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Kiev lamenta diferenças entre OTAN e União Europeia sobre adesão

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, lamentou hoje que a NATO nada tenha feito para a Ucrânia vir a aderir à Aliança Atlântica, ao contrário do que aconteceu com a União Europeia (UE).

04/07/2022  Última atualização 14H18
© Fotografia por: DR

Numa entrevista ao portal de notícias ucraniano LB.ua, Kuleba traçou um paralelismo entre a OTAN e a UE para considerar que a Aliança Atlântica continua a ter a posição que tinha antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em 24 de Fevereiro.

"A OTAN estava numa posição avançada em relação à UE, porque tinha pelo menos decidido que a Ucrânia se tornaria membro da Aliança e a UE nem sequer tinha uma perspectiva europeia para a Ucrânia", disse Kuleba, citado pela agência espanhola Europa Press.

Contudo, afirmou, "nos últimos quatro meses, a União Europeia avançou e já passou à segunda fase, enquanto a OTAN se manteve no mesmo lugar".

"Actualmente, não vejo os pré-requisitos para que a Aliança mude a sua política relativamente à adesão da Ucrânia", acrescentou.

A UE atribuiu à Ucrânia o estatuto de país candidato à adesão em 23 de Junho, na sequência de um pedido formalizado pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em 28 de Fevereiro, quatro dias depois da invasão russa.

Pouco antes da invasão, Moscovo exigiu à OTAN garantias de que não integraria mais países vizinhos da Rússia, incluindo a Ucrânia, e o regresso das forças aliadas a posições anteriores ao alargamento a membros da antiga União Soviética.

A OTAN (sigla em inglês da Organização do Tratado do Atlântico Norte) recusou as exigências, mas os seus dirigentes têm afirmado que uma adesão da Ucrânia nunca esteve em causa.

No início da guerra, a OTAN recusou pedidos ucranianos para que impusesse uma zona de exclusão aérea que impedisse os bombardeamentos russos, alegando que tal intervenção poderia desencadear uma guerra total entre o Ocidente e a Rússia.

Na cimeira de Madrid, na semana passada, a OTAN aceitou os pedidos de candidatura da Suécia e da Finlândia, dois países com fronteiras terrestres e marítimas com a Rússia, formulados na sequência da invasão russa da Ucrânia.

Para Kuleba, a entrada dos dois países nórdicos apenas realçou a contradição no argumento da OTAN sobre a sua relutância em permitir a adesão da Ucrânia por receio de perturbar Moscovo.

"Foi-nos dito: 'não podemos avançar para a fronteira, teremos uma fronteira comum com a Rússia'. (...) Eles têm agora 2.000 quilómetros de fronteira comum", disse.

"Toda a narrativa, tudo o que os parceiros individuais nos disseram sobre as razões pelas quais a Ucrânia não deveria aderir à OTAN, foi anulada com a adesão da Suécia e da Finlândia", criticou.

Kuleba também disse hoje à agência noticiosa Ukrinform que a Comissão Europeia já pôs em marcha "certos mecanismos" para trabalhar com Kiev na incorporação da Ucrânia na UE.

"A nível da Comissão Europeia, já estamos a começar a reflectir (...) sobre questões como o impacto que a adesão da Ucrânia terá nas políticas europeias", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.

Segundo Kuleba, também estão em curso discussões sobre questões como o número de deputados necessários no Parlamento Europeu ou em que medida a agricultura ucraniana poderá influenciar a política agrícola da UE.

A invasão da Ucrânia foi criticada pela generalidade da comunidade internacional.

A União Europeia e vários países ocidentais têm decretado sanções contra a Rússia e fornecido armas à Ucrânia.

 

 

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