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Líderes Herero e Nama recusam receber dinheiro

Os líderes tradicionais do povo Herero e Nama da Namíbia anunciaram ontem ter recusado uma compensação financeira do Governo alemão, avaliada em 1 bilião de euros, como parte de um acordo relacionado com a assumpção de responsabilidades pelo genocídio cometido entre 1904 e 1908. Segundo a Reuters, um desses líderes tradicionais, Tjipene Keja, exige igualmente o repatriamento de corpos das vítimas. “Não temos terra.

30/05/2021  Última atualização 05H20
A liderança das tribos namibianas contra a oferta alemã © Fotografia por: DR
Os brancos estão de posse da terra e os cidadãos alemães que também estão aqui estão de posse de terra, então esse dinheiro não significa nada para nós”, disse Tjipene Keja. Na sexta-feira, o Governo alemão havia anunciado um acordo com a Namíbia para "num gesto de reconhecimento do imenso sofrimento infligido às vítimas” a Alemanha apoiar a "reconstrução e o desenvolvimento” da Namíbia.
Num desejo de reconciliação, em 2019 a Alemanha entregou à Namíbia os ossos de membros das tribos exterminadas. Um gesto considerado claramente insuficiente pelos descendentes e pelas autoridades namibianas que exigiram um pedido oficial de desculpas e indemnizações. A Alemanha opôs-se repetidamente a isso, citando os milhões de euros em ajudas ao desenvolvimento concedidas à Namíbia desde a independência em 1990.
As tribos Herero representam agora cerca de 7 por cento da população da Namíbia, em comparação com os 40 por cento no início do século XX.


A ocupação alemã de territórios actualmente pertencentes à Namíbia teve lugar entre 1884 e 1915. A 12 de Janeiro de 1904 houve uma primeira revolta dos hereros contra o domínio colonial alemão, seguida, em Outubro, pela revolta da população Nama.
Estima-se que os soldados do imperador Guilherme II tenham exterminado 65 mil hereros de uma população de 80 mil e, pelo menos, 10 mil dos 20 mil namas.
Em Novembro de 2019, o Parlamento alemão referiu-se,  pela primeira vez, da palavra "genocídio”na Namíbia.

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