Economia

Linha ferroviária passa para a gestão dos CFB

A linha dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) foi definitivamente devolvida ao Estado angolano na quinta-feira, no Lobito, no fim de dez anos de obras de reabilitação e modernização empreendidas pela China Railway-20.

05/10/2019  Última atualização 15H54
Jesus Silva | Edições Novembro © Fotografia por: Reabilitação eleva de desempenho da empresa que detém 48 locomotivas e 66 carruagens

Representantes do Estado e do empreiteiro chinês coincidiram em que a linha está apta para o transporte de mercadorias e passageiros.
As obras abarcaram 1 344 quilómetros, do Lobito ao Luau, fronteira com a República Democrática do Congo, incluindo a reabilitação e a edificação de pontes, passagens hidráulicas, estações, apeadeiros, sistemas de telecomunicações e sinalização, electricidade, água e outras infra-estruturas.
O director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola, Ottoniel Manuel, referiu que a qualidade dos projectos aprovados e os testes aos equipamentos comprovaram a sua conformidade com os requisitos internacionalmente exigidos nas operações e circulação ferroviária.
Na cerimónia, que decorreu a bordo de uma carruagem de primeira classe, na Estação dos CFB do Lobito, o vice-governador de Benguela, Leopoldo Muhongo, destacou a passagem efectiva da linha para a gestão dos CFB e considerou que o processo de reabilitação permite colocar a província como uma “porta aberta” para a internacionalização.
Adiantou que a linha férrea, com todas as infra-estruturas e equipamentos para o transporte de passageiros e mercadorias, “vem renovar a esperança das populações e aliviar o sofrimento de centenas de milhares de famílias que vivem nas regiões por onde passa.”
Leopoldo Muhongo afirmou que, com a entrega, o Conselho de Administração da empresa ferroviária fica com “responsabilidades acrescidas”, devendo empenhar-se na consolidação da obtenção de know how e a rentabilização de todo o investimento feito ao longo do Corredor do Lobito, que envolve outros actores, como o Porto Comercial.
O director-geral da multinacional chinesa, Han Shu Chen, disse, no acto de entrega, que a linha férrea “está preparada”para atender o fluxo de passageiros e mercadorias durante os próximos anos e garantiu que a empreiteira vai continuar a prestar assistência técnica à linha ferroviária. “Ainda temos equipas permanentes ao longo da linha para trabalhos dos CFB, pois é importante iniciar o processo da manutenção”, acrescentou.
Sublinhou que os CFB transformaram-se num “corredor internacional que liga os oceanos Atlântico e Índico”, atraindo o comércio de parte considerável de África e recordou a passagem, em Julho, do comboio de luxo de um operador de turismo sul-africano, Rovos Rail, que atravessou a Tanzânia, Zâmbia e a República Democrática do Congo até ao Lobito, utilizando essa linha.
Han Shu Chen declarou que “este troço ferroviário foi o mais confortável e seguro do comboio turístico, provando que a linha estava em condições para ser entregue ao Governo angolano.”

Obra de grande dimensão

Considerada obra de grande dimensão, com um custo estimado em 1,8 mil milhões de dólares da linha de crédito da China, a reabilitação da linha ferroviária foi adjudicada pelo Governo à CR-20, em Janeiro de 2006, tendo as obras iniciado dois anos depois. Em 2015, foi inaugurado o troço Luena/Luau.
Entre o litoral e o Luau (Moxico), próximo da RDC, foram construídas ou reabilitadas 67 estações dos CFB, que possuem 48 locomotivas adquiridas à norte-americana General Electric e 66 carruagens para várias classes.
Espera-se que, no limite, o transporte anual de mercadorias atinja os 20 milhões de toneladas e o de passageiros quatro milhões.
*Com Angop

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