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Líbano: Ministros e deputados abandonam os cargos

Quase uma semana após as duas explosões no porto de Beirute, que causaram, pelo menos, 158 mortos e mais de seis mil feridos, destruindo bairros inteiros da capital libanesa, as autoridades locais, acusadas de corrupção, negligência e incompetência atestada nas manifestações de rua, ainda não conseguiram responder à principal questão.

11/08/2020  Última atualização 13H20
DR © Fotografia por: Presidente libanês, Michel Aoun

E a questão é bem simples: por que razão uma enorme quantidade de nitrato de amónio - segundo o Primeiro-Ministro libanês, Hassan Diab, eram 2.750 toneladas - estava armazenada há seis anos no porto de Beirute, bem no centro da cidade, sem as necessárias medidas de precaução?

A situação agravou-se, sobretudo depois de o Presidente libanês, Michel Aoun, cada vez mais contestado, ter rejeitado uma investigação internacional e de as autoridades de Beirute não terem ainda avançado informações sobre a evolução do inquérito em curso.

Mais, na sequência do endurecimento da contestação popular, com manifestantes a ocuparem brevemente, sábado, vários ministérios em Beirute, dois ministros apresentaram, domingo, a demissão: a da Informação, Manal Abdel Samad, e do Ambiente, Damianos Kattar.

Depois, foi a vez de nove deputados fazerem o mesmo. Já ontem, foi a vez da ministra da Justiça, Marie-Claude Najm. "As demissões dos ministros não são suficientes. Devem prestar contas", disse à agência France-Press (AFP) Michele, uma jovem manifestante que lamentou a morte de uma amiga na sequência das explosões.

"Queremos um tribunal internacional para que nos diga quem a matou, no caso de (o Governo libanês) querer dissimular a questão", acrescentou a jovem.

A imprensa local admite que outras demissões poderão seguir-se às dos três ministros e lembra que, se forem sete as demissões, cai obrigatoriamente o Executivo.

Hassan Diab admitiu que está pronto a demitir-se das funções, dando um prazo de dois meses para que os partidos políticos do país se entendam ou convocará eleições antecipadas.

Nas manifestações do fim-de-semana, os contestatários apelaram a uma "vingança" contra uma classe política totalmente desacreditada.

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