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Líder da oposição vence presidenciais na Zâmbia

Confirmando aquilo que já se vislumbrava com a indicação dos resultados provisórios, o líder da oposição zambiana, Hakainde Hichilema, foi, ontem, proclamado vencedor das eleições presidenciais do passado dia 12, com uma diferença de, aproximadamente, um milhão de votos em relação a Edgar Lungu, Presidente cessante, que já aceitou a derrota e felicitou o novo líder do país.

17/08/2021  Última atualização 08H00
Hakainde Hichilema (à esquerda) teve uma vitória folgada sobre o Presidente cessante © Fotografia por: Jaimagens/fotógrafo
"Declaro Hakainde Hichilema como Presidente eleito da República da Zâmbia”, disse o presidente da Comissão Eleitoral , Esau Chulu, citado pela France Press.
Edgar Lungo já admitiu a derrota e felicitou  Hakainde Hichilema, 59 anos, que venceu com mais de 2,8 milhões de votos, e se torna o sétimo Presidente da República. Lungu, que governou o país desde 2015, deixou um agradecimento aos zambianos "pela oportunidade” de ter ocupado a Presidência. "Procurei servir o meu país da melhor forma possível”, disse.

O empresário, também conhecido por "HH” ou "Bally”, venceu o Presidente em exercício, Edgar Lungu, que governa o país desde 2015, num escrutínio que registou uma elevada afluência às urnas.
Hichilema, do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), obteve um total de 2.801.757 votos, contra 1.814.201 de Lungu, da Frente Patriótica (PF), segundo a Comissão Eleitoral.

 Esta foi a terceira vez que Hichilema enfrentou Lungu nas urnas. Em 2016, perdeu por apenas 100 mil votos.
A participação de mais de 70 por cento da população confirmou o entusiasmo por estas eleições, durante as quais algumas mesas de voto permaneceram abertas até às 05h00 da manhã, para permitir que os eleitores que esperavam em filas desde o final da tarde pudessem votar.

Antes do pronunciamento da Comissão Eleitoral, Edgar Lungu alegou que a eleição não era livre nem justa devido a incidentes de violência relatados no que é tradicionalmente reconhecido como o principal reduto de Hichilema.
  Lungu alegou, em comunicado,  que os agentes eleitorais do seu partido foram atacados e perseguidos dos locais de votação.

Por seu lado, o porta-voz da oposição, Charles Melupi, tinha apelado na manhã de domingo ao Presidente cessante para que admitisse "rapidamente” a derrota, numa altura em que os resultados provisórios já apontavam para a vitória de Hichilema.

 
Apelo à calma

Domingo à noite, Hichilema pediu, através de uma publicação na rede social Twitter, calma aos seus apoiantes. "Votámos pela mudança, por uma Zâmbia melhor, livre de violência e discriminação. Sejamos a mudança em que votámos”, concluiu.

Milhares de partidários de Hichilema reuniram-se, durante a madrugada de domingo,  nas ruas de Lusaka, eclodindo em música e dança em apoio ao recém-eleito Presidente Hakainde Hichilema.
Gary Nkombo, responsável pela campanha da candidatura vencedora, disse à Reuters que no que diz respeito a Hichilema, "não há absolutamente nada para comemorar”, já que o país tem muitos desafios pela frente.

"É um momento muito emocional para alguns de nós, mas também estamos atentos ao que aí vem. O povo da Zâmbia repôs a autoridade para dar resposta aos problemas deste país. Portanto, temos de lidar com este assunto de uma forma muito cautelosa. Não deveria haver qualquer excitação”.

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