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Líder da Junta promete entregar o poder aos civis

O mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o Burkina Faso encerrou, ontem, uma visita de 24 horas ao país na sequência do golpe de Estado de sexta-feira passado, o segundo em oito meses. Mahamadou Issoufou encontrou-se com o novo homem forte do país, o capitão Ibrahim Traoré.

06/10/2022  Última atualização 05H50
Traoré liderou o golpe que depôs Sandaogo Damiba que chegou ao poder pela mesma via © Fotografia por: DR

Falando à imprensa após a reunião, o mediador da CEDEAO reafirmou o compromisso da organização africana com o povo burkinebe do restabelecimento da estabilidade  do país. "Relataremos o resultado da nossa missão ao actual presidente da CE-DEAO e aos Chefes de Estado. Posso garantir que a CEDEAO continuará a acompanhar este processo", disse Mahamadou Issoufou, mediador da CEDEAO para o Burkina Faso.

Durante a reunião, o novo líder do Burkina Faso prometeu manter os compromissos assumidos em Julho pela liderança anterior em relação à organização de eleições e ao retorno dos civis ao poder até Julho de 2024, o mais tardar.

Na sexta-feira, militares, sob liderança do capitão Ibrahim Traoré, 34 anos, assumiram o poder no Burkina Faso, que até então estava nas mãos de uma Junta Militar chefiada pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba.

 Damiba tinha afastado do poder, em Janeiro deste ano, Marc Roch Kaboré, Presidente eleito, por, alegadamente, ter sido incapaz de travar os ataques dos insurgentes fundamentalistas contra a população civil.

O novo líder burkinabe  alega que dirigiu o Golpe de Estado porque o anterior chefe da Junta não teve "firmeza e foi incapaz de equipar as Forças Armadas para o combate eficaz contra  os terroristas”.

 No domingo, após mediações de líderes comunitários e religiosos do Burkina Faso, Henri Damiba renunciou às funções de Chefe de Estado e líder da Junta Militar, cargo agora assumido por Troaré, tendo horas depois viajado para o Togo.

Entretanto,  as escolas públicas do país, que estavam encerradas desde o golpe, reabriram ontem.

Nos últimos dias, os seguidores de Traoré agitaram bandeiras da Rússia , a qual, dizem, ter pedido apoio militar para combater os jihadistas, como  fez, o país vizinho Mali, que assinou acordo   com o Grupo Wagner para a defesa do seu território.

O Grupo Wagner, acusado de ser uma entidade que treina terroristas, ao serviço da Rússia, foi incriminado por vários  crimes, entre os quais tortura e assassinato na República Centro África (RCA) .

Embaló convoca Cimeira Extraordinária

O Chefe de Estado da Guiné-Bissau, na qualidade de presidente em exercício da Comu-

nidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Umaro Sissoco Embaló, convocou uma Cimeira Extraordinária da organização, para 13 a 14 do mês em curso, para debater a segurança sub-regional, anunciou, ontem, a Presidência guineense.

Segundo a informação avançada na página oficial do Facebook da Presidência da Guiné-

Bissau e citada pela Lusa, a Cimeira  deverá decorrer em Dakar,  Senegal, e contará com a presença dos principais parceiros internacionais da sub-região.

"A cimeira  vai abordar profundamente a questão da Segurança, tendo em conta os golpes de Estado registados no Mali, República da Guiné e Burkina Faso, e as acções terroristas desencadeadas por jihadistas em países da África Ocidental e Central", lê-se na nota.

" Na procura de uma estratégia e de acções concertadas entre os países da CEDEAO e os seus principais parceiros , o General Umaro Sissoco Embaló, deslocou-se, segunda-feira, a Paris, onde manteve um encontro  com o francês, Emmanuel Macron, cujo tema centrou-se na actual situação política que se vive na África Ocidental e Central”, sublinha a Presidência da Guiné-Bissau.

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