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Líder do PAIGC preparado para ser Primeiro-Ministro

Numa primeira reacção oficial aos resultados provisórios das eleições legislativas de domingo, o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, garantiu quarta -feira à noite que está pronto para ser Primeiro-Ministro na qualidade de líder do partido mais votado.

15/03/2019  Última atualização 15H47
DR © Fotografia por: Domingos Simões Pereira diz que o seu partido aceita os resultados das legislativas

“Na condição de presidente do partido escolhido pelo povo para governar o país, na condição de próximo Primeiro-Ministro da Guiné- Bissau, gostaria de dizer que o maior vencedor desta eleição é o nosso país”, afirmou Domingos Simões Pereira, na sede do partido em Bissau, num encontro com algumas
personalidades nacionais e estrangeiras, disse ao Jornal de Angola uma fonte diplomática acreditada na capital guineense.

Horas depois, Domingos Simões Pereira fez o seu primeiro discurso público após serem conhecidos os resultados eleitorais provisórios, no Salão Amílcar Cabral, agora na presença dos jornalistas e de dirigentes do seu partido, enquanto milhares de apoiantes aguardavam que fosse para o palco montado no exterior da sede do partido, para festejar a vitória.

De acordo com os dados divulgados pela comissão eleitoral, o PAIGC venceu as legislativas de 10 de Março com 46,1 por cento dos votos, mas só assegura uma maioria absoluta no Parlamento por via dos acordos eleitorais que disse ter assinado com alguns outros partidos.De acordo com a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o PAIGC conquistou 47 dos 102 mandatos do Parlamento, um número a que se somam os eleitos pela Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB, o quarto mais votado, com cinco deputados), União para Mudança (1 deputado) e Partido da Nova Democracia (1 deputado).

“O PAIGC aceita os resultados e está preparado para governar nos próximos quatro anos, num quadro de estabilidade com os partidos aliados e todos os que defendem os princípios democráticos, colocando mais uma vez os interesses da Guiné- Bissau acima de quaisquer outros interesses”, salientou
Domingos Simões Pereira naquilo que disse ser o seu “compromisso com o povo”.

MADEM contesta resultados

Opinião diferente, porém, têm os dirigentes do MADEM que numa conferência de imprensa, realizada depois de o PAIGC ter dito que respeitava os resultados provisórios que lhe davam uma maioria parlamentar, apelaram à calma entre os seus apoiantes e prometeram reagir, mas só após terem a resposta da Comissão Nacional de Eleições (CNE) às reclamações que disseram já ter oficialmente apresentado.

O director da campanha eleitoral, Marciano Barbeiro, disse aos jornalistas que o MADEM espera que a CNE “seja competente” para apreciar de “forma serena e tranquila” os elementos apresentados pelo movimento que, no seu entender, irão provar que os resultados eleitorais que lhe foram atribuídos
não são aqueles que, de facto, alcançou nas urnas.

Segundo Marciano Barbeiro, as Comissões Regionais de Eleições (CRE) não deram resposta a várias reclamações do seu partido, como indica a lei eleitoral, mas serão agora encaminhadas para a CNE.“Não temos motivos para pensar sequer que existirá alguém interessado em prejudicar o MADEM”, observou Marciano Barbeiro.

O representante na CNE do partido criado há oito meses, Queba Djaité, reforçou ainda que o MADEM “apenas está a fazer o que prevê a lei” guineense, em caso de desacordo com os resultados eleitorais.A lei eleitoral guineense aponta para que os resultados definitivos sejam publicados entre sete a dez dias após a votação. Mais de 602 mil eleitores votaram domingo para escolher o novo Parlamento da Guiné-Bissau entre as candidaturas apresentadas por 21 partidos políticos.

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