Economia

Líderes globais num encontro angolano de vocação africana

A Conferência Angola Oil & Gas 2019 reúne de hoje a quinta-feira, em Luanda, mil delegados oriundos de África, Estados Unidos, Eu-ropa e Médio Oriente a discutir a nova estrutura do sector do petróleo e gás em Angola e os caminhos para o estabelecimento de uma indústria mais competitiva e rentável.

04/06/2019  Última atualização 08H04
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O presidente de uma das instituições que organizam a conferência, a Câmara de Energia Africana (CAE), NJ Ayuk, considerou em declarações ao Jornal de Angola que o evento constitui uma oportunidade única de obter conhecimento aprofundado sobre a dinâmica actual do mercado e dos parceiros angolanos com vista a construir projectos de sucesso.
O presidente da Câmara de Energia Africana (CAE) definiu o encontro como “uma porta para todos os investidores e interessados em investir na indústria de petróleo e gás em Angola e um momento para redefinir estratégias para o sector em África”.
Na sua opinião, a Associação dos Países Produtores de Petróleo Africano (APPO), que organiza a conferência, desempenha um papel fundamental na construção de uma cooperação energética africana mais forte e crucial para desenvolver o mercado. “Existem inúmeras oportunidades que podem ser criadas com um forte diálogo energético africano, tanto a nível governamental e das empresas”, indicou.
Ao opinar sobre a dimensão africana da conferência, o investigador do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (UCAN), José de Oliveira, considerou que este tipo de encontro, que junta empresas de petróleo nacionais e estrangeiras e representantes de companhias que ainda não trabalham no país, pode ajudar a resolver a problemática da conjuntura menos favorável da indústria em Angola e noutras partes.
NJ Ayuk chegou a declarar os países africanos que devem procurar em reuniões como a que inicia hoje em Luanda, as estratégias para elevar a produção de gás para níveis que ajudem a fornecer electricidade e outros recursos para mais de 1,2 mil milhões de habitantes do continente.
Para este especialista, os investidores e empresários africanos devem apostar no gás, que é o futuro das economias produtoras de petróleo.

Em véspera da expansão

O advogado e especialista em assuntos energéticos, NJ Ayuk olha para o mercado angolano pelas boas perspectivas de crescimento no domínio dos hidrocarbonetos, mas considera que a produção só deve aumentar dentro de três ou quatro anos. “Projectos recentes, que estão em andamento, devem conseguir suster o declínio da produção, mas levará alguns anos até que os níveis de produção realmente vejam um aumento”, acentuou.
Na sua opinião, o declínio das reservas de petróleo em Angola deve testemunhar uma tendência inversa, em função dos actuais investimentos e o apetite dos investidores pelas concessões petrolíferas. “Acredito que 2019 e 2020 serão fundamentais para o mercado angolano e, nesse sentido, estaremos atentos à resposta dos investidores e às reformas em andamento”, referiu.
O sector petrolífero de Angola ainda representa cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e mais de 90 por cento das exportações, o que NJ Ayuk afirma ser uma vulnerabilidade, mas também uma oportunidade. “Os preços do petróleo estão agora relativamente estabilizados e as reformas actuais trazem estabilidade fiscal e macroeconómica em Angola. A melhor estratégia é alavancar o sector petrolífero para apoiar a recuperação económica e a diversificação”, disse.
O especialista reforça que as reformas em curso estão a traduzir-se numa indústria petrolífera angolana mais transparente e eficiente, à medida que o sector cresce e distribui as suas receitas para outros sectores da economia. “As maiores iniciativas que os países africanos podem adoptar para suas indústrias de petróleo e gás estão relacionadas com a importância ao conteúdo local”, defendeu.
Embora não se tenha uma previsão da produção até 2025, NJ Ayuk considera importante tornar o sector mais inclusivo e participativo, com maior abertura para a juventude e as mulheres. “O desenvolvimento de um forte conteúdo africano é o pilar para a construção de indústrias de energia sustentáveis que beneficiem todos, que apoiem o crescimento das pequenas empresas e estimulem o empreendedorismo”, avançou.
NJ Ayuk acredita que An-gola está no caminho certo, que implementou as reformas certas e obtendo capacidade para atrair e envolver investidores credíveis e capazes de gerar oportunidades de negócio para os empreendedores. “Angola, como o segundo maior produtor de petróleo de África, chama a atenção de outros mercados e tudo o que acontece aqui não passa despercebido”, acrescentou.
Para o responsável, Angola adoptou uma boa estratégia de reforma no sector petrolífero que se baseia na confiança dos investidores que deve ser clara e vinda do topo de liderança política do país. “O lançamento da estratégia de licenciamento de petróleo vem ao encontro das preocupações dos investidores que lidam com o processo”, contou.
Quanto a gestão da Sonangol, acentuou que as companhias petrolíferas africanas precisam ter um mandato mais definido e claro, concentrando-se nas principais áreas de negócios, considerando prejudicial as boas práticas de gestão quando as empresas acumulam papéis de entidade comercial e reguladora da indústria. “O Go-verno entendeu reestruturar a Sonangol retirando-lhe as suas responsabilidades de licenciamento, porque esse tipo de estrutura cria muitas ineficiências na boa governação e no funcionamento da indústria petrolífera local”, disse.

Agenda global

De acordo com o programa, ao qual o Jornal de Angola, o presidente executivo da África Oil and Power, Guillaume Doane, faz hoje a abertura do primeiro painel da conferência com o tema “A nova dinâmica global do petróleo e gás”, onde participam ministros dos vários sectores da economia angolana e de países da região.
Está prevista a participação dos ministros dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, do Petróleo do Sudão do Sul, Ezekiel Gatkuoth, e de Minas e Hidrocarbonetos da Guiné Equatorial, Gabriel Obiang Lima.
Para este tema, que en-volve a indústria petrolífera mundial, são esperados pronunciamentos dos ministros dos Petróleos do Niger, Foumakouye Gado, e das Obras Públicas, Infra-estruturas, Recursos Naturais e Meio Ambiente de São Tomé e Príncipe, Osvaldo Abreu, bem como o secretário-geral do Fórum Internacional de Energia, Sun Xiansheng.
É esperada uma intervenção do presidente executivo da petrolífera francesa Total, Patrik Pouyanné, sobre temas ligados à operação das companhias internacionais de petróleo em Angola.
O papel das mulheres na indústria energética vai ser apresentado pela embaixadora do Reino Unido em Angola, Jéssica Hand, e a representante da ExxonMobil, Pam Darwin, além de prelectoras de empresas petrolíferas com operações em Angola.
No programa, está preconizada a discussão de temas como “A nova estratégia do Executivo para o sector do petróleo e gás”, “Novas regras dos concursos de licitação de blocos petrolíferos e o papel da nova Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis” e “A reestruturação do modelo de upstream”.
Amanhã, estão previstos debates sobre “O sector financeiro e cambial e a indústria de petróleo e gás em Angola”, com discussões lançadas por representantes da Sonangol, Sahara Energy International e Puma Energy.
A organização considera que o evento, que decorre no Centro de Convenções de Talatona, assinala o início de uma nova era do sector do petróleo e gás, com o anúncio do concurso de licitação de blocos petrolíferos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.
Neste colóquio vão à debate o processo de regeneração da Sonangol, o mercado do gás natural e as oportunidades de investimento e participação de empreendedores angolanos.

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