Economia

Líder do BAD apoia as reformas cambiais

O vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para a Integração e Desenvolvimento Regional considerou, na sexta-feira, que a desvalorização do kwanza decidida com a liberalização do câmbio, em Outubro, é parcialmente induzida pela política económica, que considerou ser a adequada.

17/11/2019  Última atualização 09H18
DR © Fotografia por: Sherif Khaled


“A desvalorização do kwanza é um processo pelo qual o Governo está a tentar liberalizar o regime económico, procurando uma maneira mais justa, eficiente e transparente de leiloar a aquisição e disponibilização de moeda estrangeira, e é uma das principais razões para ver este nível de depreciação”, disse Sherif Khaled em entrevista à Lusa em Abidjan, à margem da reunião extraordinária de governadores para aprovação do aumento de capital do BAD.
“Esta maneira é a forma certa de actuar, mas obviamente tem um efeito abrangente em toda a economia e é induzida parcialmente pela política do Governo para rectificar a situação actual”, acrescentou o alto funcionário do banco continental, descrevendo a situação anterior, em que havia uma limitação à oscilação da moeda, como um obstáculo ao crescimento.
“A contínua dependência do petróleo diminui as perspectivas de crescimento e tem um efeito directo na moeda local”, explicou Sherif Khaled, notando que a queda do kwanza nas últimas semanas “não é surpreendente”.
A nível de política económica geral, o vice-presidente do BAD aplaudiu as reformas lançadas pelo Executivo e disse que “há uma visão clara por parte do Governo da necessidade de diversificar a economia e torná-la menos dependente do petróleo”.
“Eles perceberam o problema e começaram a resolvê-lo de uma maneira que não víamos há muitos anos”, disse Khaled, quando questionado sobre se notava no Governo um empenho maior que no anterior.
“Sobre isso, o que posso dizer é que vejo neste Governo um reconhecimento do problema, uma visão para uma correcção coerente, e isso é muito encorajador, não só para o BAD, mas também para os nossos parceiros das instituições de financiamento multilateral como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional”, respondeu o vice-presidente do BAD.

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