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Líderes africanos procuram soluções para a paz no Sahel

Responsáveis de países da África Ocidental reuniram-se, ontem, com líderes europeus para debater a forma de encontrar soluções caseiras para evitar conflitos jihadistas no Sahel.

24/11/2022  Última atualização 08H11
Líderes africanos procuram soluções para a paz no Sahel © Fotografia por: DR
Os Estados costeiros como o Ghana, Benin, Togo e Costa do Marfim enfrentam crescentes ameaças e ataques de militantes islâmicos através das suas fronteiras do Norte com o Burkina Faso e o Níger.

O Presidente do Ghana, Nana Akufo-Addo, citado pela Efe, disse que o agravamento da segurança no Sahel "ameaça engolir toda a região da África Ocidental". O conflito no Sahel começou no Norte do Mali em 2012, espalhou-se para o Burkina Faso e Níger em 2015 e agora os Estados do Golfo da Guiné estão a sofrer ataques esporádicos.

O Ghana reforçou a segurança ao longo da sua fronteira Norte e até agora escapou de qualquer ataque transfronteiriço. Mas o Benin e o Togo, em particular, enfrentaram ameaças do outro lado das suas fronteiras Norte com o Burkina Faso.

 O Benin registou 20 incursões desde 2021, enquanto o Togo sofreu pelo menos cinco ataques desde Novembro de 2021.

"Há anos que falamos sobre o risco de contágio da ameaça terrorista do Sahel para os Estados costeiros. Hoje, isso não é mais um risco, é uma realidade", disse o presidente do Conselho da União Europeia (EU), Charles Michel, no final do encontro.

 Missões de paz francesas e outras operavam no Mali há quase uma década como um baluarte contra a propagação da violência. Mas, depois de dois golpes no Mali, a Junta Militar aumentou a cooperação com Moscovo e permitiu aquilo que os países ocidentais chamam de "mercenários russos” entrassem no país.

Isso levou a França a retirar as tropas implantadas na Missão Barkhane.

O Reino Unido e a Alemanha disseram, na semana passada, que também encerrariam as Missões de paz. Nos três países do Sahel, milhares de pessoas foram mortas, mais de dois milhões de deslocados e danos devastadores foram infligidos a três das economias mais pobres do mundo.

Ainda ontem, 14 pessoas, incluindo oito substitutos civis do Exército, foram mortas em dois ataques separados de grupos jihadistas no Norte do Burkina Faso,  segundo fontes locais e de segurança citadas pela AFP.

 "Indivíduos armados atacaram de madrugada a aldeia de Safi, localizada na comuna de Boala, perto de Kaya (Centro-Norte). Os Voluntários para a Defesa da Pátria (VDP, auxiliares civis do Exército) que foram directamente alvejados perderam oito efectivos", disse uma fonte de segurança à AFP.

Na Côte d’Ivoire, o julgamento do ataque terrorista na cidade marítima de Grand-Bassam, que matou 19 pessoas, incluindo cidadãos europeus, a 13 de Março de 2016, terá início a 30 de Novembro em Abidjan, anunciaram, ontem, fontes judiciais.

"Está previsto um julgamento" para 30 de Novembro perante o Tribunal Criminal, disse uma das fontes à AFP. De acordo com as fontes, a câmara de investigação do Tribunal de Recurso de Abidjan remeteu 18 pessoas ao Tribunal Penal por "actos de natureza terrorista relacionados com um empreendimento colectivo destinado a perturbar gravemente a ordem pública através de intimidação ou terror".

 De acordo com outra fonte judicial, quatro dos acusados estão actualmente em prisão preventiva, enquanto outros 12 foram absolvidos.

 

 

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