Economia

Liberalização leva à convergência do câmbio

Em Outubro, o kwanza depreciou-se em 16 por cento face ao dólar, no auge de um processo de desvalorização que levou a moeda angolana a acumular perdas de 31 por cento face às duas principais divisas internacionais (dólar e euro) de Janeiro até àquela altura.

31/12/2019  Última atualização 14H07
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Quando, a 24 daquele mesmo mês, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, anunciou a liberalização do câmbio, atribuiu as acentuadas perdas do kwanza a um cenário em que havia “uma procura superior à oferta”, sem que houvesse um elemento a regular essa relação, o que acabou por conduzir a um aquecimento do mercado informal de câmbios.
A situação, acrescentou José de Lima Massano, criou “espaço para que operações legítimas sejam realizadas em canais informais” e para a formação de um mercado cambial alternativo absolutamente especulativo, gerando distorções no funcionamento da economia.
Peritos da unidade de análise económica da revista britânica “The Economist” escreveram, depois, que o rastilho da erosão do kwanza tinha-se dado em Setembro, quando o BNA retirou o limite de 2,00 por cento na formação da taxa de câmbio.
“A retirada do limite de 2,00 por cento, que terá acontecido no princípio de Setembro, foi o gatilho provável para a repentina depreciação do kwanza, e não um aumento da procura de importações nas vésperas do Natal nem uma falta de dólares devido ao combate às actividades criminosas”, escreveram os peritos da Economist Intelligence Unit (EIU).
No terceiro dia útil posterior à liberalização do câmbio, anunciada a 24 de Outubro, os bancos comerciais compraram, em leilão de divisas, 138 milhões de euros de uma colocação de 150 milhões, numa primeira indicação da tendência confirmada semanas depois, das dificuldades do mercado cobrir a oferta de divisas no mercado primário.
Os bancos começaram a oferecer taxas de câmbio inferiores à base de licitação proposta pelo BNA, ao mesmo tempo que o mercado paralelo revela incapacidade de oferecer mais kwanzas pelas duas divisas, numa nova evidência de que se está diante de uma tendência de estabilização do mercado cambial.
A 10 de Dezembro, pouco mais de um mês depois da liberalização do câmbio, o Jornal de Angola noticiou que o diferencial entre as taxas dos mercado secundário (casas de câmbio) e do mercado informal era, no dia anterior, de apenas 8,37 por cento para o dólar e 4,28 por cento para o euro.
Esses números comparam-se com os do início da reforma, em Janeiro de 2018, quando o diferencial cambial para o dólar entre as casas de câmbio e o mercado informal situava-se em 61,1 por cento.
Um ano depois, em Janeiro do ano em curso, a diferença diminuiu para 15,5 por cento, até situar-se em pouco mais de 8,00 por cento nos primeiros 45 dias posteriores à liberalização do câmbio. Relativamente ao euro, no início do ano de 2019, o diferencial era de praticamente 15 por cento, caindo, no começo de Dezembro, para algo mais de 4,00 por cento.
Os peritos do FMI que em Novembro estiveram em Angola para a segunda revisão do Programa de Financiamento Alargado (EFF, sigla inglesa) escreveram um relatório, publicado a 20 de Dezembro, em que consideram que a flexibilização da taxa de câmbio deverá ter efeitos benéficos na eficácia dos instrumentos de política monetária.
Os benefícios, apontaram, recaem sobre “as operações em mercado aberto, necessárias para reforçar a âncora nominal, reduzir o risco de distorção da intermediação financeira, facilitar a acumulação de reservas, apoiar a competitividade externa e a diversificação económica, bem como encurtar a diferença entre a taxa oficial e a paralela.

 

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