Economia

Kwanza recupera valor face a moedas externas

O kwanza entrou numa trajectória de apreciação, depois de altos níveis de desvalorização registados a partir do 23 de Outubro, afirmou, ontem, em Luanda, o vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA).

15/11/2019  Última atualização 07H03
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Até ontem, níveis de valorização rondavam os 9 por cento

Tiago Dias, que falava, ontem, em conferência de imprensa, disse que a apreciação da moeda nacional resulta das medidas adoptadas após a liberalização da taxa de câmbio.
Entre as medidas adoptadas, destacou o aumento da oferta de divisas (moeda estrangeira convertível) no mercado e o controlo do kwanza em circulação na economia.
No dia da liberalização da taxa de câmbio, lembrou, cada dólar era transaccionado a 497 kwanzas (câmbio do BNA), mas ontem (dia 14) estava a 457,83 por cada dólar. “Isso representa uma apreciação de quase 9 por cento”, sublinhou.
Manuel Tiago Dias mostrou-se optimista quanto à normalidade das actividades dos agentes económicos que terão, no seu entender, repercussões positivas sobre a economia.
As medidas, adiantou, prevêem, consequentemente, benefícios para os consumidores, depois dos ajustamentos necessários.
O responsável acrescentou que a economia e o mercado cambial estavam totalmente “desequilibrados”, tendo lembrado que se registaram em 2018 várias operações pendentes em termos de regularização junto da banca comercial, que nesta fase começa,paulatinamente, a registar alterações.
A intenção do Banco Central é fazer com que as oscilações que a taxa de câmbio registar no futuro não sejam assim tão acentuadas, mas que se situem em patamares que permitam aos agentes económicos prever o futuro com mais cautela.
A taxa de câmbio ditada pelo BNA é determinada pela lei da procura e oferta.
A regularização das operações passadas, a transparência introduzida no mercado cambial, que passou pela comunicação pública dos montantes que o BNA se predisponha a colocar na economia e a realização periódica de leilões, são, entre outras, medidas que estão a contribuir para o equilíbrio do mercado cambial e da economia, de acordo com Manuel Tiago Dias.
O vice-governador do BNA também falou, além da política cambial, sobre o relatório do índice de preços no consumidor nacional, referente aos meses de Agosto e Setembro de 2019, que teve um aumento de 1,45 por cento e uma variação homóloga acumulada dos últimos 12 meses de 16 por cento.
Em relação à alteração dos preços, referiu que depois das “ fortes perturbações” registadas a nível do mercado cambial, as diversas opiniões convergiram na previsão do aumento de preços na economia.
Passada esta fase, não obstante ter havido um aumento de preços, bastante limitado, o Banco Central está optimista em relação aquilo que pode vir a ser até final deste ano.
“Podemos aqui dizer que os preços subiram, mas de maneira mais branda, ao contrário daquilo que os observadores económicos esperavam”, disse.
O Índice de Preços no Consumidor Nacional registou uma variação de 1,45 por cento, durante o período de Agosto a Setembro de 2019.
O aumento foi mais acentuado nas províncias do Cuanza-Norte, com 1,69 por cento, Lunda-Sul, 1,63, Huíla,1,60, Uíge,1,56, Luanda, 1,55 e Cuanza-Sul, 1,45 por cento.
As províncias com menor variação foram as do Bengo, 1,27 por cento, Huambo, 1,22, Lunda-Norte, 1,20, Cuando Cubango, 1,19, Namibe, 1,15 e Cunene, 1,06 por cento.
A classe “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas” foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 0,72 pontos percentuais durante o mês de Setembro, seguida das classe de “Bens e Serviços Diversos,” 0,13 , “Vestuário e Calçado”,0,12 e “Habitação, Água, Electricidade e Combustíveis” com 0,11 pontos percentuais.
As restantes tiveram taxas inferiores a 0,11 pontos.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia