”, para falar um bocado sobre o meu país, o passado e o presente. Quando, em 1977, após quarenta anos de ditadura, a Espanha realizou as primeiras eleições democráticas, muitos pensaram que estava a começar uma nova era. E assim foi. Nascia uma democracia que, embora instável, se fortalecia com o passar do tempo. Como o ditador morreu na cama e a transição foi feita com a aprovação dos seus lacaios, as principais instituições estatais permaneceram nas suas mãos. Desde então, a sombra do franquismo surgiu muitas vezes, mas foi claramente evidenciada quando os catalães decidiram realizar o referendo de autodeterminação. Durante anos, os catalães foram ignorados, vetados e desprezados pelo Governo espanhol e foi o próprio povo catalão que pressionou os seus dirigentes para organizar o referendo. A resposta da Espanha foi a que se sabe: testosterona e repressão. Os chamados 'constitucionalistas', fervorosos defensores da pátria hispânica (que por acaso são os mesmos que na década de 1970 eram contra a Constituição), não hesitaram em inventar qualquer desculpa para criminalizar os independentistas. Para um constitucionalista vale tudo para salvar a pátria, incluindo mesmo violar as suas próprias leis. Chegaram até a alterar o resultado da vontade popular da Catalunha nas eleições autónomas, espanholas e europeias! Esta é a triste realidade na Catalunha: alguns dos políticos eleitos nas urnas foram vetados e aqueles que não o foram não têm real poder de decisão. Dois exemplos actuais (entre centenas de outros semelhantes): os tribunais espanhóis anularam a lei catalã contra a alteração climática e o imposto catalão sobre as bebidas açucaradas. Em caso de ainda haver alguma dúvida, na Catalunha governam os juízes.
GUIFRÉ ILLA, Benfica

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