Entrevista

Kátia Teixeira: “Obras do PIIM representam um ganho acrescido”

Caetano Júnior

Jornalista

Reconduzida, recentemente, ao cargo de administradora da Catumbela, Kátia Teixeira manifesta-se confiante com o progresso do mais jovem município da província de Benguela, que completa, hoje, mais um aniversário. A responsável justifica a sua confiança com as grandes empreitadas em curso nesta zona metropolitana de Benguela. “As obras do PIIM (Plano Integrado de Intervenção nos Municípios) representam um ganho acrescido para o nosso município”, disse a entrevista, ao Jornal de Angola, focando outros projectos como Combate à Fome e à Pobreza, que melhoram a condição da população da Catumbela.

05/10/2022  Última atualização 08H25
© Fotografia por: Cedida

Senhora administradora, o município está a completar mais um aniversário. Que sentimento lhe vai na alma nessa altura?

Como não podia deixar de ser, é um sentimento de enorme satisfação, pois, a luz dos vários projectos gizados pelo nosso Executivo, este jovem município vai dando passos rumo ao desenvolvimento sustentável. No meio de tudo, mantenho o ideal do nosso Governo de que "o mais importante é resolver os problemas do povo” (…).

Fala de projectos em curso na Catumbela. A esse respeito que comentário faz em torno do andamento das obras do PIIM a nível do município?

Como sabe, o PIIM tem como objectivo de materializar acções de Programas de Investimentos Públicos (PIP), de Despesas de Apoio ao Desenvolvimento (DAD) e de Actividades Básicas, com prioridade para as de carácter social, de modo a inibir o êxodo rural e promover o crescimento económico e regional mais inclusivo no país.  Nessa senda, a nível da Catumbela, foi inaugurada a escola da Gama e três estão em curso. Foi, também, inaugurado um posto de saúde no Biópio e em Kapalandanda. Já em relação aos postos de saúde da Marginal e da Damba Maria, na comuna da Gama, vão ser inauguradas agora, no âmbito das celebrações dos 11 anos da elevação da Catumbela a município. Está ainda em curso a construção do único posto de saúde da Praia do Bebé, assim como a terraplanagem de oito quilómetros da via que liga a comuna sede à Praia do Bebé, assim como outras 14 das vias terciárias da sede municipal. 

 O que representam essas obras para o desenvolvimento?

Uma vez concluídas, as obras que estão inseridas no âmbito do PIIM representam um ganho acrescido para o nosso município.

O que realçar relativamente ao fornecimento de água? 

O sistema de bombagem, tratamento e distribuição de água potável na parte litoral da província de Benguela e particularmente aqui na Catumbela está a ser melhorado, para se assegurar e melhorar o abastecimento do precioso líquido. São projectos elaborados para a redução do défice em cerca de 50%, que condiciona a satisfação das necessidades dos habitantes das zonas altas das sedes municipais, quer do Lobito, quer da Catumbela. Por outro lado, temos a Estação de Bombagem de Água Bruta (EBAB), que actualmente constitui uma das unidades críticas na operacionalidade de todo o sistema que abastece o litoral, tendo em conta que as bombas de elevada capacidade funcionam há 13 anos de forma ininterrupta e necessitam de intervenções profundas de manutenção. Isso permite melhorar o abastecimento de água na zona alta da Catumbela. Entretanto, há também outros projectos já identificados para captação da água a partir do Biópio, que, num futuro próximo, serão iniciados. O objectivo é satisfazer as necessidades dos novos aglomerados populacionais como dos Cabrais, mas também para levar água até ao ponto mais alto do Lobito e da Catumbela, respectivamente.

Pode nos dizer o orçamento desses projectos relativos ao fornecimento de água aqui na municipalidade?

É muito complexo falar aqui em orçamentos, pois estas intervenções, a nível dos projectos de abastecimento de água, têm uma cobertura em todo o corredor litoral da província de Benguela. Fala-se em intervenções estimadas em cerca de 71 milhões de dólares, que permitirão aumentar a taxa de cobertura actual que é de 50% para cerca de 94%. Uma oferta que garantirá às zonas altas o abastecimento regular de água 24/24 horas, como acontece já nas zonas baixas da Catumbela, mas contemplará benefícios para toda a faixa litoral de Benguela, como disse atrás. Por outro lado, a curto prazo, está gizado o Plano de Emergência de reposição da capacidade instalada do sistema de abastecimento de água que é de 5.400 m3/hora, que se foi perdendo ao longo dos anos por desgaste das bombas, situação que tem obrigado a intervenções redobradas das nossas equipas técnicas para assegurar os actuais níveis de distribuição. O Plano de Emergência em curso, além das bombas contempla componentes electro-mecânicos.

