Entrevista

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Lembranças de um antigo combatente da FNLA

Jaquelino Figueiredo | Mbanza Kongo

Jornalista

Com a voz trémula e dificuldades de locomoção, consequência de um Acidente Vascular Cerebral, apoia-se a uma muleta canadiana.

18/11/2021  Última atualização 12H05
Pedro Massumo “Bússola” © Fotografia por: Garcia Mayatoco | Edições Novembro
 Pedro Massumo, 86 anos, conhecido nas lides militares por "Bússola, mostra que a  memória continua bastante lúcida. Com paciência,  conta, com orgulho, a sua façanha, enquanto integrante da UPA/FNLA e a sua participação na conquista da Independência Nacional.

Apesar de ter sido um simples soldado da FNLA, Bússola começou cedo. Antes de entrar para a guerrilha, na década de 60, havia cumprido o serviço militar obrigatório no Exército colonial português entre 1954 e 1958, que o permitiu adquir uma vasta experiência.

Hoje, afirma que,  quando chegar o momento de partir para outra dimensão da vida, será de forma pacífica, por ter participado directamente na luta armada que culminou com a conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, que restituiu a dignidade aos angolanos.

Fala de "fraco reconhecimento a maior parte dos antigos combatentes e veteranos da pátria”, mas garante que, só, de ver os filhos, netos e bisnetos a viverem numa Angola livre, constitui uma satisfação incomensurável.

"Só o facto de os meus filhos terem suas casas, fruto da liberdade conquistada há 46 anos, constitui uma grande vitória e satisfação para mim. Ver, hoje, os meus netos e bisnetos livres já é tudo para mim, até porque a idade já não permite sonhar. A única minha tristeza, hoje, com os meus 86 anos, é saber que irei morrer numa casa de renda, por não ter minha própria”, acrescentou.

Para Bússola, o valor de 23.000 kwanzas que recebe todos os meses é insuficiente para sobrevivência."É de lamentar, porque nesse dinheiro sai a saúde, alimentação e roupa”, acrescentou.

Quanto à batalha de Kifangondo,revela que, após a proclamação da Independência Nacional, no dia 11 de Novembro de 1975, o líder histórico da FNLA, Holden Roberto, havia orientado a tropa toda a recuar, porque a liberdade representava o objectivo da sua luta, uma vez alcançada, já não se justificava a continuidade da guerra naquela altura.

"O recuo das tropas havia sido ordenado pelo próprio Holden Roberto, uma vez que, já se havia atingido o objectivo principal da luta, que era a conquista do país, com a proclamação da Independência Nacional, por isso, as forças da ELNA/FNLA não participaram mais na guerra fratricida, que não teve vencidos nem vencedores”, revelou Pedro Massumo.

Na sua opinião, a questão do Holden Roberto, não era quem proclamasse a Independência Nacional. Mesmo não ter sido a FNLA a proclamá-la, o fundamental, para ele, tinha-se alcançado o objectivo da luta, a liberdade de Angola naquele dia 11 de Novembro de 1975.

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