Sociedade

“Kulumbimbi” vai ser destino de peregrinação

Fernando Neto | Mbanza Kongo

Jornalista

A cidade de Mbanza Kongo, que alberga as ruínas do Kulumbimbi, berço do cristianismo em Angola, vai ser transformada, em breve, num destino de peregrinação religiosa, adiantou, este domingo, o arcebispo católico em Malanje, D. Luzizila Kiala.

23/05/2022  Última atualização 08H15
Com os retiros ao Kulumbimbi Igreja Católica quer promover os valores históricos de Mbanza Kongo © Fotografia por: DR

O prelado, também presidente da Comissão de Liturgia, Ecumenismo e Santuários da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), falava, em Mbanza Kongo, na missa de encerramento da XIII edição da Assembleia Nacional de Liturgia da Igreja Católica.

D. Luzizila Kiala considerou que a transformação do Kulumbimbi em local de peregrinação religiosa vai ser uma oportunidade para promover os valores históricos da cidade de Mbanza Kongo, considerada Património Cultural da Humanidade. "O facto de estarmos em Mbanza Kongo significa que estamos a contribuir para a divulgação e preservação do Património Cultural da Humanidade”, sublinhou o arcebispo, lembrando que, em 1991, celebrou-se os 500 anos da presença do cristianismo nestas terras.

"Nós, como Igreja, temos que privilegiar peregrinações a este local, porque é onde começou o cristianismo em Angola, através dos primeiros baptismos no Soyo e Mbanza Kongo”, realçou.

A CEAST, informou, instituiu uma comissão com o objectivo de identificar todos os monumentos e edifícios que dizem respeito à cultura e fé cristã, no sentido de resgatar, preservar e divulgar sítios como o Kulumbimbi.

D. Kiala, que co-celebrou a missa de encerramento da Semana Nacional de Liturgia com o arcebispo de Luanda D. Filomeno Vieira Dias, considerou que "a liturgia está intrinsecamente ligada aos aspectos culturais de cada povo”, daí, disse, a importância da Igreja conhecê-los para facilitar o processo de evangelização. "Para nós, é importante conhecer a cultura kongo, sobretudo do povo bakongo, para podermos transmitir a mensagem cristã e tentarmos, também, corrigir aquilo que não é correcto”, declarou o arcebispo, para quem "nem todos os aspectos de uma cultura são positivos”.

Por seu turno, o arcebispo de Luanda considerou o Kulumbimbi, enquanto primeira Igreja construída a Sul do Sahara, um local que revitaliza a história da fé cristã em Angola.

"O Kulumbimbi é um lugar cheio de histórias e memórias não apenas para Angola, mas também para África Subsariana. É o lugar que assinala a chegada do colonialismo ao Reino do Kongo, o primeiro reino a estabelecer contactos diplomáticos com o Vaticano, através do embaixador D. António Manuel ou Nsaku Ne Vunda”, lembrou.

Arcebispo apela à preservação da paz

O arcebispo de Luanda apelou, este domingo, aos homens e mulheres do país a serem verdadeiros construtores e cuidadores da paz, para que se promova a salvação do mundo.

D. Filomeno Vieira Dias fez este apelo durante a missa de encerramento da XIII Assembleia Nacional de Liturgia da CEAST, a que participaram o governador provincial do Zaire, Pedro Makita Júlia, sacerdotes, leigos e centenas de fiéis católicos.

"Irmãos e irmãs, abram os corações a este dom da paz, sede homens e mulheres de paz, construtores e cuidadores da paz”, exortou o prelado, para quem "esta é a beleza de Deus: a vida do homem e a salvação do mundo”.

D. Filomeno defendeu a extensão social da paz divina, na medida que proporciona aos homens esperança, presença, atenção e partilha. Trata-se de "uma paz que supõe luta, medos e fracassos aparentes, mas que, no fundo e no final de tudo, gera alegria. Uma alegria que não se mede apenas por bens materiais e sentimentos”, disse.

Defendeu que os filhos de Angola, sobretudo os cristãos, devem "evitar caminhar às cegas, tomarem decisões no meio de emoções e confusões, ou ainda, seguirem precipitadamente esta ou aquela opinião que os conduza a acções de violência ou perturbações sociais”.

"Pelo contrário, sejam pessoas com capacidade de discernimento e saibam acalmar os ânimos, baixar a poeira e, no silêncio, na intimidade da tua alma, analisar o melhor caminho, segundo a vontade do teu Deus”.

O arcebispo pediu aos presentes que rezassem para que os angolanos se mantenham no caminho certo, "um caminho da graça e da luz que nos inspire a actividades quotidianas sadias”.

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