Já agora, o que lhe apraz comentar sobre as construções em zonas de risco?

Sobre esse aspecto procuramos encontrar soluções globais. Falamos de soluções globais, sempre no domínio da urbanização. É preciso respeitar a natureza porque numa linha de água pode não chover hoje, mas choverá amanhã ou noutro dia. Por isso mesmo, as autoridades do nosso município estão engajadas na construção das casas anunciadas depois da tragédia de Março de 2015. Tem-se feito limpeza de valas, com recurso aos meios disponíveis e são feitas periodicamente. Temos brigadas de mobilização que, de vez em quando, vão às igrejas aproveitar o momento do culto para moralizar os fiéis e desencorajar a ocupação em zonas de riscos.  Por outro lado, temos duas urbanizações, no caso a da Sagrada Esperança e Bela Catumbela, que depois de concluídas a infra-estruturação, vão ajudar-nos a resolver parte desses problemas. Temos fé de que vai correr tudo bem e acreditamos no nosso Governo, cujas palavras de ordem são "o mais importante é resolver os problemas do povo”. Por outro lado, é possível observar no município, precisamente no limite entre Lobito e Benguela, bairros construídos por debaixo das linhas de transportação de energia de alta tensão. As infra-estruturas económicas, como a Soba Catumbela, Coca Cola, Pumangol Catumbela, Base Aérea da Catumbela, Cimenforte são algumas das que representam perigo de explosão, incêndio e radioatividade. Por outro lado, várias bombas de combustível espalhadas pelo município constituem um risco permanente. 

A nível da protecção social, que actividades a Administração Municipal leva a cabo para reintegração dos antigos combatentes e veteranos da pátria?

A situação dos antigos combatentes e veteranos da pátria tornou-se uma preocupação das autoridades administrativas, pois exige a atenção dos governantes, no sentido de encarar, consolidar e concretizar o quadro legal aplicável, de forma a defender os valores fundamentais e proporcionar condições sociais adequadas aos que contribuíram para a estabilidade da actual sociedade angolana. Nesse sentido, a realidade actual constitui um grande desafio para a Administração Municipal da Catumbela, no sentido de encontrar mecanismos que facilitem a reintegração social dos antigos combatentes através do Programa de Combate à Fome e à Pobreza. Até aqui os resultados são animadores e motivo de orgulho, pois muitos destes antigos combatentes e deficientes de guerra, particularmente a nível do município da Catumbela, estão inseridos em várias actividades socialmente úteis.

 Que apoios pontuais têm sido prestados ao sector da agricultura, que se confronta com problema de irrigação dos campos, face ao baixo fluxo de distribuição de água que não é novo no canal adutor do rio?

Este canal, apesar de ser o principal que fornece água com regularidade, tanto para a actividade agrícola, quanto para o consumo das populações no litoral da província de Benguela, como frisou e bem, é de baixo fluxo. O reduzido fluxo de água no canal adutor principal do rio Catumbela é já cíclico, em decorrência da falta de chuva no interior da província em determinadas épocas. Com o nível hídrico abaixo dos valores referidos (cinco m3/s), criam-se constrangimentos na irrigação, sobretudo para os camponeses, daí que a prioridade seja, acima de tudo, o abastecimento de água às cidades de Benguela e do Lobito, incluindo as vilas da Baía Farta e da Catumbela, para o consumo da população. Por outro lado, muitos produtores queixam-se da falta de chuvas e isso reflecte-se, negativamente, em todas as culturas. Por essa razão, temos dado conta de que, nos últimos tempos, são periodicamente mobilizados camponeses para uma limpeza paliativa no açude (base de retenção de água), embora muito aquém do ideal para aumentar a fluidez de água e, principalmente, para a actividade agrícola. Não obstante o fluxo de água ter aumentado ligeiramente, ainda assim é insuficiente para a demanda, daí os camponeses da margem direita do rio Catumbela, os mais afectados, serem abastecidos de forma alternada. 

Qual é estimativa de camponeses no perímetro agrícola da Catumbela?

Podemos falar de um universo de 6 mil e 320 camponeses, bem como de 65 agricultores para um perímetro agrícola de cerca de 3.317 hectares de terras aráveis, que se estendem até à zona Norte da cidade de Benguela, sendo 520 hectares de milho, 539 hectares de hortícolas e 193 de banana.

PERFIL

Nome:

Kátia Maria Afonso Teixeira

 Naturalidade

Lobito

 Província

Benguela

 Formação

Licenciatura em Gestão Empresarial pelo Instituto Superior Politécnico de Benguela

 Experiêcia profissional

Docência

 Função actual

Administrador municipal e primeira secretária do MPLA na Catumbela

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