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Líder da oposição contraria a construção de oleoduto

A construção de um oleoduto planeado para exportar petróleo do Uganda, provavelmente, consolidará o já longo Governo do Presidente Yoweri Museveni, disse, esta segunda-feira, o líder da oposição, Bobi Wine, opondo-se ao projecto cada vez mais controverso. Wine, cantor e ex-legislador que concorreu à Presidência em 2021, é o ugandense mais proeminente a opor-se ao oleoduto da África Oriental que enfrentou ventos contrários enquanto activistas pressionam a TotalEnergies da França e o seu parceiro chinês para se retirar.

29/11/2022  Última atualização 05H00
Infra-estrutura vai ligar campos de petróleo no Oeste do país ao Porto de Tanga na Tanzânia, nno Ocêano Índico © Fotografia por: DR

A legislatura da União Europeia aprovou uma resolução no mês passado pedindo que a Total Energies atrasasse o trabalho no oleoduto em, pelo menos, um ano, citando violações de direitos e receios ambientais. Activistas dizem que o oleoduto aquecido de 1.443 quilómetros para ligar campos de petróleo no Oeste do Uganda ao porto de Tanga, na Tanzânia, no Oceano Índico- viola o espírito do Acordo Climático de Paris. Eles estão a tentar impedir que a União Europeia (EU) forneça fundos para o projecto.

Wine, cujo nome verdadeiro é Kyagulanyi Ssentamu, disse no mês passado que apoia a posição do Parlamento da UE, provocando a reacção de alguns que o acusaram de não ser suficientemente patriota.

No entanto, em entrevista ontem à AP, Wine negou as acusações e afirmou que Museveni seria "perigoso” com a riqueza do petróleo à sua disposição, observando que o deslocamento forçado de moradores para abrir caminho para o oleoduto espelharia os seus próprios maus-tratos como activista político.

"Enquanto falamos agora, há graves violações dos direitos humanos que estão a acontecer”, disse. "Até que tenhamos um líder que preste contas ao povo, até que a liderança seja transparente e responda ao povo, até que a liderança que temos seja de facto uma liderança servidora, o nosso petróleo pode esperar”, disse ele.

 O oleoduto é uma questão delicada para Museveni, que certa vez falou do "meu petróleo” e cujo Governo acredita que os petrodólares tirarão da pobreza muitos dos 45 milhões de habitantes do país. Reagindo à resolução dos legisladores da UE, Museveni alertou no mês passado que, se a Total Energies "escolher ouvir o Parlamento da UE, encontraremos outras empresas com quem trabalhar”.

  Autoridades políticas estão indignadas 

A oposição ao oleoduto provocou indignação entre outras autoridades ugandenses que dizem que interrompê-lo prejudicaria os interesses económicos do país. Estima-se que o Uganda tenha reservas de petróleo recuperáveis de pelo menos 1,4 bilhão de barris. A Total Energies e a China National Offshore Oil Corporation disseram, em Fevereiro, que o investimento total seria de mais de 10 biliões de dólares.

As receitas do petróleo, segundo disse recentemente o Governo, serviram para melhorar algumas infra-estruturas nacionais. Ainda, ontem, onze estudantes morreram e outros seis ficaram em estado grave após um incêndio ter deflagrado numa escola para cegos no centro de Uganda. Segundo a Reuters, os incêndios escolares são relativamente comuns no Uganda” e "frequentemente atribuídos a cabos defeituosos”.

 Entretanto, as duas vacinas experimentais contra o vírus Ébola vão começar a ser distribuídas, no Uganda, dentro de "duas semanas", anunciou, ontem, um funcionário da Organização Mundial de Saúde. As vacinas desenvolvidas pelo Instituto de Vacinas Sabin, sediado nos EUA, e pela Universidade de Oxford, Reino Unido, "estão prontas para serem enviadas" para o Uganda, que se encontra, neste momento, a finalizar protocolos para o estudo antes que a Autoridade Nacional de Medicamentos emita licenças de importação, disse Yonas Tegegegn Woldemariam, representante da OMS no Uganda, citado pela Efe.  O Uganda, que enfrenta actualmente um grave surto de Ébola de estirpe sudanesa, espera centenas de milhares de doses de vacinas que irão reforçar um esforço na resposta ao combate do vírus. O avanço destas vacinas é particularmente urgente, já que a estirpe do Sudão não tem, até agora, vacinas com eficácia comprovada.

Com localidades ainda em regime de confinamento, Woldemariam sublinha que a acção de combate principal ainda se deve centrar, sobretudo, na identificação dos contactos com o Ébola e no envolvimento da comunidade. "Estamos a aproximar-nos cada vez mais da distribuição de vacinas", disse. "Isto é um estudo. Este é apenas mais um instrumento que vamos tentar".

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