Sociedade

Líderes religiosos condenaram os actos de vandalismo e arruaças

Flávia Massua | Saurimo

Jornalista

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe CEAST, José Manuel Imbamba considerou na segunda-feira, em Saurimo, que o surgimento de atitudes “terroristas inevitáveis" no país é reflexo de "um vazio de diálogo entre governados e governantes".

13/01/2022  Última atualização 09H50
© Fotografia por: DR
O prelado católico que falava em exclusivo para o Jornal de Angola, apelou aos políticos a trabalharem com uma perspectiva de unidade, para o alcance do bem comum e revitalização das mentes,  em detrimento do " notável empenho  em prol da visibilidade dos partidos que lideram".

Ao comentar sobre os incidentes ocorridos há dois dias em Luanda, o representante máximo da Igreja católica na região leste considerou "uma vergonha para os angolanos. "Condeno com todas as energias”, referiu, por demonstrarem "violência, intolerância e petulância, contra bens públicos indispensáveis para a vida de todos e da dignidade das pessoas". Provam a fraca capacidade dos jovens para discutirem com urbanidade as preocupações.

Imbamba aponta para a necessidade urgente de criação de canais onde possam circular todas as ideias e tendências. Lembrou que a história "é um contínuo caminhar e as circunstâncias estão propensas à transformação,” através de uma adequação de postura dos governantes, em relação à fórmula aplicada até ao momento para  concretizar os anseios das populações.

Acrescentou que os cenários vistos nos últimos tempos alertam para o "perigo de instabilidade política e divisão entre os povos”. Para o religioso, são comportamentos condenáveis, por mancharem a imagem do país e susceptível de  afectar o ambiente eleitoral.

Valorizou os apelos de paz e harmonia  que o Presidente da República fez durante a última  conferência de imprensa e defende celeridade nas iniciativas para tirar as populações da "gravíssima situação de pobreza social e antropológica a que estão afundadas”. 

Por seu turno, o líder da  Assembleia de Deus Pentecostal ADP, Manuel Chilima, enquadra a situação no formato bíblico, como "mensagens dos últimos tempos, em que a terra mostra o seu lamento, através das atitudes dos homens”. Exortou, pelo facto, aos governantes à reflexão profunda para tirarem lições proveitosas sobre o comportamento dos jovens que, reiteradamente, agem com violência em actos reivindicativos.

O pastor presidente da região leste, entende que atitudes com traços criminais, de extremismo, arruaça e desordem, em nada ajudam o jovem com algum favoritismo partidário, pelo contrário, prejudica a sua personalidade, o seu carácter e dá provas de instabilidade comportamental na sociedade.

Para o secretário do Conselho Provincial da Juventude CPJ, Salmo Candala, o direito à manifestação é expressamente salvaguardado na Constituição da República de Angola (CRA), pelo que, todos os cidadãos, organizados, colectiva ou individualmente, dispõem deste direito. Transcendem os limites legislados, quando existem elementos criminais e que prejudiquem as instituições e pessoas singulares.

Na província da Lunda-Sul, embora em pequena escala, também acontecem actos de vandalização de bens públicos, com  realce para o sistema de distribuição de energia eléctrica. Esse comportamento, condenável a todos os níveis, considerou Candala, sugerem medidas mais contundentes por parte das autoridades afins, para banir iniciáticas do género.


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